segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Lição 4 Salvação - O Amor e a Misericórdia de Deus



Lição 4 Salvação - O Amor e a Misericórdia de Deus
22 de Outubro de 2017

TEXTO ÁUREO
(1 Pe 2.10)
"Vós que, em outro tempo, não éreis povo, mas, agora, sois povo de Deus; que não tínheis alcançado misericórdia, mas, agora, alcançastes misericórdia."

VERDADE PRÁTICA
A partir de seu amor misericordioso, aprouve a Deus enviar seu Filho para morrer em lugar da humanidade.

LEITURA DIÁRIA
Segunda - Jo 3.16
O amor e a misericórdia de Deus
Terça - Lm 3.22,23
A nossa existência é fruto da misericórdia divina
Quarta - 1 Jo 3.16
Cristo deu a sua vida por nós, assim, devemos oferecer a nossa em favor dos nossos irmãos
Quinta - Rm 5.5-8
Cristo morreu em nosso lugar
Sexta - Ef 2.4,5
A grande benignidade de Deus por intermédio de Cristo
Sábado - Jo 1.10-12
O projeto redentor de Jesus, o Filho de Deus

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE
1 João 4.13-19
13 - Nisto conhecemos que estamos nele, e ele em nós, pois que nos deu do seu Espírito,
14 - e vimos, e testificamos que o Pai enviou seu Filho para Salvador do mundo.
15 - Qualquer que confessar que Jesus é o Filho de Deus, Deus está nele e ele em Deus.
16 - E nós conhecemos e cremos no amor que Deus nos tem. Deus é amor e quem está em amor está em Deus, e Deus, nele.
17 - Nisto é perfeito o amor para conosco, para que no Dia do Juízo tenhamos confiança; porque, qual ele é, somos nós também neste mundo.
18 - No amor, não há temor; antes, o perfeito amor lança fora o temor; porque o temor tem consigo a pena, e o que teme não é perfeito em amor.
19 - Nós o amamos porque ele nos amou primeiro.

OBJETIVO GERAL
Mostrar que a salvação é resultado do amor misericordioso de Deus.

HINOS SUGERIDOS: 27, 310, 411 da Harpa Cristã

OBJETIVOS ESPECÍFICOS
Abaixo, os objetivos específicos referem-se ao que o professor deve atingir em cada tópico. Por exemplo, o objetivo I refere-se ao tópico I com os seus respectivos subtópicos.

Apresentar o maravilhoso amor de Deus;
Explicar a misericórdia de Deus no plano da salvação;
Analisar o amor, a bondade e a compaixão na vida do salvo.

INTERAGINDO COM O PROFESSOR
Prezado(a) professor(a), na lição de hoje estudaremos a respeito do amor e da misericórdia de Deus no perfeito plano divino da salvação. Por méritos próprios, nenhum ser humano alcançaria a dádiva da salvação, pois ela é, e continuará sendo, resultado da graça, do favor do Pai. Contudo, é difícil para nós, seres imperfeitos e limitados, compreender o amor altruísta e a misericórdia de Deus em nosso favor. Mas Ele nos amou! E assim como o Pai nos amou e nos perdoou, nós como filhos seus, precisamos também amar e sermos misericordiosos, pois agindo com amor e misericórdia, estaremos glorificando o nome dEle.

COMENTÁRIO
INTRODUÇÃO
A salvação é obra do imenso amor de Deus e de sua maravilhosa misericórdia. Essa obra só foi possível porque o Pai amou tanto a humanidade a ponto de dar o seu próprio Filho para morrer no lugar dela. Assim, por intermédio de sua misericórdia, Deus concedeu perdão ao pecador, fazendo deste seu filho por adoção, dando-lhe vida em abundância.

PONTO CENTRAL
A salvação é resultado do amor e da misericórdia de Deus.

I - O MARAVILHOSO AMOR DE DEUS

1. Deus é amor. Se é difícil dimensionar o amor da mãe pelos filhos, imagine o amor de Deus, que é mais profundo e incomensurável (Is 49.15)! Nesse sentido, Deus usou o profeta Oseias para demonstrar o verdadeiro amor pelo seu povo, ainda que os israelitas se apresentassem indiferentes a esse amor (Os 11.1-4). Ora, amar reflete a natureza do próprio Deus, pois Ele é amor (1 Jo 4.8,16). Sendo o Pai a própria essência do amor, nós, seus filhos, somos apenas dotados por Ele com a capacidade de amar (1 Jo 4.19). Assim, a maior demonstração do amor de Deus pelo mundo foi quando Ele entregou vicariamente o seu amado Filho (Rm 5.8; 2 Co 5.14; Gl 2.20). Logo, o objeto desse amor vai muito além da Criação, pois tem, na humanidade, seu valor monumental (Jo 3.16).

2. Um amor que não se pode conter. Deus sempre amou o ser humano. A criação do homem e da mulher, por si mesma, é a prova desse amor divino (Gn 1.26,27). Nesse aspecto, o amor de Deus pela humanidade é incondicional, ou seja, não há nada que o ser humano possa fazer para aumentá-lo ou diminuí-lo (2 Pe 3.9; 1 Tm 2.4). Entretanto, há uma tensão entre o amor de Deus e a sua justiça. Como conciliar isso? As Escrituras mostram que o ser humano escolhe abandonar esse ato de amor, de modo que o Altíssimo, respeitando o livro-arbítrio do homem, o entrega à sua própria condição (Rm 1.18-32). Assim, o amor e a justiça de Deus se conciliam.

3. A certeza do amor de Deus. As relações humanas, infelizmente, implicam trocas, por isso certa dificuldade de compreendermos a gratuidade do amor de Deus. Pensamos que quando o decepcionamos com nossas atitudes e pecados, Ele vira as costas para nós, como fazem as pessoas as quais frustramos com nossas ações. Ora, havendo quebrantamento de coração (Sl 51.17), verdadeiro arrependimento (Pv 28.13) e atitude de retorno sincero, Deus jamais abandona os seus filhos, ainda que estes o tenham ofendido (Lc 15.11-32). Assim, Ele nos convida a experimentar do seu perdão e a desfrutar do seu amor como filhos mui amados. Isso tudo acontece porque o amor do Altíssimo não se baseia no ser humano, objeto de seu amor, mas nEle mesmo (Dt 7.6,7), a fonte inesgotável de amor.

SÍNTESE DO TÓPICO I
A salvação é a maior prova do amor e da misericórdia de Deus por nós.

SUBSÍDIO TEOLÓGICO
O Amor de Deus
"Sem menosprezar a paciência, misericórdia e graça de Deus, a Bíblia associa mais frequentemente  o desejo de Deus em nos salvar ao seu amor. No Antigo Testamento, o enfoque primário recai sobre o amor segundo a aliança, como se vê em Deuteronômio 7.
Com respeito à redenção segundo a aliança, diz o Senhor: 'Com amor [heb. 'ahavah'] eterno te amei [heb. 'ahev']; também com amável benignidade [heb. chesedh] te atraí' (Jr 31.3). A despeito da apostasia e idolatria de Israel, Deus amava com amor eterno.
O Novo Testamento emprega agapaõ ou agapê para referir-se ao amor salvífico de Deus. No grego pré-bíblico, essas palavras tinham pouca relevância. No Novo Testamento, porém, são óbvios o seu poder e valor. 'Deus é agapê' (Jo 3.16). Por isso, 'ele deu seu Filho unigênito' (Jo 3.16) para salvar a humanidade. Deus tem demonstrado seu amor imerecido para conosco 'em que Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores' (Rm 5.8). O Novo Testamento dá amplo testemunho do fato de que o amor de Deus impeliu-o a salvar a humanidade perdida. Por isso, estes quatro atributos de Deus - a paciência, a misericórdia, a graça e o amor - demonstram a sua bondade ao promover a nossa redenção" (HORTON, Stanley M. Teologia Sistemática: Uma perspectiva pentecostal. 1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 1996, pp. 345,346).

II - UM DEUS MISERICORDIOSO

1. O que é misericórdia? É a fidelidade de Deus mediante a aliança de amor estabelecida com a humanidade (Sl 89.28), apesar da infidelidade dela. Por conseguinte, a misericórdia do Pai torna-se favor imerecido para com o pecador, que merecia a condenação eterna, a fim de livrá-lo tanto da morte física quanto da espiritual (Lm 3.22). Quão permeadas de misericórdia são as obras de Deus (Sl 145.9)!

2. O Pai da misericórdia. A Bíblia afirma que Deus é o Pai da misericórdia (2 Co 1.3; Êx 34.6; Jn 4.2). Pelo fato de conhecer a estrutura humana, pois Ele mesmo a criou, o Altíssimo exerce a sua misericórdia, demorando a irar-se e não nos tratando segundo as nossas iniquidades (Sl 103.8-12); pois Deus "conhece a nossa estrutura" e "lembra-se de que somos pó" (Sl 103.14). Baseado na expressão dessa misericórdia, o pecador arrependido pode tranquilizar o seu coração e, no lugar de sentir-se perturbado e aflito, descansar no perdão e na reconciliação de Deus (1 Jo 2.1).
Jesus Cristo, o Filho de Deus, manifestou na prática de seu ministério a divina misericórdia do Pai. A compaixão demonstrada pelo Filho aos pecadores (Mt 15.32; 20.34; Mc 8.2) e o olhar terno de Jesus diante do sofrimento humano (Lc 7.13; 15.20; Jo 8.10,11) expressam a imagem do Pai da misericórdia (Hb 1.1-3).

3. Misericórdia com o pecador.  De nada adiantaria a misericórdia divina se não fosse o seu impacto sobre a vida cotidiana do pecador. Logo, a misericórdia de Deus pode ser experimentada a cada dia, pois ela nunca acaba (Sl 136.1 - ARA). O Altíssimo é longânimo para com o pecador, dando-lhe sempre novas chances de perdão e libertação do poder do pecado (Rm 6.18). Mediante a misericórdia divina somos libertos dos adversários (Ne 9.27), livres da destruição (Ne 9.31), cercados e coroados cuidadosamente pelo Todo-Poderoso (Sl 23.6; 32.10; 103.4). Assim, apesar da situação dramática do pecador, a misericórdia de Deus pode alcançá-lo milagrosamente.

SÍNTESE DO TÓPICO II
Deus é um Pai misericordioso.

SUBSÍDIO LEXICOGRÁFICO
Misericórdia
"No Antigo Testamento, a palavra 'misericórdia', é a tradução da palavra grega eleos, ou 'piedade, compaixão, misericórdia' (veja seu uso em Lucas 10.37; Hebreus 4.16), e oiktirmos, isto é, 'companheirismo em meio ao sofrimento' (veja seu uso em Filipenses 2.1; Colossenses 3.12; Hebreus 10.28).
No Antigo Testamento, este termo representa duas raízes distintas: rehem,que pode significar maciez), 'o ventre', referindo-se, portanto, à compaixão materna (1 Rs 3.26, 'entranhas'), e hesed, que significa força permanente (Sl 59.16; 62.12; 144.2) ou 'mútua obrigação ou solidariedade das partes relacionadas' - portanto, lealdade. A primeira forma expressa a bondade de Deus, particularmente em relação àqueles que estão em dificuldades (Gn 43.14; Êx 34.6). A segunda expressa a fidelidade do Senhor, ou os laços pelos quais 'pertencemos' ou 'fazemos parte' do grupo de seus filhos. Seu permanente e imutável amor está subentendido, e se expressa através do termo berit, que significa 'aliança' ou 'testamento' (Êx 15.13; Dt 7.9; Sl 136.10-24) " (Dicionário Bíblico Wycliffe. 1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2009, p. 1290).

CONHEÇA MAIS
*Amor
"Sem menosprezar a paciência, misericórdia e a graça de Deus, a Bíblia associa mais frequentemente o desejo de Deus em nos salvar ao seu amor. O Novo Testamento emprega agapaõ ou agapê para referir-se ao amor salvífico de Deus. No grego pré-bíblico essas palavras tinham pouca relevância. No NT, porém, são óbvios o seu poder e calor. Deus é agapê (1 Jo 3.16). [...] O NT dá amplo testemunho do fato de que o amor de Deus impeliu-o a salvar a humanidade perdida." Leia mais em Teologia Sistemática: uma perspectiva pentecostal, de Stanley Horton, CPAD, p.345.

III - AMOR, BONDADE E COMPAIXÃO NA VIDA DO SALVO

1. Amor como adoração a Deus. O pecador não alcançado pela graça divina, por natureza, é inimigo de Deus (Rm 5.10), chegando até mesmo a odiá-lo (Lc 19.14). Mas, por intermédio da reconciliação que Cristo operou na cruz, o próprio Deus tomou a iniciativa e capacitou o salvo a amá-lo (1 Jo 4.11,19). Por isso, o mandamento bíblico convida o ser humano a amar o Senhor Deus acima de todas as coisas (Dt 6.5; Mc 12.29,30). Isso não é apenas uma lei moral, mas um sentimento de profunda devoção de coração; uma necessidade concedida pelo Altíssimo ao homem para que este desfrute do deleite de sua presença (Dt 30.6). Logo, mediante o amor divino, o salvo em Cristo é levado a demonstrar, em atitudes e palavras, o quanto ele ama a Deus, sabendo que isso só foi possível porque o Pai amou-o primeiro (1 Jo 4.19).

2. Amar ao próximo. "Porque o amor de Cristo nos constrange" (2 Co 5.14), escreveu o apóstolo Paulo. Essa é a razão de o crente amar o seu irmão. Esse amor nos constrange a amar o próximo (Mt 5.43-45; Ef 5.2; 1 Jo 4.11) porque Cristo morreu por ele igualmente (Rm 14.15; 1 Co 8.11) e quando fazemos o bem a quem precisa fazemos ao próprio Senhor (Mt 25.40).  De acordo com a parábola do Bom Samaritano, devemos amar o nosso próximo, não a quem escolhemos, mas a quem aparece diante de nós durante a caminhada da vida. Embora as relações sociais estejam precárias no contexto moderno, devemos amar o outro sem esperar algo em troca (Mt 22.39). Assim, evitaremos a frustração, o rancor e a exigência além do que se pode dar. O nosso desafio é simplesmente amar!

3. Amor como serviço diaconal. Quando Jesus lavou os pés dos discípulos, Ele ensinou, na prática, um estilo de vida que deveria caracterizar  seus discípulos (Jo 13.14), ou seja, o de um servir ao outro. O serviço em favor do próximo, uma vida sacrifical em favor de quem está perto de nós, demonstra, na prática, a grandeza do amor de Deus. Os que estão em nossa volta reconhecem isso (At 2.46,47). "Amar uns aos outros" é a maneira mais eficaz de demonstrar ao mundo que somos seguidores de Jesus (Jo 13.35). A Palavra de Deus nos ensina que expressar afeto de misericórdia é um estado de bem-aventurança que o Pai nos concede, pois igualmente podemos ser objeto dessa mesma misericórdia (Mt 5.7).

SÍNTESE DO TÓPICO III
A salvação é evidenciada mediante o amor, a bondade e a compaixão. 

SUBSÍDIO TEOLÓGICO
"[...] É preciso compreender e comparar dois aspectos da salvação, que são: o aspecto legal e o aspecto ético e moral. No aspecto legal está a justificação, que trata da quitação da pena do pecado. Significa que a exigência da Lei foi cumprida. Porém, no aspecto moral, está a santificação que trata da vivência cotidiana após a justificação. Como compreender então a relação entre a justificação e a santificação?
Em primeiro lugar, a santificação trata do nosso estado, assim como a justificação trata da nossa posição em Cristo. Observe isto: Na justificação somos declarados justos. Na santificação nos tornamos justos. A justificação é a obra que Deus faz por nós como pecadores. A santificação diz respeito ao que Deus faz em nós. Pela justificação somos colocados numa correta e legal relação com Deus. Na santificação aparecem os frutos dessa relação com Deus. Pela justificação nos é outorgada a segurança. Pela santificação nos é outorgada a confiança na segurança. Em segundo lugar, a santificação envolve, também, o aspecto posicional. Na justificação o crente é visto em posição legal por causa do cumprimento da Lei, na santificação o crente é visto em posição moral e espiritual. Posicionalmente, o crente é visto nesses dois aspectos abordados que são: o legal e o moral. Legalmente, ele se torna justo pela obra justificadora de Jesus Cristo. Moralmente, ele se torna santo por obra do Espírito Santo" (CABRAL, Elienai. Romanos: O Evangelho da Justiça de Deus. 5.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2005, pp.73,74).

CONCLUSÃO
O amor e a misericórdia de Deus extrapolam a compreensão humana, pois ainda que se usem os melhores recursos linguísticos, estes não seriam capazes de descrever quão incomensuráveis são essas virtudes divinas. Nem mesmo o amor de uma mãe pelo seu filho é capaz de sobrepor o amor e a misericórdia de nosso Deus. Por isso, resta-nos expressar esse amor em nossa relação com cada criatura.

PARA REFLETIR
A respeito de salvação, o amor e a misericórdia de Deus, responda:

Como podemos medir e comparar o amor de Deus pela humanidade?
A maior demonstração do amor de Deus pelo mundo foi quando Ele entregou vicariamente o seu amado Filho (Rm 5.8; 2 Co 5.14; Gl 2.20). Logo, o objeto desse amor vai muito além da Criação, pois tem, na humanidade, seu valor monumental (Jo 3.16).

O amor de Deus pode ser modificado pelo homem?
Nesse aspecto, o amor de Deus pela humanidade é incondicional, ou seja, não há nada que o ser humano possa fazer para aumentá-lo ou diminuí-lo.

O que é a misericórdia de Deus?
É a fidelidade de Deus mediante a aliança de amor estabelecida com a humanidade, apesar da infidelidade dela.

Quando Jesus lavou os pés dos discípulos, o que Ele estava ensinando na prática?
Quando Jesus lavou os pés dos discípulos, Ele ensinou, na prática, um estilo de vida que deveria caracterizar  seus discípulos (Jo 13.14), ou seja, o de um servir ao outro.

Qual a maneira mais eficaz do crente demonstrar que é seguidor de Jesus?
"Amar uns aos outros" é a maneira mais eficaz de demonstrar ao mundo que somos seguidores de Jesus (Jo 13.34).

CONSULTE
Revista Ensinador Cristão - CPAD, nº 72, p38.  Você encontrará mais subsídios para enriquecer a lição. São artigos que buscam expandir certos assuntos.

SUGESTÃO DE LEITURA

Cristianismo Equilibrado
Numa linguagem clara e objetiva, a presente obra destaca as principais questões que podem se tornar em tensões no meio evangélico.

Ele Escolheu os Cravos
O amor e o sacrifício de Jesus Cristo narrado de uma maneira surpreendente.

Feridas que Curam
A obra examina argutamente as  implicações da crucificação de Jesus para a nossa cura e restauração.

Fonte: CPAD, Revista, Lições Bíblicas Adultos, professor, A Obra da Salvação – Jesus Cristo é o Caminho, a Verdade e a Vida, Comentarista Cleiton Ivan Pommerening, 4º trimestre 2017.

Lição 4 O CRISTÃO DIANTE DA POBREZA E DA DESIGUALDADE SOCIAL



Lição 4 O CRISTÃO DIANTE DA POBREZA E DA DESIGUALDADE SOCIAL
22/10/2017

Texto do dia
(Pv 14.31)
"O que oprime ao pobre insulta àquele que o criou, mas o que se compadece do necessitado honra-o."

Síntese
Diante da desigualdade e da marginalização social, a ação solidária da Igreja testifica a relevância da fé cristã diante dos homens e dá credibilidade à pregação do evangelho.

Agenda de leitura
Segunda - 1 Jo 3.7
O justo pratica a justiça
Terça - Pv 31.20
Abre a mão ao pobre
Quarta - Pv 22.22
Não roube ao pobre
Quinta - 2 Co 8.9
Cristo se fez pobre por amor de nós
Sexta - Sl 128.2
Comerás do teu trabalho
Sábado - Am 5.11
Denúncia profética

Objetivos
Conscientizar da importância de cuidar do pobre;
Entender a relação entre justiça social e profetismo bíblico;
Conhecer os princípios bíblicos sobre economia e desigualdade social.

Interação
A ação solidária e caridosa é uma das maneiras mais eficazes de demonstração da autenticidade e relevância da fé cristã. Apesar disso, há quem entenda que não é papel dos discípulos de Jesus combater a pobreza e as desigualdades sociais, por acreditar que somos salvos pela graça. Realmente, as obras não servem para a salvação (pois pela graça somos salvos), porém elas testificam a nova vida em Cristo. As obras de justiça e misericórdia exteriorizam a graça divina e revelam o amor depositado em nossos corações. Afinal, quem foi agraciado com as Boas-Novas, passa a ser um agente de boas obras. Por esse motivo, Tiago escreveu que a fé, sem as obras, é morta em si mesma (Tg 2.17).

Orientação Pedagógica
Prezado(a) professor(a), esperamos que você esteja motivado(a) para ensinar aos jovens alunos a respeito da pobreza e desigualdade social. Não deixe que o desânimo prejudique o ministério do ensino que Deus lhe confiou! Tenha em mente a advertência do apóstolo Paulo para a dedicação ao ensino (Rm 12.7).
Nesta aula, utilize o método do debate para proporcionar uma reflexão sadia entre os seus educandos. Divida a turma em grupos. Em seguida, peça para discutirem, dentro dos respectivos grupos, sobre os pontos a seguir. Abra, na sequência, o debate geral, com os demais grupos. Ouça as respostas e veja se os demais grupos concordam com as opiniões emitidas.

Há desigualdade social no Brasil?
Como a desigualdade social se expressa?
Você percebe alguma desigualdade na igreja local?
O que a Igreja deveria fazer diante da pobreza?
Em sua opinião, o que significa ajudar o necessitado?

Texto bíblico
Tiago 5.1-6
1 Eia, pois, agora vós, ricos, chorai e pranteai por vossas misérias, que sobre vós hão de vir.
2 As vossas riquezas estão apodrecidas, e as vossas vestes estão comidas da traça.
3 O vosso ouro e a vossa prata se enferrujaram; e a sua ferrugem dará testemunho contra vós e comerá como fogo a vossa carne. Entesourastes para os últimos dias.
4 Eis que o salário dos trabalhadores que ceifaram as vossas terras e que por vós foi diminuído clama; e os clamores dos que ceifaram entraram nos ouvidos do Senhor dos Exércitos.
5 Deliciosamente, vivestes sobre a terra, e vos deleitastes, e cevastes o vosso coração, como num dia de matança.
6 Condenastes e matastes o justo; ele não vos resistiu

COMENTÁRIO
INTRODUÇÃO
A desigualdade social e a pobreza são problemas sociais presentes em praticamente todos os países do mundo, mas principalmente nas nações em desenvolvimento do Sul Global, incluindo o Brasil. Aqui, milhares de famílias vivem em condição de miséria, cuja renda é insuficiente para suprir as necessidades básicas. Não há como viver indiferente a esta realidade calamitosa!
Diante disso, a presente lição demonstrará a importância da participação cristã nas obras sociais, como expressão de amor e misericórdia, e como os princípios bíblicos podem contribuir para a formação de uma sociedade livre, justa e produtiva.

I - A ASCENÇÃO ECONÔMICA E O CUIDADO COM O POBRE

1. A pobreza nas Escrituras. Nas Escrituras, o pobre é retratado como a pessoa necessitada, desamparada ou que se encontra em situação de miséria (Sl 37.25; 72.13; Lc 16.20; 1 Tm 5.5). A pobreza é um fenômeno complexo e vários fatores econômicos e sociais podem contribuir para que alguém chegue a esta condição, tais como: desastres naturais, dívidas, falta de emprego, política econômica inadequada e até mesmo a preguiça (Pv 19.15). Em todos os casos não é suficiente olhar para o pobre simplesmente a partir da situação social ou econômica imediata. Biblicamente, devemos compreender que vivemos em um mundo caído, e a pobreza, assim como a doença e a morte, resulta da rebelião do homem contra o Criador.

2. O pobre e o amor ao próximo. Enfaticamente, a Palavra destaca a importância do cuidado ao pobre, assim como denuncia a discriminação e a desonra contra as pessoas carentes (Tg 2.1-6). Tal se deve ao mandamento de amar o próximo como a nós mesmos (Mt 22.39) e do imperativo de demonstrarmos o resplendor das virtudes cristãs para a glória de Deus (Mt 5.16). Contudo, não encontramos nas Escrituras respaldo para a Teologia da Libertação, que centraliza na pobreza a ênfase do evangelho, e interpreta as Escrituras com base no sofrimento do oprimido. A teologia bíblica irradia graça para todos, sem distinção de classe social (Tt 2.11).
Igualmente, ainda que sejamos advertidos para não ajuntarmos tesouros na terra (Mt 6.19), e acerca dos perigos do amor ao dinheiro (1 Tm 6.7-10), não se pressupõe que os ricos tenham conquistado sua riqueza por meio desonesto. Tanto o rico quanto o pobre carecem da graça de Deus, e devem igualmente ser tratados com equidade (Êx 23.3,6).

3. Ascensão econômica e desigualdade social. Mesmo quando há ascensão econômica e melhores condições de vida, a desigualdade social e os grupos em situação abaixo da linha da pobreza persistem em existir. Isso porque, em razão dos efeitos do pecado, a Bíblia declara que "sempre haverá pobres na terra" (Mc 14.7). Todavia, longe de indicar uma postura de conformismo e indiferença, e servir como desculpa contra a ação social, tal afirmação deveria nos conduzir ao cuidado permanente dos necessitados, enquanto eles existirem (Rm 15.25, 26; Gl 2.10; 1 Jo 3.17). Somos apenas mordomos de Deus nesta terra; aquilo que possuímos, na verdade, pertence a Ele!   

Pense
"A evidência da graça divina é vista na pregação e no alívio das necessidades materiais dos pobres"
(Comentário Bíblico Pentecostal).

Ponto Importante
Biblicamente, devemos compreender que vivemos em um mundo caído, e a pobreza, assim como a doença e a morte, resulta da rebelião do homem contra o Criador. 

II - JUSTIÇA SOCIAL E PROFETISMO

1. Justiça social e igualdade. Fazer justiça é um aspecto vital do nosso viver diário. Justiça, no sentido ora empregado, não tem qualquer acepção ideológica ou político-partidária. Em termos bíblicos, a justiça social parte do pressuposto de que todas as pessoas devem ser tratadas com igual respeito e dignidade, possuindo os mesmos direitos e deveres na sociedade. Considerando que o homem foi criado à imagem de Deus (Gn 1.26), a injustiça (Sl 92.15) e a acepção de pessoas (Rm 2.11) são rejeitadas por Ele. Desde o Antigo Testamento, aliás, vemos o Senhor instruindo a nação de Israel para cuidar dos pobres e vulneráveis (Mq 6.8; Zc 7.9); por isso a Lei estabelecia uma série de disposições contra a opressão aos menos favorecidos (Êx 22.25; 23.6; 30.15; Lv 19.10).
A prática da justiça na sociedade é uma prova da justificação que recebemos em Cristo. É certo que as obras são incapazes de salvar o homem caído e  que as obras de misericórdia e justiça testificam a salvação alcançada pela graça. Tiago retratou fielmente essa verdade ao dizer que a fé, sem as obras, é morta em si mesma (Tg 2.17). Do crente, portanto, se espera a prática da justiça!
O espírito cristão de amor mútuo e caridade comum é uma marca do cristianismo ao longo da história.

2. Profetizando contra as injustiças. A função profética sobrepuja a tarefa de  transmitir mensagens de bênçãos da parte de Deus. Ela envolve também a denúncia do erro e a exortação contra as injustiças. Em outras palavras, o profetismo bíblico é abrangente, pois compreende, além do aspecto eminentemente religioso, as esferas econômicas e políticas. Profetas como Isaías, Jeremias, Miqueias e Zacarias falaram ousadamente contra a corrupção, exploração e as injustiças do seu tempo. Em um contexto difícil, Amós condenou o desprezo e a opressão dos poderosos em relação aos pobres, que eram pisados (Am 5.11) e vendidos ao preço de sandálias. Contra essa situação desumana e degradante, o profeta alçou a sua voz em defesa das pessoas carentes (Am 4.1,2).

3. Voz profética da Igreja.  A dimensão política do ministério profético permanece válida ainda hoje. Os cristãos são chamados a testemunhar publicamente acerca da justiça divina, ao tempo em que denunciam todo tipo de injustiça. A voz profética dos cristãos deve consolar e edificar, mas também precisa exortar (1 Co 14.3), apontando tanto os desvios morais quanto sociais, a partir das verdades bíblicas.

Pense
A Palavra de Deus condena aqueles que manipulam a economia para satisfazer os próprios interesses egoístas.
Ela também condena qualquer forma de maldade, como a cobiça, a indolência e o engano.

Ponto Importante
Profetas como Miqueias, Isaías e Jeremias falaram ousadamente contra a corrupção, exploração e as injustiças do seu tempo. 

III - A POLÍTICA ECONÔMICA E A DESIGUALDADE SOCIAL NO BRASIL

1. Desigualdade social no Brasil. O país em que vivemos é marcado pela desigualdade social. Enquanto existe enorme concentração de renda entre as pessoas mais ricas, milhões de pessoas vivem abaixo da linha da pobreza, em condições de miséria. É papel da política econômica de uma nação avaliar os fatores que provocam as distorções sociais, e criar leis e mecanismos que possibilitem uma sociedade mais produtiva e justa. A economia, portanto, é um elemento importante para a vida das pessoas e das instituições públicas. Por essa razão, considerando que os princípios que norteiam a economia são vitais para o desenvolvimento sustentável da comunidade, adotar uma visão econômica coerente e que considere adequadamente a natureza humana (especialmente o seu estado decaído) é essencial para a redução da pobreza.

2. Economia na perspectiva cristã. Embora a Bíblia não seja um livro de economia, ela contém relatos e princípios que nos fazem compreender a relação entre pobreza, riqueza, trabalho, desigualdade social e muitos outros temas da área econômica. Enquanto visão de mundo, o cristianismo considera todos os aspectos da vida humana, inclusive a dimensão econômica. Nesse sentido, encontramos nas Escrituras e na história da tradição cristã orientações suficientes para que a sociedade possa ser livre, próspera e justa.
Vejamos algumas dessas diretrizes: incentivo ao trabalho e repreensão à preguiça (Pv. 6.6-11), limitação da função do governo (1 Pe 2.13,14); condenação àqueles que manipulam a economia (Tg 5.1-6); proteção da propriedade privada (Êx 20.15); ênfase na liberdade responsável (1 Co 6.12; 8.9) e valorização do espírito comunitário de ajuda ao próximo, dentre outros.

3. Assistência e desenvolvimento. Mesmo no ambiente coletivo, a assistência às pessoas carentes é uma atitude vital de solidariedade. Embora o governo civil deva promover o bem, o que inclui programas de assistência social para atender às necessidades básicas dos cidadãos, não é recomendável criar uma cultura de assistencialismo que perpetue a condição da pobreza. É necessário focar no desenvolvimento, para que pessoas e famílias adquiram independência econômica e ganhem o pão do suor do próprio rosto (Gn 3.19).

Pense
"A fé deve nos mover em prol de boas ações, não para sermos salvos, mas para demonstrarmos que somos salvos, que nossa fé não é estática, e que Deus pode usar nossas ações para apresentar a fé pura e imaculada" (Silas Daniel).

Ponto Importante
Embora a Bíblia não seja um livro de economia, ela contém relatos e princípios que nos fazem compreender a relação entre pobreza, riqueza, trabalho, desigualdade social.

SUBSÍDIO
"As Escrituras condenam aqueles que manipulam a economia para satisfazer os próprios propósitos pecaminosos, tanto acumulando somente para si, como por outras formas de maldade, como cobiça, indolência e engano (Pv 3.27-28; 11.26; Tg 5.1-6). A justiça econômica condena aqueles que aumentam seus créditos, tirando vantagem dos que lhes devem; por outro lado, os que contraem dívida devem reembolsá-la (Êx 22.14; 2 Rs 4,1-7; Sl 37.21; Pv 22.7). O princípio subjacente é que a propriedade privada é um dom de Deus para ser usado com o propósito de estabelecer a justiça social e cuidar do pobre e do necessitado. O ladrão arrependido é orientado a não mais roubar, mas sim trabalhar com as mãos e assim ganhar o sustento e 'para que tenha o que repartir com o que tiver necessidade' (Ef 4.28, ênfase acrescentada). Poucos temas nas Escrituras se evidenciam de forma tão direta e clara do que as ordens de Deus para que nos preocupemos com os menos afortunados.  'Aprendei a fazer o bem', Deus brada, 'praticai o que é reto; ajudai o oprimido; fazei justiça ao órfão; tratai da causa das viúvas' (Is 1.17). Através do mesmo profeta, Deus anuncia que o verdadeiro jejum não é um ritual religioso vazio (Is  58.7). Jesus aprofunda nosso sentimento de responsabilidade, falando que ao ajudarmos o faminto, o desnudo, o doente e o encarcerado, estamos, na verdade, servindo-o (Mt 25.31-46)"(COLSON, C.; PEARCEY. E Agora, Como Viveremos? 2.ed., Rio de Janeiro: CPAD, 2000, pp. 454,455).

ESTANTE DO PROFESSOR
COELHO, Alexandre; DANIEL, Silas. Fé e Obras: Ensinos de Tiago para uma vida cristã autêntica. 1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2014.

CONCLUSÃO
Como percebemos nesta lição, o trabalho solidário da Igreja testifica a relevância da fé cristã diante dos homens, ao mesmo tempo em que dá credibilidade à pregação do Evangelho. Não podemos nos esquecer, porém de que Igreja, no sentido aqui empregado, não se resume à congregação local.  Individual ou coletivamente, cristãos regenerados são capazes de desenvolver obras sociais que expressem o amor e a misericórdia divina, a partir da igreja local.
Hora da revisão

Cite alguns fatores e sociais que podem levar alguém a essa condição:
Desastres naturais, dívidas, falta de emprego, política econômica inadequada e até mesmo preguiça.

Por que a Teologia da Libertação é equivocada?
Porque centraliza na pobreza a ênfase do evangelho, e interpreta as Escrituras com base no sofrimento do oprimido.

Quais profetas falaram ousadamente contra corrupção, exploração e injustiças?
Isaías, Jeremias, Miqueias e Zacarias.

Qual o papel da política econômica de uma nação?
Avaliar os fatores que provocam as distorções sociais, e criar leis e mecanismos que possibilitem uma sociedade mais produtiva e justa.

Quais orientações econômicas a Bíblia oferece?
Incentivo ao trabalho e repreensão à preguiça, limitação da função do governo; condenação àqueles que manipulam a economia; proteção da propriedade privada; ênfase na liberdade responsável e valorização do espírito comunitário de ajuda ao próximo, dentre outros.

Fonte: CPAD, Revista, Lições Bíblicas Jovens, professor, Seguidores de Cristo – Testemunhando numa Sociedade em Ruinas, Comentarista Valmir Nascimento, 4º trimestre 2017.