segunda-feira, 10 de abril de 2017

Lição 3 A LEI E A JUSTIÇA NO REINO



Lição 3 A LEI E A JUSTIÇA NO REINO
16 de abril de 2017

Texto do dia.
(Rm 10.4)
"Porque o fim da lei é Cristo para justiça de todo aquele que crê."

Síntese.
A postura de Jesus em relação à Lei ensina-nos como deve ser o comportamento de todo aquele que se tornou seu discípulo.  

Agenda de leitura
Segunda - Lc 16.17 A Lei cumprida integralmente
Terça - Mt 11.13; Lc 16.16 A duração da Lei
Quarta - Rm 13.10 O cumprimento da Lei
Quinta - Rm 13.8 Quem ama, cumpriu a Lei
Sexta - Rm 14.17 O que o Reino de Deus não é
Sábado - Rm 13.5 Obedecer pela consciência

Objetivos
ESCLARECER a validade atribuída por Jesus à Lei e a consideração que Ele tinha por ela;
SUBLINHAR a perspectiva de Cristo acerca da Lei e do exercício do ensino;
DISTINGUIR as três justiças que são abordadas pelo Mestre no Sermão do Monte.

Interação
Com propriedade já foi dito que saímos de uma época em que "tudo era pecado" e adentramos outra, bem pior, onde "nada é pecado". Não obstante, tais extremismos serem exemplificados pelo binômio "Lei X Graça", tal divisão não procede da Bíblia, e sim de uma banalização de ambos os conceitos. Somos habituados aos extremos, por isso, acabamos não entendendo que a Lei não servia para proporcionar salvação, mas para proteger a própria pessoa, de si e dos outros, normatizando a vida em sociedade, pois isto também agrada a Deus. De igual forma, com o primeiro advento de Cristo, não houve uma abertura permissiva como se vê agora, pelo fato de a salvação não ser mérito pessoal de ninguém, pudéssemos fazer o que bem entendemos. Quem foi alcançado pela graça de Deus sente-se constrangido a fazer as coisas certas, não para alcançar a salvação, mas justamente por ser salvo. No que se refere à postura de Jesus a respeito da Lei, não há nenhuma contradição, pois a legislação mosaica, por não ter sido integralmente cumprida por nenhum ser humano, receberia do Filho de Deus sua completude e acabamento, daí porque Ele afirmar que não veio para aboli-la, e sim cumpri-la.

Orientação Pedagógica
Na aula de hoje você terá oportunidade de abordar, no Tópico III, a importante questão dos três tipos de justiça ensinados no Sermão do Monte. A audiência de Jesus é composta por, no mínimo, três públicos distintos. É interessante que tal distinção seja feita, pois muita confusão ocorre por causa da falta de entendimento desta realidade. Uma vez que a "justiça do Reino" vai além das outras duas, é importante perguntar: A diferença é quantitativa ou qualitativa? Após esta inquirição inicial, apresente o quadro abaixo (de acordo com as suas possibilidades) e deixe bem claro as diferenças de abordagem do texto bíblico, dizendo que nas lições seguintes serão realizados os devidos desdobramentos.

Os três diferentes tipos de Justiça e seus respectivos públicos:
TEOLÓGICA – ESCRIBAS - 5.21-48
"PIEDOSA" – FARISEUS - 6.1-18
REINO – DISCÍPULOS - 6.19-7.27

Texto bíblico
Mateus 5.17-20
17 Não cuideis que vim destruir a lei ou os profetas; não vim ab-rogar, mas cumprir.
18 Porque em verdade vos digo que, até que o céu e a terra passem, nem um jota ou um til se omitirá da lei sem que tudo seja cumprido.
19 Qualquer, pois, que violar um destes menores mandamentos e assim ensinar aos homens será chamado o menor no Reino dos céus; aquele, porém, que os cumprir e ensinar será chamado grande no Reino dos céus.
20 Porque vos digo que, se a vossa justiça não exceder a dos escribas e fariseus, de modo nenhum entrareis no Reino dos céus.

COMENTÁRIO
INTRODUÇÃO
Muitos comentaristas e estudiosos da Bíblia afirmam que os quatro versículos do texto bíblico acima são os principais do Sermão do Monte, pois revelam a finalidade do ensinamento do Mestre. É importante observar que Jesus não desconsidera a Lei, mas afirma que veio completá-la. Ele ainda adverte para os perigos de se violar os mandamentos e ensiná-los de forma deturpada, mas também fala da honra de cumpri-los e ensiná-los corretamente. Ao final resta-nos, como discípulos dEle, o desafio de viver instruídos sob outra perspectiva, distinta da legalista e burocrática da religião. Na verdade, o desafio é assumir a perspectiva do Mestre que, disse Ele claramente, não veio fazer a sua vontade, mas a do Pai que o enviou (Jo 5.30).   

I - JESUS E SUA RELAÇÃO COM A LEI

1. Abolição ou completude da Lei. À crítica infundada dos mestres de Israel de que Jesus desfazia da Lei, o Filho de Deus respondeu que não veio abolir a Lei ou os Profetas, ou seja, desfazer esses textos e seus ensinamentos, antes, uma parte de sua missão era justamente completá-la (v.17 cf. Rm 10.4). "Completar" aqui nada tem com reparar, antes significa dar-lhe pleno cumprimento.

2. A validade da Lei. A afirmação do versículo 18 deve ser lida tendo em mente que o Mestre utilizava figuras de linguagem, entre elas a hipérbole, que consistia em exagerar na expressão de uma ideia para demonstrar o seu valor (Mt 19.24-26). Assim, o Mestre refere-se à passagem do céu e da Terra, bem como ao conteúdo da Lei, mencionando o jota, isto é, o yod que é a menor letra do alfabeto hebraico, e fala de um "til" que, no contexto do versículo, alude a um tracinho que, para nós, seria como uma vírgula; tudo para expressar o seu respeito pela Lei e também o quanto ela falava dEle (Lc 24.44).

3. Jesus e o cumprimento da Lei. É importante perceber que nos versículos 17 e 18, Jesus está falando de sua relação com a Lei. Dessa forma, Ele assinala que até mesmo o "céu e a terra passarão, mas [as suas] palavras não hão de passar" (Mt 24.35). Em outros termos, até que tudo que a Lei requer idealmente não tenha encontrado a sua plenitude definitiva, nada de escatológico acontecerá, nenhuma "transformação" deve ser esperada na Terra e muito menos no céu.

Pense
De que forma o Senhor Jesus "completou" a Lei?

Ponto Importante
Tendo Jesus Cristo cumprido toda a Lei, resta-nos saber qual deve ser o nosso relacionamento com ela.

II - ENSINO E RECONHECIMENTO

1. A Lei na perspectiva de Cristo. No versículo 19, o Mestre antecipa a responsabilidade que cada discípulo deve ter no que diz respeito à ressignificação que Ele dará à Lei. Todos os "mandamentos" a que o Senhor se referiu deverão ser observados a exemplo dos grandes princípios que Ele extraiu de cinco dos mandamentos, demonstrando com isso que obedecer a Deus vai muito além da observância mecânica de regras (vv.21-48).  

2. "Maior" e "menor" no Reino. O Senhor utiliza uma linguagem corrente entre os discípulos para despertar a atenção (Mt 18.1-4; Mc 9.33,34; Lc 9.46). Comparando esse texto com os ensinamentos do Mestre em outras oportunidades, é perceptível que Ele não apoia qualquer tipo de disputa que resulte em distinção entre as pessoas (Jo 17.20.23).

3. O ensino no contexto do Sermão do Monte. A ideia de que o ensino pode ser meramente teórico e sem implicações práticas na vida das pessoas parece estranha na perspectiva e no contexto do Sermão do Monte. O Mestre fala de pessoas que "violam", ou transgridem, e ensinam os outros a fazer o mesmo através de sua prática e também da teoria. De igual forma, Ele destaca a posição dos que praticam corretamente e assim também instruem os outros a fazer o mesmo (v.19).

Pense
O que você acha de alguém que ensina corretamente e age de maneira errada? E vice-versa?

Ponto Importante
É imprescindível entender que Jesus utiliza figuras de linguagem e lança mão de expressões e costumes de sua época para ensinar grandes lições. 

III - A JUSTIÇA NA PERSPECTIVA DO REINO

1. O ensino fundamental do Sermão do Monte. A expressão "justiça", utilizada por Jesus no versículo 20, só pode ser plenamente entendida à luz dos princípios que serão expostos na sequência (vv.21-48). Entretanto, fica subentendido que ela significa algo como a motivação íntima que orienta cada um a fazer aquilo que é certo ou que se julga correto. A mesma expressão, e com o mesmo significado, pode ser encontrada em outras partes desse mesmo Evangelho (Mt 3.15; 5.6,10; 6.33; 21.32). 

2. Ultrapassando a "justiça farisaica". A justiça dos discípulos deve ultrapassar a dos escribas e fariseus, ou seja, eles devem ter motivos mais nobres para observar os princípios, ou mandamentos, da Palavra de Deus. A motivação para se viver corretamente não pode vir de qualquer desejo de ser premiado e nem por medo algum de ser punido. Tampouco a referência de Jesus diz respeito à quantidade, antes, tem a ver com o aspecto qualitativo com que se obedece, isto é, com a disposição correta do coração (cf. Mt 7.15-23).

3. Três tipos de justiça: teológica, "piedosa" e do Reino. Apesar de parecer estar em pé de igualdade, escribas e fariseus são dois grupos distintos: os primeiros são os "teólogos" da época, intérpretes autorizados da Lei; ao passo que os segundos, são leigos piedosos, provenientes de todas as camadas sociais. Assim, para ambos os grupos há diferentes espécies de "justiça". A dos escribas será contrastada nos versículos 21 a 48. Já a dos fariseus será objeto de análise do Mestre no capítulo 6, versículos 1 a 18. Finalmente, o último tipo de justiça, a do Reino, e, portanto, dos discípulos, vai do capítulo 6, versículo 19 até o capítulo 7, versículo 27.

Pense
É possível agir corretamente mesmo que as motivações sejam erradas?

Ponto Importante
O discípulo, ou cidadão do Reino, não pode viver instruído por motivações de prêmio ou de castigo

“A justiça dos discípulos deve ultrapassar a dos escribas e fariseus, ou seja, eles devem ter motivos mais nobres para observar os princípios, ou mandamentos”.

SUBSÍDIO 1
"Jesus É o Cumprimento da Lei (5.17-48)
Os oponentes de Jesus o criticavam por não guardar as minúcias das observâncias tradicionais da lei judaica. Aqui Jesus deixa claro que Ele não está ausente para destruir a lei, mas para cumpri-la e até intensificá-la. Ele fixa padrões mais altos. Seu principal interesse é a razão de a lei existir; Ele insiste que guardar a lei começa com a atitude do coração. Por este princípio Jesus afirma simultaneamente o valor das pessoas e da lei. Neste aspecto Ele cumpre a lei antecipada por Jeremias: 'Porei a minha lei no seu interior e a escreverei no seu coração; e eu serei o seu Deus, e eles serão o meu povo' (Jr 31.33b).
Como sucessor de Moisés, Jesus dá a palavra final na lei. Mas o que Ele quer dizer quando fala que cumpre a lei? Não significa que Ele simplesmente a observa. Nem quer dizer que Ele anulou o Antigo Testamento e as leis (como sugerido por Márcion e os hereges gnósticos). A obra de Jesus e sua Igreja está firmemente arraigada na história de salvação. Em certo sentido, Jesus deu à lei uma expressão mais plena, e em outro, transcendeu a lei, visto que Ele se tornou a corporificação do seu cumprimento. Mateus vê o cumprimento da lei em Jesus semelhantemente ao cumprimento da profecia do Antigo Testamento: O novo é como o velho, mas o novo é maior que o velho. Não só o novo cumpre o velho, mas o transcende. Jesus e a lei do novo Reino são o intento, destino e meta final da lei" (ARRINGTON, French L.; STRONSTAD, Roger (Eds.). Comentário Bíblico Pentecostal: Novo Testamento. 2.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2004, p.44).

SUBSÍDIO 2
"O Princípio Básico (5.17-20)
Note o fraseado enfático de Jesus em não abolir a lei (Mt 5.18). A expressão 'em verdade vos digo que' aparece no começo das declarações mais enfáticas de Jesus. Esta palavra grega (amen) é a transliteração para o grego da palavra hebraica que Jesus falou, e é linguagem cristã especializada, denotando afirmação sagrada. Jesus assevera que nem um jota, a menor letra, nem uma serifa ou adorno numa letra, de nenhuma maneira passará até que tudo se cumpra.
Parece que a maneira na qual Jesus cumpre a lei varia de acordo com o tipo da lei. Muitas leis rituais foram completadas no sacrifício de Jesus (cf. a carta aos Hebreus) e então já não precisam ser observadas. O próprio Jesus considerou as leis dietéticas cumpridas, uma vez que a corrupção vem do coração (Mc 7.18,19; At 10.10-16; Gl 2.11-14). Outras leis são cumpridas na reinterpretação e reaplicação de Jesus no espírito de uma lei internalizada profundamente sentida, como ocorre nas interpretações revolucionárias que Ele dá da antiga lei apresentada nas seções seguintes de Mateus 5.
A pressuposição de que Jesus estava perpetuando o mero legalismo e elevando o lance legalista evapora-se no calor da advertência de Jesus encontrada no versículo 20: 'Porque vos digo que, se a vossa justiça não exceder a dos escribas e fariseus, de modo nenhum entrarei no Reino dos céus'. A questão era a qualidade e fim da lei, e não sua quantidade" (ARRINGTON, French L.; STRONSTAD, Roger (Eds.). Comentário Bíblico Pentecostal: Novo Testamento. 2.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2004, pp.44-45).

ESTANTE DO PROFESSOR
ROBERTSON, A. T. Comentário Mateus & Marcos. 1 ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2011.

CONCLUSÃO
Mateus revela Jesus como Mestre da Palavra e da ação. Enquanto no Sermão do Monte Jesus é o ensinador da Palavra, nos capítulos seguintes Ele aparece curando e libertando pessoas. Além disso, o Mestre cumpriu a "justiça" tal como ensinava os seus seguidores a cumprir (Mt 3.15), deixando um grande exemplo de harmonia e coerência entre discurso e ação (Lc 24.19).

Hora da revisão.

O que Jesus quis dizer quando falou que veio "cumprir a Lei"?
Ele veio completá-la, isto é, dar-lhe pleno cumprimento.

Por que o Mestre utiliza as expressões "maior" e "menor"?
Para despertar a atenção dos discípulos cuja linguagem corrente era esta.

O que significa justiça no contexto do Sermão do Monte?
Significa algo como a motivação íntima que orienta cada um a fazer aquilo que é certo ou que se julga correto.

Qual deve ser a motivação para se fazer o que é certo e agir corretamente?
A motivação para se viver corretamente não pode vir de qualquer desejo de ser premiado e nem por medo algum de ser punido.

Jesus falou de justiça na perspectiva do Reino, porque havia outros tipos. Cite os três tipos de justiça.
A dos escribas, a dos fariseus e a do Reino.

Fonte: CPAD, Revista, Lições Bíblicas Jovens, professor, O Sermão do Monte – A Justiça sob a Ótica de Jesus, Comentarista César Moisés Carvalho, 2º trimestre 2017.

segunda-feira, 3 de abril de 2017

Lição 2 Abel, Exemplo de Caráter que Agrada a Deus



Lição 2 Abel, Exemplo de Caráter que Agrada a Deus
9  de  Abril  de 2017

TEXTO ÁUREO
(Hb 11.4)
"Pela fé, Abel ofereceu a Deus maior sacrifício do que Caim, pelo qual alcançou testemunho de que era justo, dando Deus testemunho dos seus dons, e, por ela, depois de morto, ainda fala."

VERDADE PRÁTICA
O cristão deve viver de forma que agrade a Deus, ainda que sofra por causa disso.

LEITURA DIÁRIA
Segunda - Gn 4.1,2 Abel, o segundo filho de Adão e Eva
Terça - Gn 4.2 Abel, o primeiro pastor de ovelhas
Quarta - Hb 11.4 Abel, um caráter de fé viva
Quinta - Mt 23.35 Abel, um caráter justo e santo
Sexta - Gn 4.4 Abel, um caráter liberal para ofertar
Sábado - Gn 4.8 Abel, morto por seu próprio irmão

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE
Gênesis 4.8-16
8 - E falou Caim com o seu irmão Abel; e sucedeu que, estando eles no campo, se levantou Caim contra o seu irmão Abel e o matou.
9 - E disse o SENHOR a Caim: Onde está Abel, teu irmão? E ele disse: Não sei; sou eu guardador do meu irmão?
10 - E disse Deus: Que fizeste? A voz do sangue do teu irmão clama a mim desde a terra.
11 - E agora maldito és tu desde a terra, que abriu a sua boca para receber da tua mão o sangue do teu irmão.
12 - Quando lavrares a terra, não te dará mais a sua força; fugitivo e errante serás na terra.
13 - Então, disse Caim ao SENHOR: É maior a minha maldade que a que possa ser perdoada.
14 - Eis que hoje me lanças da face da terra, e da tua face me esconderei; e serei fugitivo e errante na terra, e será que todo aquele que me achar me matará.
15 - O SENHOR, porém, disse-lhe: Portanto, qualquer que matar a Caim sete vezes será castigado. E pôs o SENHOR um sinal em Caim, para que não o ferisse qualquer que o achasse.
16 - E saiu Caim de diante da face do SENHOR e habitou na terra de Node, da banda do oriente do Éden.

OBJETIVO GERAL
Apresentar Abel como exemplo de caráter que agrade a Deus.

HINOS SUGERIDOS: 75, 400, 440 da Harpa Cristã

OBJETIVOS ESPECÍFICOS
Abaixo, os objetivos específicos referem-se ao que o professor deve atingir em cada tópico. Por exemplo, o objetivo I refere-se ao tópico I com os seus respectivos subtópicos.

Reconhecer o valor da oferta de Abel;
Mostrar a injustiça de Caim contra Abel;
Explicar porque Abel foi um homem que agradou a Deus. 

INTERAGINDO COM O PROFESSOR
Abel tinha um caráter justo, oposto ao do seu irmão Caim. Adão e Eva devem ter dado a mesma educação aos dois filhos, todavia o ensino dos pais não foi e não é suficiente para moldar o caráter dos filhos. O ensino e o exemplo dos pais são importantes para a formação de um caráter saudável, mas somente Jesus pode transformar o verdadeiro eu, a nossa natureza adâmica. Caim  tinha um coração mau, dominado pelo ódio e pela inveja, por isso, teve o seu sacrifício rejeitado. Deus não olhou e não olha para a oferta em si, porque o mais importante é o coração, o caráter do ofertante. Por isso, Jesus declarou: "Portanto, se trouxeres a tua oferta ao altar e aí te lembrares de que teu irmão tem alguma coisa contra ti, deixa ali diante do altar a tua oferta, e vai reconciliar-te primeiro com teu irmão, e depois vem, e apresenta a tua oferta" (Mt 5.23,24). Jamais poderemos comprar a Deus ou impressioná-lo com as nossas ofertas, pois tudo que existe nos céus e na Terra pertence a Ele. O Senhor não deseja apenas a nossa oferta, Ele almeja ser o primeiro em nossos corações. Somente quando Ele tem o primeiro lugar pode-nos transformar e fazer de nós pessoas melhores, cujo caráter revele a sua glória.

COMENTÁRIO

INTRODUÇÃO
Nesta lição, estudaremos o caráter de Abel, o segundo filho de Adão e Eva. Abel nasceu depois da Queda e, com certeza, conhecia a vontade de Deus para a humanidade. Veremos que Abel tinha um caráter espiritual e digno. Conduzia-se de modo correto, demonstrando ter um relacionamento saudável com Deus e um coração bondoso, por isso, sua oferta foi aceita pelo Senhor. 

PONTO CENTRAL
Abel é um exemplo de caráter justo que agrade a Deus

I - A OFERTA DE ABEL

1. Uma oferta agradável a Deus. Deus não atenta para o valor da oferta, mas para o coração do ofertante, sua real intenção. A oferta de Abel foi aceita pelo Senhor porque seu coração era sincero e cheio de amor. Suas obras eram justas (Hb 11.4). Ele era um homem íntegro e fiel. Deus dá muito valor à integridade do coração, por isso, Ele elogiou Jó perante Satanás, dizendo: "[...] Porque ninguém há na terra semelhante a ele, homem sincero, e reto, e temente a Deus, e desviando-se do mal" (Jó 1.8). A oferta só tem valor quando expressa o que está no íntimo de quem a oferece. A oferta de Abel foi agradável porque ele adorava a Deus "em espírito e em verdade" (Jo 4.24).

2. Uma oferta profética. Talvez a oferta de Abel tenha sido o primeiro sacrifício de animal a ser oferecido a Deus em forma de gratidão ao Senhor. Abel sentiu o desejo de oferecer o que tinha de melhor de seu trabalho em gratidão a Deus. A morte do cordeiro ou de uma ovelha, dos primogênitos do rebanho de Abel, sem dúvida prefigurava o sacrifício de Cristo, que se ofereceu a si mesmo imaculado em nosso lugar (Hb 9.14), como o "Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo" (Jo 1.29).

3. Uma oferta valiosa. Abel adorou a Deus oferecendo o melhor de seu rebanho. Ele não ofereceu um sacrifício qualquer, mas dentre os primogênitos do seu rebanho: "E Abel também trouxe dos primogênitos das suas ovelhas e da sua gordura; e atentou o SENHOR para Abel e para a sua oferta" (Gn 4.4). Notemos que Deus atentou primeiro "para Abel" e, depois, "para a sua oferta". "Pela fé, Abel ofereceu a Deus maior sacrifício do que Caim, pelo qual alcançou testemunho de que era justo, dando Deus testemunho dos seus dons, e, por ela, depois de morto, ainda fala" (Hb 11.4). Foi tão grande o valor da oferta de Abel que "por ela, depois de morto, ainda fala"! Jesus deu testemunho de Abel, considerando-o "o justo" (Mt 23.35). Tal declaração, feita por Jesus, demonstra quão elevado era o caráter santo de Abel. Somente o sangue de Cristo foi considerado o que "fala melhor que "o de Abel" (Hb 12.24).

SÍNTESE DO TÓPICO I
Deus se agradou da oferta de Abel.

SUBSÍDIO TEOLÓGICO
"A história dos primeiros dois rapazes nascidos a Adão e Eva realça as repercussões do pecado dentro da unidade familiar. Caim e Abel tinham temperamentos notavelmente opostos. Caim gostava de trabalhar com plantas. Abel gostava de estar com animais. Ambos tinham uma disposição de espírito religioso.
Os filhos de Adão levaram sacrifícios ao Senhor, o primeiro incidente sacrificial registrado na Bíblia. Que Abel também trouxe dos primogênitos das suas ovelhas e da gordura não quer dizer necessariamente que animais são superiores a plantas para propósitos sacrificiais. Por que atentou o Senhor para Abel e para a sua oferta fica evidente à medida que a história se desenrola. A primeira pista aparece quase imediatamente. Caim não suportava que algum outro ficasse em primeiro lugar. A preferência do Senhor por Abel encheu Caim de raiva. Só Caim podia ser o 'número um'.
O Senhor não estava ausente na hora da adoração. Ele abordou Caim e lhe deu um aviso. Deus não o condenou diretamente, mas por meio de um jogo de palavras informou Caim que ele estava em real perigo. Em hebraico, a palavra aceitação é, literalmente, levantamento, e está em contraste com descaiu. Um olhar abatido não é companhia adequada de uma consciência pura ou de uma ação correta. O ímpeto das perguntas de Deus era levar Caim à introspecção e ao arrependimento" (Comentário Bíblico Beacon. 1ed. Vol. I. Rio de Janeiro: CPAD, 2005, p. 43).

CONHEÇA MAIS
*Abel
"Ele tornou-se o modelo de um mártir que sofre por sua fé (Mt 23.35). Foi honrado por Jesus e aparece na galeria dos heróis da fé (Hb 11.4). Embora sua oferenda fosse superior à de Caim, era inferior à de Jesus Cristo (Hb 12.24). Pode ser dito a respeito dele que foi o primeiro pastor, o primeiro homem justo. Ele foi vítima da mesma espécie de ciúme insano que tirou a vida de Jesus.
Abel, "pardo" é um termo que compõe vários outros nomes de lugares, como, por exemplo, Abel-maim". Para conhecer mais leia, Dicionário Bíblico Wycliffe, CPAD, p. 3.

II - A INJUSTIÇA CONTRA ABEL

1. Abel era um homem justo. "Pela fé, Abel ofereceu a Deus maior sacrifício do que Caim, pelo qual alcançou testemunho de que era justo" (Hb 11.4; Mt 23.35). Em toda a sua vida, demonstrou ser homem de bem, que andava em retidão, de caráter ilibado e reconhecido por Deus. Abel representa a parte da humanidade que se volta para Deus, e é formada de homens justos. Caim representa a parte má da humanidade, que dá as costas para Deus e busca os seus próprios interesses. Abel era justo, e morreu injustamente por permissão de Deus.

2. Abel, o primeiro mártir. Abel foi o primeiro pastor de ovelhas; o primeiro a oferecer sacrifício de animais no culto a Deus; foi o primeiro homem justo e também o primeiro mártir. Sua morte foi a primeira em consequência do pecado dos seus pais. O primeiro homem a ser morto por seu próprio irmão. Ele foi o primeiro a entrar para a galeria dos mártires por causa de sua fé e também o primeiro a ter seu nome registrado na galeria dos heróis da fé (Hb 11.4). Jesus foi morto por inveja: "Porque ele bem sabia que, por inveja, os principais dos sacerdotes o tinham entregado" (Mc 15.10). Da mesma forma que Jesus, Abel foi morto por inveja. Seu irmão ficou irado pelo fato de Deus ter aceitado a oferta de Abel. Tomado de ódio, assassinou friamente o seu irmão, sem lhe dar chance de defesa. Hoje, seu crime seria considerado homicídio qualificado, com dolo, por motivo torpe.

3. O sangue de Abel. Quando Caim matou Abel, o enterrou para não ter seu crime descoberto. Mas, para  Deus que tudo vê (Gn 16.13), nada pode ficar em oculto. Jesus disse: "Porque nada há encoberto que não haja de ser manifesto; e nada se faz para ficar oculto, mas para ser descoberto" (Mc 4.22). Ao longo da história crimes foram cometidos em oculto. Mas, no Juízo Final, os "Cains" de todos os tempos serão confrontados pelo Supremo Juiz do Universo. "E disse o Senhor a Caim: Onde está Abel, teu irmão? E ele disse: Não sei; sou eu guardador do meu irmão?" (Gn 4.9). Caim teve a audácia de mentir diante de Deus e ainda de o afrontar sobre a guarda do irmão. Mas o Criador o inquiriu gravemente e declarou a sentença de juízo e maldição contra o criminoso: "E disse Deus: Que fizeste? A voz do sangue do teu irmão clama a mim desde a terra" (Gn 4.10). Onde houve um crime de morte, um assassinato, o sangue clama. Clama por justiça. O sangue de Abel clamava por justiça e por vingança, diferente do sangue de Cristo, que clamava por perdão.

SÍNTESE DO TÓPICO II
É através de suas ações que o cristão evidencia o caráter de Cristo em sua vida.

SUBSÍDIO DIDÁTICO
Professor, reproduza o quadro abaixo. Utilize-o para ressaltar as características de Abel e as lições que podemos extrair de sua vida e conduta. Mostre que embora os dois irmãos tenham tido a mesma criação, o coração de Caim era mau. A educação dos pais é importante para a formação do caráter cristão, mas não é fator determinante, pois temos livre-arbítrio para fazermos escolhas, ainda que erradas, como fez Caim.

III - UM HOMEM QUE AGRADOU A DEUS

1.Abel soube agradar a Deus. Certamente, Adão e Eva criaram seus filhos, na perspectiva de serem servos de Deus. Eles tiveram não só Caim e Abel, mas muitos filhos e filhas (Gn 5.1-5). O episódio envolvendo Caim e Abel é o mais destacado, na história de Adão depois da Queda.

2. Abel, buscou a Deus. O relato bíblico nos autoriza dizer que Abel buscou a Deus com mais afinco e amor. E entendeu que seu sacrifício deveria ser do melhor do que possuía. Que Deus nos guarde, e nos dê sabedoria e amor para oferecermos sempre "sacrifício de louvor" (Sl 50.14). Um louvor que custe devoção, sinceridade, santidade, no altar da adoração a Deus.

3. Caim agradou ao Diabo. Seu caráter foi deformado porque ele deu lugar ao Diabo. Encheu-se de inveja, quando percebeu que Deus aceitara o sacrifício do irmão e não o seu. A inveja é tão prejudicial que provoca "podridão dos ossos" (Pv 14.30). A ira, por sua vez, é um sentimento carnal que se transforma em ódio, agressão e crime. É um sentimento perigoso e destrutivo: "Porque a ira destrói o louco; e o zelo mata o tolo" (Jó 5.2). Ao invés de buscar a Deus, Caim deu lugar ao maligno. "Não como Caim, que era do maligno e matou a seu irmão. E por que causa o matou? Porque as suas obras eram más, e as de seu irmão, justas" (1 Jo 3.12).

SÍNTESE DO TÓPICO III
Abel foi um homem que agradou a Deus.

SUBSÍDIO TEOLÓGICO
"A frutificação espiritual segue o mesmo princípio da frutificação que está revelado no primeiro capítulo de Gênesis (Gn 1.11). 'João Batista, precursor do Messias, exigiu dos seus convertidos: 'Produzi, pois, frutos dignos de arrependimento' (Mt 3.8). Em João 15.1-16, Jesus enfatizou este princípio deixando claro aos seus seguidores que para darem fruto exuberante para Deus, necessário é que antes cresçam em Cristo e nisso perseverem seguindo os ensinos da Palavra de Deus. Boas condições de crescimento e desenvolvimento da planta no reino vegetal, sem esquecer da boa saúde da semente e do meio ambiente ideal e da limpeza, são elementos indispensáveis para a boa frutificação. É também o que ocorre no reino espiritual, na vida do crente, na Igreja, para que haja em todos nós fruto abundante para Deus" (GILBERTO, Antonio. O Fruto do Espírito: A plenitude de Cristo na vida do crente. 1.ed.Rio de Janeiro: CPAD, 2004, p. 17).

CONCLUSÃO
A humanidade começou mal, com a desobediência dos primeiros habitantes da Terra. Adão pecou, pois desobedeceu a Deus dando ouvidos ao Diabo. Toda a tragédia humana decorre daquele gesto de desobediência. Caim, o primogênito, preferiu desobedecer ao Criador. Seu irmão, Abel, pelo contrário, optou dedicar-se a adorar a Deus, oferecendo o melhor do seu trabalho.

PARA REFLETIR
A respeito de Abel, exemplo de caráter que agrada a Deus, responda:

Por que Caim matou Abel?
"Porque as suas obras eram más, e as de seu irmão, justas".

Deus se importa com o valor da oferta?
Não. Ele olha para o coração do ofertante.

Quando a oferta tem valor diante de Deus?
Quando expressa o que está no íntimo de quem a oferece.

Que parte da humanidade Abel representa?
A parte da humanidade que se volta para Deus.

Que parte da humanidade Caim representa?
A parte má da humanidade que dá as costas para Deus.


CONSULTE
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Guia do Leitor da Bíblia
Um guia com informações e análise de cada capítulo da Bíblia.

Fonte: CPAD, Revista, Lições Bíblicas Adultos, professor, O Caráter do Cristão – Moldado pela Palavra de Deus e provado como ouro, Comentarista Elinaldo Renovato, 2º trimestre 2017.