terça-feira, 22 de maio de 2018

Lição 9 Ética Cristã e Planejamento Familiar


Lição 9 Ética Cristã e Planejamento Familiar
27 de Maio de 2018

TEXTO ÁUREO
(Sl 127.3)
“Eis que os filhos são herança do SENHOR, e o fruto do ventre, o seu galardão.”

VERDADE PRÁTICA
Gerar filhos, ou não, não é só uma questão de planejamento familiar, mas um encargo que abrange a obediência aos desígnios divinos para a família.

LEITURA DIÁRIA
Segunda – Gn 1.28; 2.23,24; 9.1
Deus ordenou o ser humano a procriar
Terça – Sl 127.3-5
Gerar filhos era sinal de benevolência do Altíssimo
Quarta – 1 Sm 1.6,7
A esterilidade era motivo de preconceito e de discriminação
Quinta – Lc 14.28-32
O planejamento é enaltecido por Jesus Cristo
Sexta – Tg 4.13-15
Nossos projetos precisam da aprovação divina
Sábado – 1 Tm 5.8
A Palavra de Deus ensina a responsabilidade com a nossa família

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE
Gênesis 1.24-31
24 – E disse Deus: Produza a terra alma vivente conforme a sua espécie; gado, e répteis, e bestas-feras da terra conforme a sua espécie. E assim foi.
25 – E fez Deus as bestas-feras da terra conforme a sua espécie, e o gado conforme a sua espécie, e todo o réptil da terra conforme a sua espécie. E viu Deus que era bom.
26 – E disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; e domine sobre os peixes do mar, e sobre as aves dos céus, e sobre o gado, e sobre toda a terra, e sobre todo réptil que se move sobre a terra.
27 – E criou Deus o homem à sua imagem; à imagem de Deus o criou; macho e fêmea os criou.
28 – E Deus os abençoou e Deus lhes disse: Frutificai, e multiplicai-vos, e enchei a terra, e sujeitai-a; e dominai sobre os peixes do mar, e sobre as aves dos céus, e sobre todo o animal que se move sobre a terra.
29 – E disse Deus: Eis que vos tenho dado toda erva que dá semente e que está sobre a face de toda a terra e toda árvore em que há fruto de árvore que dá semente; ser-vos-ão para mantimento.
30 – E a todo animal da terra, e a toda ave dos céus, e a todo réptil da terra, em que há alma vivente, toda a erva verde lhes será para mantimento. E assim foi.
31 – E viu Deus tudo quanto tinha feito, e eis que era muito bom; e foi a tarde e a manhã: o dia sexto.

OBJETIVO GERAL
Conscientizar a respeito da importância do planejamento familiar.

HINOS SUGERIDOS: 149, 151,175 da Harpa Cristã

OBJETIVOS ESPECÍFICOS
Abaixo, os objetivos específicos referem-se ao que o professor deve atingir em cada tópico. Por exemplo, o objetivo I refere-se ao tópico I com os seus respectivos subtópicos.

Apresentar o conceito geral de planejamento familiar;
Compreender o que as Escrituras Sagradas dizem a respeito do planejamento familiar;
Discutir a ética cristã e o limite do número de filhos.

INTERAGINDO COM O PROFESSOR
Sabemos que os filhos são dádivas de Deus, contudo a decisão de tê-los ou não, ou a decisão quanto ao número de filhos é uma resolução que o casal deve tomar em conjunto. O crente não precisa temer o planejamento familiar, pois desde que não seja feito por meios abortivos, tal atitude não é pecaminosa e não trará prejuízos ao casal. Criar e educar filhos nos dias atuais é uma tarefa nada fácil, por isso é preciso pensar e orar antes de tomar a decisão de colocar uma criança no mundo.
O planejamento familiar permite aos cônjuges analisarem algumas questões bem relevantes para uma família funcional, tais como a saúde física e mental do marido e da mulher, a idade cronológica e as condições financeiras. Os filhos são para toda a vida, por isso é preciso que o casal busque a orientação divina por meio da oração e se submeta a ela.

COMENTÁRIO
INTRODUÇÃO
O casamento, no plano divino, pressupõe o nascimento de filhos. Nele, estão inseridos a criação dos filhos, o sustento deles e todo o cuidado indispensável para o desenvolvimento humano. Por conseguinte, dentre outros deveres do casal, o planejamento familiar é importantíssimo.

PONTO CENTRAL
O planejamento familiar é imprescindível para uma família funcional.

I – CONCEITO GERAL DE PLANEJAMENTO FAMILIAR

1. Controle de natalidade. Não é planejamento familiar, mas procedimentos de políticas demográficas com o objetivo de diminuir ou até mesmo impedir o nascimento de crianças. Tais medidas são adotadas pelos governos totalitários para refrear o aumento da população de um país. Nesse caso, regular o número dos filhos é visto como solução para erradicar os níveis de pobreza, bem como alternativa para a preservação do meio ambiente e o melhor uso dos recursos naturais. Por ordem do Estado o número de filhos é limitado à revelia da vontade dos pais. Para esse fim são utilizados métodos contraceptivos e até a esterilização permanente. Em países totalitários ocorrem denúncias do uso do aborto, e até do infanticídio, como soluções para o controle de natalidade.

2. Planejamento familiar. Diferente do “controle de natalidade”, que consiste em evitar o nascimento dos filhos por meio do controle estatal, a proposta do “planejamento familiar” é a de instituir a paternidade-maternidade responsável. Trata-se de uma decisão voluntária e sensata por parte dos pais quanto ao número de filhos que possam ter com dignidade. No planejamento familiar fatores diversos são analisados, tais como: a saúde dos pais, as condições da família (renda, moradia, alimentação), o espaçamento de tempo entre uma e outra gestação. No contexto cristão, quanto ao número de filhos, o casal deve buscar orientação divina por meio da oração, submeter-se à direção do Espírito Santo e levar em conta o bom senso (Rm 14.21-23).

SÍNTESE DO TÓPICO I
Planejamento familiar não é controle de natalidade, mas é a paternidade-maternidade responsável.

SUBSÍDIO TEOLÓGICO
 “[...] Neste século, em que a maternidade já é vista como algo sem tanto valor por parte de certos segmentos da sociedade; quando, por outro lado, há quem deseje ardentemente ter um filho, em função da infertilidade; quando a reprodução in vitro já é uma realidade; o problema do chamado ‘controle da natalidade’ ou do planejamento familiar é sempre atual.
Esse é um tema preocupante em termos da ética cristã. Isso porque para o cristão, ter ou não ter filhos não é apenas uma questão biológica, mas uma decisão que envolve fé, amor e obediência aos princípios de Deus para a família. Para os não-cristãos, a questão é respondida de modo pragmático. Há pessoas que, em função de sua vida individualista e hedonista, ter filhos é um empecilho à liberdade de cada um.
De acordo com a ONU, o planejamento familiar ‘é o exercício da paternidade responsável, e a utilização voluntária e consciente por parte do casal, do instrumento necessário à planificação do número de filhos e espaçamentos entre uma gestação e outra. Pressupõe o uso de métodos anticoncepcionais produzidos pela ciência’. Notemos que há uma diferença fundamental entre ‘o controle da natalidade’ e o planejamento familiar, na visão sociológica. O primeiro pressupõe medidas rígidas (controles) impostas por determinado governo, interferindo na liberdade de um casal ter ou não determinado número de filhos. O segundo utiliza métodos persuasivos, buscando a adesão dos casais à limitação do número de filhos, bem como o espaçamento entre gestações, com o concurso de meios científicos à disposição das famílias” (LIMA, Elinaldo Renovato de. Ética Cristã: Confrontando as questões morais do nosso tempo. 1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2002, pp. 55-57)

CONHEÇA MAIS
*Um encargo entregue pelo Senhor
“FRUTIFICAI E MULTIPLICAI-VOS. O homem e a mulher receberam o encargo de serem frutíferos e de dominarem sobre a terra e o reino animal. (1) Foram criados para constituírem lares para a família. Esse propósito de Deus, declarado na criação, indica que Ele volta-se para a família que o serve e que a criação de filhos é algo de máxima prioridade no mundo [...].” Para conhecer mais leia “Bíblia de Estudo Pentecostal”, CPAD, p.34.

II – O QUE AS ESCRITURAS DIZEM SOBRE O PLANEJAMENTO FAMILIAR
O planejamento familiar, desde que não seja feito por meio de aborto e meios abortivos, não contraria a Palavra de Deus.

1. A família e a procriação da espécie. Após criar o primeiro casal, Deus o abençoou e disse: “Frutificai e multiplicai-vos, e enchei a terra” (Gn 1.28). Nesse primeiro mandamento, o Senhor requereu a reprodução do gênero humano. Após o dilúvio, Noé e seus filhos também receberam o mesmo mandamento acerca da procriação: “Frutificai, e multiplicai-vos, e enchei a terra” (Gn 9.1). Note que essa é uma ordem universal direcionada às gerações pré e pós-diluviana. Repare que Deus não especificou qual seria o fator multiplicador nem quantos filhos deveriam ser gerados por cada família. Além disso, o propósito do mandamento é único: homens e mulheres devem se reproduzir para “encher a terra”.

2. O planejamento familiar no Antigo Testamento. Na Antiga Aliança a fertilidade era vista como uma dádiva: “Eis que os filhos são herança do SENHOR, e o fruto do ventre, o seu galardão.” (Sl 127.3). Neste contexto, ter muitos filhos era sinal de benevolência do Altíssimo e sinônimo de felicidade (Sl 127.5). A esterilidade era motivo de discriminação (1 Sm 1.6,7), provocava desavenças (Gn 30.1,2) e era vista como vergonha (Gn 30.23). Em contraste a essa cultura, as esposas dos patriarcas foram estéreis e sofreram muito até que Deus lhes abriu a madre: Sara concebeu na velhice e gerou apenas um filho: Isaque (Gn 21.2); ao casar-se, durante vinte anos, Isaque orou pelo ventre de Rebeca e ela gerou dois filhos: Jacó e Esaú (Gn 25.21); Raquel, a esposa amada de Jacó, após anos de espera, também concebeu apenas dois filhos: José e Benjamim (Gn 35.24). Aqui, principalmente no caso dos patriarcas, podemos perceber a intervenção divina, bem como o fator de multiplicação, de família para família.

3. O planejamento familiar no Novo Testamento. Na Nova Aliança a fertilidade também é exaltada. Ao visitar Maria e anunciar a sua gravidez, o anjo lhe disse: “Salve, agraciada; o Senhor é contigo; bendita és tu entre as mulheres” (Lc 1.28). Na mesma ocasião, ao contar para Maria acerca da gravidez de Isabel, o anjo enfatizou: “tua prima, concebeu um filho em sua velhice; e é este o sexto mês para aquela que era chamada estéril” (Lc 1.36). Isabel gerou um único filho, João – o batista (Lc 1.59-60), e Maria, após o nascimento de Jesus, gerou ao menos quatro filhos e duas filhas (Mt 13.55,56). Repare, em ambos os casos, a intervenção divina, bem como a diferença no fator de multiplicação de uma casa para outra.

SÍNTESE DO TÓPICO II
O planejamento familiar não contraria as Escrituras Sagradas.

SUBSÍDIO TEOLÓGICO
“Procriar, uma determinação divina (Gn 1.28)
Após criar os céus e a terra, com a luz cósmica, a terra (porção seca), os mares, os animais, e a vegetação, Deus criou o homem, de modo especial, dizendo: ‘Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança [...]’ (Gn 1.26). ‘E criou Deus o homem à sua imagem; à imagem de Deus o criou; macho e fêmea os criou. E Deus os abençoou e Deus lhes disse: Frutificai, e multiplicai-vos, e enchei a terra, e sujeitai-a’ (Gn 1.27,28). Este foi o primeiro mandamento dado ao homem pelo Criador após criar o ser humano, masculino e feminino. Note-se que este mandamento foi dado antes da Queda. Assim, já estava implícita a sexualidade, tendo o homem os órgãos e o instinto sexual, com plena capacidade reprodutiva. Isso põe em terra a falsa ideia de que o pecado de Adão foi o ato sexual. Deus criou os órgãos sexuais com propósito definido.
Os que se opõem a qualquer tipo de limitação de filhos, ou planejamento familiar, argumentam que, se Deus disse ‘crescei e multiplicai-vos’, não é correto limitar filhos. Mas, conforme podemos depreender da Bíblia, Deus não exige do homem o tamanho de sua família ou prole. O número de filhos nunca foi especificado na Bíblia, como condição especial para o cumprimento da vontade divina. Deus não estabeleceu, de modo rígido, taxativo, o multiplicador” (LIMA, Elinaldo Renovato de. Ética Cristã: Confrontando as questões morais do nosso tempo. 1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2002, pp. 57-58).

III – ÉTICA CRISTÃ E O LIMITE DO NÚMERO DE FILHOS

1. A questão do fator de multiplicação. Quem se opõe ao planejamento familiar considera a limitação do número dos filhos uma desobediência ao mandamento de procriação (Gn 1.28). Por isso ensinam que a mulher deve gerar filhos indefinidamente. Contrariando essa ideia, a mulher não é fértil todos os dias. O Criador agraciou a mulher com apenas três dias férteis a cada mês, indicando que ela não tem o dever de gerar filhos a vida toda. Deus não estipulou qual deveria ser o número de filhos. Portanto, o mandamento de multiplicação é cumprido quando o casal gera um filho, pois eram duas pessoas e agora passaram a ser três. Deve-se também entender que a ordem de procriação é “geral” e não “específica”; ou seja, Deus ordenou a reprodução da raça humana, não a reprodução de cada pessoa. Do contrário, os solteiros e os viúvos (1 Co 7.8), os eunucos (Mt 19.12) e os casados estéreis (Lc 23.29) estariam em pecado. E se fosse pecado não procriar, até a privação sexual voluntária, autorizada nas Escrituras, estaria em contradição (1 Co 7.5). Desse modo, o fator de multiplicação depende da vontade do Senhor para cada família.

2. A questão ética no planejamento familiar. Planejar não é pecado. Cristo falou positivamente do planejamento do construtor e do rei guerreiro (Lc 14.28-32). O pecado está na presunção em não pedir a aprovação divina para o projeto (Tg 4.13-15). O cristão deve aconselhar-se com Deus para tomar qualquer decisão (Tg 1.5; 1 Jo 5.14). Nossas motivações devem ser apresentadas ao Senhor em oração e devem ser desprovidas de vaidade e de egoísmo (Tg 4.2,3). É vaidade a mulher não querer procriar para não alterar a beleza do corpo, bem como é egoísmo do homem não gerar filhos para fugir da responsabilidade. No entanto, postergar o nascimento dos filhos até que se possa cuidar melhor da família; limitar o número dos filhos para que se possa criá-los com dignidade e, espaçar o tempo de nascimento entre um e outro filho para melhor acolher mais uma criança, não são pecados, pois as Escrituras ensinam que o homem deve cuidar bem de sua família (1 Tm 5.8). Para tanto, sempre se faz necessário consultar à vontade soberana do Senhor em tudo (Mt 6.10).

SÍNTESE DO TÓPICO III
O planejamento familiar é uma questão ética que precisa ser analisada a luz da Palavra de Deus e discutida pela Igreja.

SUBSÍDIO BIBLIOLÓGICO
“O controle da natalidade é medida de caráter coercitivo, determinada por governos, com o intuito de diminuir o crescimento populacional. Como o cristão deve posicionar-se ante essa atitude impositiva, por parte dos governos em diversos países do mundo?
Entendemos que o cristão não deve concordar com o ‘controle da natalidade’, visto que, visando fins utilitaristas e econômico-sociais, configura uma intervenção direta na vontade de um casal, quanto a ter ou não ter filhos.
O planejamento familiar não interfere na decisão do casal. Apenas orienta quanto à natalidade” (LIMA, Elinaldo Renovato de. Ética Cristã: Confrontando as questões morais do nosso tempo. 1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2002, pp. 61-62).

CONCLUSÃO
O homem não peca pela simples limitação ou espaçamento do nascimento de seus filhos. Ele comete pecado quando suas motivações são presunçosas e utilitaristas. O cristão que consulta ao Senhor, e aceita a vontade divina na limitação do número de seus filhos, é abençoado em toda a esfera de sua família (Sl 128.1-6). Todavia, ele rejeita por completo o aborto e os meios abortivos no planejamento familiar.

PARA REFLETIR
A respeito do tema “Ética Cristã e Planejamento Familiar”, responda:

O que é controle de natalidade?
Procedimentos de políticas demográficas com o objetivo de diminuir ou até mesmo impedir o nascimento de crianças. Tais medidas são adotadas pelos governos totalitários para refrear o aumento da população de um país.

Em que consiste o planejamento familiar?
Consiste em instituir a paternidade-maternidade responsável. Trata-se de uma decisão voluntária e sensata por parte dos pais quanto ao número de filhos que possam ter com dignidade.

O que Deus disse após criar o primeiro casal?
Após criar o primeiro casal, Deus o abençoou e disse: “Frutificai e multiplicai-vos, e enchei a terra” (Gn 1.28).

Em relação à fertilidade, o que vemos tanto no Antigo quanto no Novo Testamento?
Vemos que a fertilidade era vista como uma dádiva divina: “Eis que os filhos são herança do SENHOR e o fruto do ventre, o seu galardão.” (Sl 127.3).

Segundo a lição, a ordem de Deus para “procriar” é geral ou específica? Explique.
A ordem de procriação é “geral” e não “específica”; ou seja, Deus ordenou a reprodução da raça humana, não a reprodução de cada pessoa.

CONSULTE
Revista Ensinador Cristão - CPAD, nº 74, p40.
Você encontrará mais subsídios para enriquecer a lição. São artigos que buscam expandir certos assuntos.

Fonte: CPAD, Revista, Lições Bíblicas Adultos, professor, Valores Cristãos – Enfrentando as questões morais de nosso tempo, Comentarista Douglas Baptista, 2º trimestre 2018.

Lição 9 É preciso buscar crescimento espiritual.


Lição 9 É preciso buscar crescimento espiritual.
27 de Maio de 2018

Texto Áureo
2 Pedro 3.18
“Antes, crescei na graça e conhecimento de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. A ele seja dada a glória, assim agora como no dia da eternidade. Amém”.

Verdade Aplicada
O novo nascimento é o início do processo de crescimento espiritual, que deve ser contínuo e progressivo.

Objetivos da Lição
Enfatizar a importância de estar em Cristo e a necessidade do crescimento;
Ressaltar que o processo do crescimento espiritual é contínuo;
Destacar que a Palavra de Deus nos incentiva ao crescimento espiritual.

Glossário
Hipófise: Glândula endócrina, cujas perturbações de desenvolvimento ou funcionamento resultam em alterações no crescimento;
Indolente: Apático; descuidado;
Metáfora: Figura de linguagem que produz sentidos figurados por meio de comparações implícitas.

Leituras complementares
Segunda Sl 92.12-13
Terça 1Co 3.1-3
Quarta Ef 2.20-22
Quinta Ef 4.11-16
Sexta Hb 5.11-14; 6.1
Sábado 2Pe 1.5-11

Textos de Referência.
1 Pedro 1.23-25; 2.1-2
23 Sendo de novo gerados, não de semente corruptível, mas da incorruptível, pela palavra de Deus, viva e que permanece para sempre.
24 Porque: Toda carne é como erva, e toda a glória do homem, como a flor da erva. Secou-se a erva, e caiu a sua flor;
25 Mas a palavra do Senhor permanece para sempre. E esta é a palavra que entre vós foi evangelizada.

1 Deixando, pois, toda malícia, e todo engano, e fingimentos, e invejas, e todas as murmurações,
2  Desejai afetuosamente, como meninos novamente nascidos, o leite racional, não falsificado, para que, por ele, vades crescendo,

Hinos sugeridos.
69, 299, 519

Motivo de Oração
Ore, para que os jovens cresçam com Cristo em meio à oposição da sociedade em que vivem.

Esboço da Lição
Introdução
1. O que se espera do nascido de novo?
2. O processo do crescimento espiritual.
3. A importância do crescimento.
Conclusão

Introdução
É certo que o ambiente e as circunstâncias influenciam, porém as atitudes e escolhas do discípulo de Cristo podem determinar o seu crescimento espiritual. Nesta lição, veremos que é essencial o crescimento espiritual do povo de Deus.

1. O que se espera do nascido de novo?
Os especialistas afirmam que o desenvolvimento do corpo está ligado à uma vida saudável. A glândula hipófise, localizada na base do crânio, produz o GH, que se refere ao hormônio do crescimento. Alguns fatores muito contribuem no processo de crescimento, entre outros: sono, alimentação, exercícios físicos.

1.1. Jesus Cristo experimentou o crescimento.
Ao se fazer carne (Jo 1.14), o próprio Senhor Jesus passou pelo processo de crescimento (Lc 2.40, 52). Ele não nasceu adulto. Somente iniciou Seu ministério na terra com cerca de trinta anos de idade (Lc 3.23). Do mesmo modo, o discípulo de Cristo inicia a nova vida com o novo nascimento (1Pe 1.23). Antes estávamos mortos em nossos pecados, ou seja, separados de Deus, mas Ele nos vivificou pelo poder da Sua Palavra e pela ação do Seu Espírito DM nós. Assim, nascemos de novo (Jo 3.5; Ef 2.1, 5; Tt 3.5). Porém, também é certo que, no aspecto espiritual da vida, quando alguém nasce de novo, não nasce adulto, crescido e amadurecido na fé e no conhecimento.

O processo de crescimento espiritual deve ser contínuo enquanto estivermos aqui na terra (Ef 4.15-16). No Novo Testamento encontramos a expressão grega “auxanõ”, que indica crescer e aumentar (Ef 4.15; Cl 1.10; 1Pe 2.2; 2Pe 3.18). Interessante notarmos que a palavra grega citada acima tem a ver com a vida das plantas, significando o processo natural de crescimento.

1.2. Metáforas que indicam crescimento.
Encontramos na Bíblia que aquele que vive em comunhão com Deus é comparado a uma planta, ou árvore, ou ramo (Sl 1.3; 92.12-13; Jr 17.7-8; Jo 15.1-8). A mensagem apontando para o crescimento também é encontrada em Efésios 2.21, expressando a ideia de construção com o sentido espiritual de “edificação”. A Palavra de Deus também nos compara a “pedras vivas” (1Pe 2.5). O Senhor Jesus é a pedra principal, o firme fundamento (Ef 2.20). É nEle que somos edificados e crescemos. Já em Efésios 4.15-16 encontramos a ideia do discípulo de Cristo como membro do Corpo de Cristo, no processo de crescimento orgânico. Cada membro do Corpo de cristo, a Igreja, crescendo, “faz o aumento do corpo, para sua edificação em amor” (Ef 4.16).

É necessário que cada discípulo de Cristo esteja consciente da verdade bíblica de que, enquanto estivermos na terra, Deus nos exorta a crescimento. Para que entendamos Seus propósitos, Ele usa figuras de linguagem. Vemos isso quando Ele nos compara a uma criança (acerca do novo nascimento), planta, pedra ou a um membro do corpo.

1.3. A necessidade do crescimento.
O novo nascimento, os vários outros aspectos da salvação (libertação, adoção, justificação, perdão, entre outros), o recebimento do Espírito Santo, o batismo em águas e a participação na Ceia do Senhor podem dar a impressão de que já estamos prontos e completos, porém, se estivermos atentos às Sagradas Escrituras, veremos que ainda precisamos aprender muito.

O Dr. Russell Shedd, comentando Efésios 4.15, escreveu: “Os alemães têm uma frase que diz: ‘werde was du bist’, ou seja, “torna-te aquilo que tu já és”. Nós já somos membros da plenitude, pois fazemos parte da feitura de Cristo; mas de certo modo somos isso de modo embrionário ou como crianças. Nossa posição já está aí, com toda sua possibilidade e potencial, mas temos que caminhar para a maturidade”. Sabemos quem somos? Temos procurado compreender o chamado de Deus? Como disse o poeta grego, Píndaro: “Transforme-se em quem você é, mas primeiro aprenda que você é”.

2. O processo do crescimento espiritual.
Quanto ao desenvolvimento do corpo físico, vários fatores influenciam para o adequado crescimento. Ocorre o mesmo com o processo de crescimento do discípulo de Cristo no aspecto espiritual. Importante lembrar que não se trata de algo opcional, mas uma determinação divina, como se encontra em 1 Pedro 2.2 e 2 Pedro 3.18.

2.1. A participação humana.
Precisamos obedecer, desejar e buscar, pois no processo do crescimento espiritual existe a participação humana, como veremos no presente tópico. Estejamos certos de que a participação humana nunca será dissociada da ação divina por intermédio da Palavra e do Espírito Santo. Logo, de acordo com o ensino do apóstolo Paulo expresso em Colossenses 1.6, o crescimento espiritual ocorre a partir do Evangelho, ou seja, “a graça de Deus em verdade”. Quando o discípulo de Jesus é movido pelo Evangelho, há crescimento no conhecimento de Deus (Cl 1.10) e na graça (2Pe 3.18).

O Dr. Russel Shedd citou Crisóstomo, ao comentar Colossenses 1.10: “O crescimento externo acompanha os passos da sua energia interna”. E escreveu: “Essa energia espiritual existe em virtude do senhorio de Cristo, ativo em sua igreja onde quer que esta se encontre, na Ásia de então ou no Brasil de hoje”. Antes do apóstolo Pedro exortar sobre a necessidade do crescimento, ele menciona a importância da atitude de “deixar” (1Pe 2.1). Ou seja, “colocar de lado”, “lançar fora” atitudes, hábitos e comportamentos que, se mantidos pelo nascido de novo, comprometerão o seu crescimento espiritual. Esta exortação nos remete à recomendação de deixar os embaraços e pecados que atrapalham a nossa carreira cristã (Hb 12.1). Assim, também, um terreno repleto de pedras ou cheio de espinhos irá impedir o adequado crescimento das plantas (Mt 13.20-22). No processo do crescimento espiritual é importante atentarmos para as coisas que podem atrapalhar e ir deixando-as, pois se os “espinhos” crescerem juntos, sufocarão a semente (Mt 13.7). Não basta desejar o bom, é preciso lançar fora o ruim.

2.2.  A Palavra de Deus gera crescimento.
Pedro escreve que o discípulo de Cristo deve “desejar afetuosamente” a Palavra de Deus (1Pe 2.2). A versão NTLH diz: “como criancinhas recém-nascidas”. Ou seja, faz menção ao novo nascimento descrito em 1 Pedro 1.23. Assim como o Bebê depende de leite puro (não misturado com nenhuma outra substância) para a nutrição, o discípulo de Jesus depende do “leite racional”, ou seja, “o leite não adulterado da palavra” (BJ), mencionado em 1 Pedro 1.25. Desejar denota interesse, busca e esforço. Portanto, por intermédio do alimento da Palavra é que há crescimento.

Quando o apóstolo Paulo escreve sobre o crescimento no corpo, ele enfatiza que os discípulos do Senhor somente serão saudáveis e fortes para crescerem caso estejam sob o controle Daquele que é a cabeça, Cristo (Ef 4.15-16). Somente de Cristo, cabeça do corpo, é que cada membro recebe a capacitação necessária para crescer e, assim, desenvolver sua atividade no corpo. Da mesma maneira, as varas da videira verdadeira dependem totalmente da videira para produzir fruto e manter-se saudável (Jo 15.5). Sem Jesus nada podemos fazer.

2.3. Crescimento processo contínuo.
Na dinâmica do crescimento espiritual há a participação de Deus e do discípulo de Cristo. É um processo contínuo. H. Schlier, teólogo alemão, em seu comentário sobre a carta aos Efésios, sobre a expressão grega “auxein” (uma das derivações da expressão mencionada no tópico anterior, usada em vários textos no Novo Testamento, traduzida como “crescimento”), comentou o seguinte: “O crescimento da igreja na santidade pessoal em Cristo é um processo contínuo...tempo presente de auxein (“cresce” – Ef 2.21) torna claro este fato... “crescer” é o modo de ser igreja”.

É incrível, mas precisamos voltara enfatizar a importância da vida devocional (separar um tempo em casa para leitura bíblica e oração). Participação na Escola Bíblica Dominical, Culto de Ensino, reuniões de oração e jejum, envolvimento de atividades na igreja como hábitos saudáveis que muito contribuem no processo de crescimento espiritual. Além da importância de sermos pastoreados. Nosso crescimento e aperfeiçoamento como membros do Corpo de Cristo passa pelo pastoreio. Leia Efésios 4.11-16 e reflita: Jesus dá dons e ministérios à Igreja visando o quê? Não são poucos na igreja evangélica brasileira que retardam o próprio crescimento espiritual por não se submeterem ao discipulado e pastoreio.

3. A importância do crescimento.
Há a tendência em muitos de justificar o não crescimento espiritual usando as circunstâncias contrárias como causa. Contudo, ao observarmos o contexto histórico dos primeiros destinatários das epístolas do apóstolo Pedro, verificamos que as circunstâncias eram bastante desafiadoras: perseguição, tribulações, sofrimento, falsos mestres, entre outros. Porém, ambas as epístolas fazem um chamado ao crescimento espiritual (1Pe 2.2; 2Pe 3.18).

3.1. Crescer enquanto caminha.
Com o crescimento, aprendemos que há uma ação pedagógica no sofrimento e nas adversidades, visando o nosso amadurecimento (1Pe 5.9-10; Hb 12.5, 10). O apóstolo Pedro identifica os discípulos de cristo como “peregrinos e forasteiros” (1Pe 2.11) e que a vinda do Senhor se aproxima (2Pe 3.9). Estamos aqui só de passagem, como peregrinos neste mundo. Portanto, ainda não chegamos ao destino. Não podemos parar. É perigoso.

Paulo exorta aos discípulos de Cristo que estavam em Éfeso sobre a importância do crescimento em Cristo, para que não permanecessem como “meninos inconstantes” (Ef 4.14). A palavra grega utilizada é “nepios”, sugerindo alguém sem instrução, sem esclarecimento, um discípulo imaturo. São os hesitantes e mal orientados que são levados por todo vento de doutrina. O imaturo é caracterizado pela instabilidade diante das pressões das várias doutrinas sem respaldo bíblico e dos padrões mundanos da vida.

3.2. Os perigos do não crescimento.
São muitos os “ventos de doutrina” e os modismos teológicos que têm causado grandes prejuízos na vida dos que “se estavam afastando dos que andam em erro” (2Pe 2.18). Paulo, em 1 Coríntios 3.1, lembra o início da instrução aos discípulos naquela cidade. É evidente que aquele que acaba de passar pela experiência do novo nascimento é como um “menino em Cristo”; ainda não está amadurecido. A alimentação pela Palavra era adaptada à capacidade dos alunos. Por isso era baseada no leite. A dificuldade é que os discípulos de Corinto ainda não podiam receber o alimento mais sólido (1Co 3.2).

Os membros da igreja em Corinto, pelo tempo, já deveriam ter superado o estágio de “meninos em Cristo”. Já deveriam ter feito progresso. Então, Paulo aponta várias condutas que resultam de uma vida cristã sem amadurecimento: inveja, contendas e dissensões” (1Co 3.3).

3.3. Não sejamos negligentes.
O fator tempo (no que se refere ao início do novo nascimento até um determinado momento), como em 1 Coríntios, também é mencionado na epístola aos Hebreus. O escritor aos hebreus menciona que alguns discípulos de Cristo “pelo tempo” (de conversão, de nascido de novo) já deveriam estar ensinado outros, ajudando os novos convertidos, porém ainda estavam necessitando que alguém lhes ensinasse as doutrinas básicas (Hb 5.12). No lugar de alimento sólido, ainda precisavam de leite (Hb 5.12-14). Mas, no versículo 11 de Hebreus 5, o escritor identifica o problema como resultado de negligência “para ouvir”, por parte daqueles discípulos de Cristo. Ou seja, eram indolentes, preguiçosos e lentos. Não queriam se esforçar para aprender.

Em Hebreus 6.1, o escritor faz um fervoroso chamado: “deixando... prossigamos”. É preciso sair da estagnação ou acomodação espiritual. Na versão da ERA, encontramos: “deixemo-nos levar para o que é perfeito”. Lembra consentimento, humildade, interesse em crescer, progredir espiritualmente.

Conclusão.
Precisamos diariamente ir abandonando as práticas da velha maneira de viver a fim de que o nosso desenvolvimento não seja impedido (Ef 4.13). Como no tempo da Igreja Primitiva, as circunstâncias contrárias não impedem o crescimento para salvação (1Pe 2.2).

Questionário.
1. Como o discípulo de Cristo inicia a nova vida?
R: Com o novo nascimento (1Pe 1.23).

2. O que Paulo ensina em Colossenses 1.6?
R: Que o crescimento espiritual ocorre a partir do Evangelho, ou seja, “a graça de Deus em verdade” (Cl 1.6).

3. O que o discípulo de cristo deve “desejar afetuosamente”?
R: A Palavra de Deus (1Pe 2.2).

4. Qual chamado as epístolas de Pedro fazem?
R: Ao crescimento espiritual (1Pe 2.2; 2Pe 3.18).

5. Como o apóstolo Pedro identifica os discípulos de Cristo?
R: Como “peregrinos e forasteiros” (1Pe 2.11).

Fonte: Revista de Escola Bíblica Dominical, Betel, Aperfeiçoamento Cristão – Propósito de Deus para o discípulo de Cristo. Adultos, edição do professor, Comentarista Pastor Marcos Sant’Anna da Silva 2º trimestre de 2018, ano 28, Nº 107, publicação trimestral, ISSN 2448-184X.

Lição 9 CORAGEM EM MEIO À PERSEGUIÇÃO


Lição 9 CORAGEM EM MEIO À PERSEGUIÇÃO
27/05/2018

Texto do dia
(2 Ts 1.11)
"Pelo que também rogamos sempre por vós, para que o nosso Deus vos faça dignos da sua vocação e cumpra todo desejo da sua bondade e a obra da fé com poder."

Síntese
Não existem contrariedades que sejam capazes de destruir o projeto de Deus para nós.

Agenda de leitura
SEGUNDA - 1 Co 11.19
Em meio às crises os fiéis se revelam
TERÇA - Sl 11.5
O justo passa por provas
QUARTA - Rm 8.38,39
As aflições não podem nos separar do amor de Deus
QUINTA - Hb 4.1-11
Há um lugar de descanso para nós
SEXTA - Cl 1.12
Somos chamados para uma vida digna
SÁBADO - 1 Co 10.31
Devemos viver para a glória de Deus

Objetivos
DISCUTIR  a respeito do comportamento dos irmãos tessalonicenses diante da perseguição;
COMPREENDER que mesmo em meio às tribulações o Senhor está conosco;
ANALISAR a postura de Paulo como líder diante da perseguição aos tessalonicenses.

Interação
Estimado professor, você já parou para pensar a honra que é servir a Deus por meio do ministério do ensino? Se não houvesse a Escola Dominical como seria o processo de discipulado e formação bíblica continuada em nossas igrejas? O quanto de seu ministério seria diminuído se você não atuasse como ensinador? Ao refletir essas questões é necessário reconhecermos o quanto somos agraciados por militarmos no ministério do ensino, pois no processo de preparo de cada aula, no esmero semanal de fazer o melhor para Cristo, não apenas nossos alunos são abençoados, mas nós individualmente, somos também ricamente edificados por intermédio da Palavra de Deus. Por isso, faça de seu ministério um motivo de gratidão contínua em suas orações, compreendendo que servir à Igreja de Cristo como educador é um privilégio para alguns poucos filhos de Deus, e você caro professor, é um desses bem-aventurados.

Orientação Pedagógica
Por vivermos em um país pacífico e receptivo aos princípios do Evangelho temos, muitas vezes, dificuldade de compreender com clareza o que de fato é ser perseguido por amor a Cristo. Uma estratégia para utilizar-se nesta lição é pesquisar em sites especializados informações sobre como é a vida de cristãos em países fechados para a pregação do Evangelho. Existe inclusive uma mobilização nacional por igrejas que vivem em contextos de perseguição que é o DIP (Domingo da Igreja Perseguida). Este sempre ocorre no domingo após a comemoração do Pentecostes - em alusão ao contexto de Atos 4.
Promova entre seus alunos um momento de conscientização missionária, com o foco voltado para nações onde declarar-se cristão é assumir para si uma sentença de morte. Ore em sala por nossos irmãos perseguidos, e demonstre que os desafios enfrentados pelos tessalonicenses são compartilhados por muitos ainda hoje.

Texto bíblico
2 Tessalonicenses 1.3-12
3 Sempre devemos, irmãos, dar graças a Deus por vós, como é de razão, porque a vossa fé cresce muitíssimo, e o amor de cada um de vós aumenta de uns para com os outros,
4 de maneira que nós mesmos nos gloriamos de vós nas igrejas de Deus, por causa da vossa paciência e fé, e em todas as vossas perseguições e aflições que suportais,
5 prova clara do justo juízo de Deus, para que sejais havidos por dignos do Reino de Deus, pelo qual também padeceis;
6 se, de fato, é justo diante de Deus que dê em paga tribulação aos que vos atribulam,
7 e a vós, que sois atribulados, descanso conosco, quando se manifestar o Senhor Jesus desde o céu, com os anjos do seu poder,
8 como labareda de fogo, tomando vingança dos que não conhecem a Deus e dos que não obedecem ao evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo;
9 os quais, por castigo, padecerão eterna perdição, ante a face do Senhor e a glória do seu poder,
10 quando vier para ser glorificado nos seus santos e para se fazer admirável, naquele Dia, em todos os que creem (porquanto o nosso testemunho foi crido entre vós).
11 Pelo que também rogamos sempre por vós, para que o nosso Deus vos faça dignos da sua vocação e cumpra todo o desejo da sua bondade e a obra da fé com poder;
12 Para que o nome de nosso Senhor Jesus Cristo seja em vós glorificado, e vós nele, segundo a graça de nosso Deus e do Senhor Jesus Cristo.

COMENTÁRIO
INTRODUÇÃO
Provavelmente, alguns meses depois da escrita de 1 Tessalonicenses, a persistência de três problemas leva Paulo a escrever uma nova carta à Igreja em Tessalônica com o objetivo de novamente denunciar tais situações. As dificuldades enfrentadas pelos tessalonicenses englobam três grandes áreas: política-cultural, teológica e social; são estes: uma ferrenha perseguição promovida por judeus e pelo império, uma interpretação completamente errônea com relação a parousia (a vinda do Senhor), e o desagradável testemunho pessoal de alguns irmãos que simplesmente não queriam mais trabalhar.
Neste primeiro capítulo o apóstolo dedica-se a uma palavra de ânimo e fortalecimento àqueles irmãos que, desde a saída de Paulo daquela cidade, passavam por severas situações de intolerância, mas mesmo assim continuavam firmes no propósito de servir a Deus. Sobre esta situação, Paulo os conforta afirmando que o Senhor fará justiça.

I- COMO SE PORTAR DIANTE DAS TRIBULAÇÕES?

1. Com uma fé amadurecida. A fé dos tessalonicenses não estagnou (2 Ts 1.3). Apesar das severas tribulações, das heresias que se infiltravam naquela comunidade, eles cresceram em confiança diante do Senhor. A máxima de Paulo direcionada à Igreja em Corinto em 1 Coríntios 11.19 parece fazer todo sentido em Tessalônica: é na crise que os verdadeiros e fiéis se manifestam, assim como os fraudulentos e hipócritas também (1 Tm 5.24,25). Um contexto de adversidades não deve nos intimidar, antes, devemos encará-lo como uma possibilidade de aprofundarmo-nos na fé em Jesus Cristo. A vivência de oposições deve colaborar para nosso amadurecimento, isto é, quando vivemos em tempos difíceis passamos a valorizar as coisas certas, assim como a desconsiderar como relevante aquilo que não edifica. As muitas dificuldades que os tessalonicenses enfrentavam serviram de combustível para o desenvolvimento da fé daqueles irmãos.

2 . Com um amor que se multiplica. Um dos erros mais comuns, mas ao mesmo tempo mais perigosos que cometemos em tempos difíceis, é permitir que o ódio ganhe espaço em nosso ser. Os sentimentos de injustiça, desrespeito e medo que se levantam contra nós, não podem ser alimentados, senão, enraízam em nossos corações impedindo-nos de compreender com clareza a vontade de Deus (Hb 12.15). Lembremo-nos: nossos inimigos não são terrenos ou humanos, mas espirituais e diabólicos (Ef 6.12). Ao contrário disso, diante da crise, o amor entre os tessalonicenses se multiplicou, e não apenas, como alguém poderia pensar, de maneira egoísta, internamente, mas também para com a comunidade que estava à volta deles. Por meio do amor aquela comunidade se fortalecia e conseguia superar suas limitações e oposições. Não se vence o mal com mal, mas por meio do bem, do amor, da justiça e da misericórdia.

3. Com uma paciência inspiradora. A reação daquela jovem igreja perante tantas tribulações era exemplar; o próprio apóstolo testemunha que durante sua estadia em outras igrejas daquela região, a postura dos irmãos em Tessalônica servia de inspiração. De modo especial, Paulo fala sobre a paciência daquela comunidade, que mesmo em meio a "perseguições e aflições" (2 Ts 1.4) persiste pacientemente confiando em Cristo. Este é o segredo de uma vida vitoriosa: nunca agir precipitadamente em momentos de tensão, mas ao contrário, orientar-se por uma postura paciente. Nossa paz não se deriva de posses, poderes ou palavras. Temos a capacidade de parcimoniosamente enfrentar os percalços da vida porque temos um supremo alívio vindo do Senhor (Jo 16.33). A paciência dos tessalonicenses, que se fundamentava numa fé inabalável no amor de Deus, deve inspirar-nos a crer que nenhum problema é capaz de mudar o que o Senhor sente por nós.

Pense
Não somos chamados para sermos cristãos infantis.

Ponto Importante
Em tempos de ódios culturais aflorados, precisamos, mais do que nunca, ser multiplicadores do amor.

II- O QUE ESPERAR EM TEMPOS DE TRIBULAÇÃO?

1. Que a tribulação converta-se em instrumento de testemunho de nossa fé. Levando em consideração tudo o que aquela igreja enfrentava, mui especialmente a intolerância por parte da população local, o que poderia garantir que eles estavam no caminho certo? Esse é um sério questionamento com o qual comumente nos deparamos em tempos de adversidade: será que estou fazendo as escolhas corretas? Que garantias tenho que Cristo está comigo se estou enfrentando tudo isso? A resposta para estas questões, segundo o próprio Paulo afirma (2 Ts 1.5; Sl 11.5), são as tribulações. Isto é, as lutas que enfrentamos, e superamos com paciência e fé (v.4), é o testemunho que fala mais alto acerca de nossa espiritualidade e dignidade em Cristo. Não devemos procurar problemas.Todavia, não devemos temê-los quando esses chegam, pois Cristo está conosco.

2. Que a devida justiça seja exercida sobre os perseguidores. Em um contexto ostensivo e de ferrenha oposição, devemos ter a certeza de que o Senhor está ao lado do justo, e que por isso o ímpio jamais prosperará (2 Ts 1.6,8,9). O aparente bem-estar do injusto não deve angustiar nossos corações, pois a estabilidade de tal felicidade é frágil e de rápida desestruturação. A alegria e descanso que o Pai tem programado para nós, todavia, são eternos, estáveis e abençoadores. Não nos cabe a execução de nenhum juízo, e sim a prática cotidiana da justiça. A ação de julgar é exclusiva do Pai (Hb 10.30), quanto a nós, basta-nos acreditar que nenhum culpado será tomado como inocente, e nenhum puro será condenado pelo Senhor como perverso (Na 1.3). No dia do juízo, justos e ímpios, serão separados pelo Senhor, os primeiros para descanso eterno, já esses últimos, infelizmente para desprezo e castigo eternos (Mt 25.33-45).

3. Que o dia do descanso virá. As tribulações um dia terão um fim! (2 Ts 1.7,10) Nossa jornada, por mais cheia de percalços que possa ser, terá um ponto final, pois o plano eterno de Deus desenrola-se desta forma. Não é para o caos e o descontrole que tendem todas as coisas, o Senhor ainda coordena o universo, Ele está assentado no trono (Sl 11.4; 96.10). Para os seus santos, o Altíssimo tem preparado lugar de descanso e paz (Hb 4.1-11). É para essa esperança que devemos direcionar nossos corações, isto é, não é aqui que acaba nossa história. As muitas lutas e tribulações que enfrentamos não serão capazes de impedir o estabelecimento da eterna vontade do Pai. Nossa trajetória tem um rumo, nossos passos possuem uma direção certa; não demorará muito, e nós ouviremos do Senhor o chamado eterno para morarmos para sempre ao lado daquele que infinitamente nos ama.

Pense
Não é necessário desejar o mal de ninguém. Cada um colherá aquilo que pessoalmente plantou.

Ponto Importante
Não devemos fazer uma apologia ao sofrimento, como se devêssemos desejá-lo, contudo, é preciso ter consciência de que enfrentaremos problemas.

III- A ORAÇÃO DE PAULO PELOS TESSALONICENSES

1. Tenham sua vocação confirmada. Não vem dos tessalonicenses o direito à salvação; esta é uma obra exclusivamente realizada por Deus (Ef 2.8). Contudo, o Eterno exige de seus filhos um padrão ético elevado; a vida digna para qual somos chamados também é uma realização de Deus em nosso ser. Sendo o Altíssimo o protagonista de todos os atos referentes à salvação, a oração de Paulo é para que os tessalonicenses aguardassem, de modo ativo (com testemunho, obediência e fervor), a ação salvadora do Senhor (2 Ts 1.11). Grandes coisas o Salvador tem a realizar na vida de todos os seus filhos.Nosso esforço, desta maneira, deve estar em crer naquilo que o Senhor é poderoso para fazer. Sabendo que é Ele quem continuamente restaurará nosso ser à imagem do Pai enquanto aguardarmos a salvação.

2. Vivam a vontade de Deus. Paulo esclarece aos tessalonicenses que a vocação daqueles irmãos tem como finalidade cumprir a vontade do Pai. Esta é uma importante intercessão que o apóstolo faz por aquela jovem igreja, pois cotidianamente somos confrontados com essa situação a ser resolvida: obedecemos a voz do Mestre ou fazemos tudo do nosso jeito? É claro que qualquer pessoa responderá que é melhor fazer a vontade do Senhor. Contudo, muitas vezes o plano de Deus nem sempre é o mais fácil ou conveniente a nós. Que nos inspiremos no clamor de Paulo pelos tessalonicenses para crer que a mais excelente escolha é cumprir cada plano do Senhor (Sl 143.10). Sempre viveremos tribulações e adversidades, mas isso não quer dizer que estamos sozinhos.Na maioria das vezes, continuar de pé em tempos de calamidade é a prova mais contundente de que Deus está conosco (Sl 118.6,7).

3. Glorifiquem ao Senhor com suas vidas. Aquela era uma Igreja que enfrentava fortes dificuldades. A possibilidade de haver algum tipo de repercussão negativa na espiritualidade daqueles novos irmãos era algo real. Todavia, a intercessão de Paulo pelos tessalonicenses direcionava-se no sentido de que estes reconhecessem que suas vidas tinham como finalidade a glória de Deus, e por isso, não deveriam permitir que nada lhes separassem do amor do Pai (Rm 8.35-39). Tal como os irmãos de Tessalônica, devemos viver de maneira que tudo que façamos seja para o louvor do Senhor. Muito mais importante que glorificar a Deus apenas com palavras ou discursos é viver inteiramente para a honra do Senhor.

Pense
A salvação não vem de nós, é uma dádiva de Deus. 

Ponto Importante
Somos comissionados para uma vida de doação ao Reino e ao seu Rei.

SUBSÍDIO
"A Completa Recompensa Virá (1.6-10)
Saber que qualquer tipo de injustiça cometida um dia terá seu julgamento é um grande incentivo que gera um sentimento de bem-estar. Deus deseja que a justiça corra como um ribeiro impetuoso (Am 5.24). Seus filhos podem ter certeza de que a impiedade não escapará do julgamento, nem a justiça deixará de ser recompensada. Paulo reafirma os dois lados da justiça de Deus. Primeiramente fala do lado negativo - aqueles que perturbarem os tessalonicenses não escaparão impunes (v. 6). Esse ato de Deus não deveria ser visto como um 'embrulho de brutalidade cruel' que proporcionará alegria, embora a simplicidade da expressão no versículo 6 possa levar a tal pensamento (também os vv. 8 e 9; 2 Pe 2.12- 17; Jd 10-13). Talvez estas expressões bíblicas sejam como os salmos imprecatórios, que exigem dolorosos julgamentos sobre os opressores (por exemplo, Sl 3; 58; 59), não porque alguém esteja sedento de sangue, mas por se esperar tão ansiosamente que a justiça de Deus resgate o seu povo do mal. O salário do pecado será pago pelos perseguidores - a não ser, é claro, que lhes aconteça o mesmo que aconteceu a Saulo, ou seja, que se arrependam durante a sua jornada" (ARRINGTON, French L. e STRONSTAD, Roger (Ed). Comentário Bíblico Pentecostal. 4 ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2006. p. 1414).

ESTANTE DO PROFESSOR
COELHO, Alexandre; DANIEL, Silas. Vencendo as Aflições da Vida. 1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2012.

CONCLUSÃO
Os desafios que aquela jovem igreja enfrentava eram enormes. Se fizéssemos uma avaliação meramente humana da situação, o prognóstico seria dos piores. Todavia, aquela comunidade não andava por critérios humanos, mas por obra de Deus. Inspiremo-nos no exemplo de Tessalônica para enfrentar nossas lutas particulares, sempre crendo que o Senhor é nosso bondoso Pai, que jamais nos abandona.

Hora da revisão

Quais os três problemas que levaram Paulo a escrever uma segunda carta aos irmãos tessalonicenses?
Uma ferrenha perseguição promovida por judeus e pelo império, uma interpretação completamente errônea com relação a parusia (a vinda do Senhor), e o desagradável testemunho pessoal de alguns irmãos que simplesmente não queriam mais trabalhar.

Que atitudes a comunidade em Tessalônica tomou diante da contínua tribulação que ali se levantou?
Demonstrou uma fé amadurecida, multiplicou a prática do amor e pacientemente esperou a ação de Deus.

De que modo as lutas e tribulações que enfrentamos podem se tornar em testemunho de nossa fé?
Através de um comportamento que espelhe confiança no cuidado e amor do Pai.

De que modo devemos nos portar ante a prosperidade do ímpio nos tempos em que somos angustiados?
Com serenidade, sabendo que o prazer deles é fútil e logo passa, mas nossa alegria é/será eterna.

É possível glorificar a Deus com nossas vidas? Justifique sua resposta.
Sim, por meio do entendimento que a finalidade de nossas vidas é glorificar ao Senhor Jesus.

Fonte: CPAD, Revista, Lições Bíblicas Jovens, professor, A Igreja do Arrebatamento – O Padrão dos Tessalonicenses para Estes Últimos Dias, Comentarista Thiago Brazil, 2º trimestre 2018.