segunda-feira, 3 de abril de 2017

Lição 2 SAL DA TERRA E LUZ DO MUNDO



Lição 2 SAL DA TERRA E LUZ DO MUNDO
09 de abril de 2017

Texto do dia
(Lc 6.43)
"Porque não há boa árvore que dê mau fruto, nem má árvore que dê bom fruto."

Síntese
O que realmente somos acaba sendo revelado pelas nossas atitudes, por isso, é importante que nos comportemos de modo a glorificar a Deus.

Agenda de leitura
Segunda - 1 Tm 4.12 Sendo exemplo na juventude
Terça - Gn 41.38 Um jovem exemplar
Quarta - Tt 2.7 Ser exemplo em tudo
Quinta - 1 Pe 5.3 A liderança deve dar o exemplo
Sexta - 1 Ts 1.6,7 Uma igreja exemplar
Sábado - Jo 13.13-15 O maior exemplo

Objetivos
RELACIONAR a salinidade do cloreto de sódio com a influência do crente;
EXPLICAR com a ajuda da figura da luz, como é possível ser notado e ao mesmo tempo ser discreto;
RESSALTAR a importância do exemplo como forma eficaz de pregar o evangelho.

Interação
Grande parte do tema do Sermão do Monte pertence claramente ao campo da teologia prática. O assunto principal não tem conotação transcendental, por assim dizer, mas trata de questões referentes ao caráter e ao comportamento de todo aquele que é discípulo de Cristo. Um novo estilo de vida é delineado pelo Mestre no seu célebre Sermão. Uma forma de viver que colide com os interesses materialistas, políticos, religiosos e egoístas que nos são ensinados desde a mais tenra idade. O choque gerado pela proposta de tal estilo de vida, não ficou no passado, pois nos dias atuais ele é ainda maior, visto que não somos ensinados a ver os valores do Reino de Deus como algo a ser acolhido, mas evitado. Em tempos de superexposição, sobretudo através das redes sociais, a mania é passar uma imagem irreal de si visando impressionar estranhos e conhecidos. Um discurso que prega a discrição e a influência através do exemplo sincero, não é apenas desafiador como, na ótica mundana, retrógrado e fora do seu tempo. Não obstante, vamos aprender que é dessa forma que o Mestre viveu e ensinou-nos a viver.

Orientação Pedagógica
Inicie a aula de hoje falando a respeito do conceito de "essencial". Essencial refere-se a tudo aquilo que é necessário, imprescindível, indispensável e que, portanto, não pode ser ignorado. Fale acerca da alimentação, destacando a questão do sabor. A fim de exemplificar, mencione o principal elemento que proporciona sabor aos alimentos das refeições principais. Poucos alimentos, sejam de origem vegetal ou animal, possuem um sabor que dispensa o uso do sal. É, porém, curioso o fato de que o sal só é bom quando sua presença não é "notada", isto é, quando o alimento não está salgado acima do tolerável e nem sem sal algum. Portanto, na medida certa, o sal deve estar presente em quantidade apropriada, pois no saleiro ele não faz efeito algum e em demasia torna-se motivo de rejeição da comida e causa até mesmo doenças. De igual forma, fale brevemente sobre a essencialidade da luz. Assim como o sal, ela não serve para que a contemplemos diretamente, mas para iluminar o ambiente, fazendo com que vejamos tudo à nossa volta facilitando a execução das tarefas. Nem precisa dizer o quanto sua falta é altamente danosa. Encerre esse período inicial de "quebra-gelo" dizendo que Jesus comparou os filhos do Reino, seus discípulos, ao sal da Terra e à luz do mundo.

Texto bíblico
Mateus 5.13-16
13 Vós sois o sal da terra; e, se o sal for insípido, com que se há de salgar? Para nada mais presta, senão para se lançar fora e ser pisado pelos homens.
14 Vós sois a luz do mundo; não se pode esconder uma cidade edificada sobre um monte;
15 nem se acende a candeia e se coloca debaixo do alqueire, mas, no velador, e dá luz a todos que estão na casa.
16 Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem o vosso Pai, que está nos céus.

COMENTÁRIO
INTRODUÇÃO
Após afirmar aos seus discípulos que eles, por terem aceitado o seu chamado, eram felizes por estar em situações (e/ou condições) indesejáveis e de fraqueza perante a lógica mundana, Jesus passa agora a incentivá-los a assumir suas vocações. Ele o faz utilizando dois elementos imprescindíveis à vida e conhecidíssimos por todos: o sal e a luz. Tal como os discípulos, por timidez ou por qualquer outra razão, muitas vezes somos impelidos a fugir da nossa tarefa. Contudo, o Mestre nos exorta a assumir nossa verdadeira natureza levando as pessoas sem Deus a glorificá-lo por causa da nossa ação transformadora no mundo.

I - INSIPIDEZ E SALINIDADE

1. O sal da Terra. Na condição de seguidores de Jesus, os discípulos perderam o "prestígio" da sociedade religiosa de sua época (Jo 12.42,43), visto que aderiram ao "movimento de um homem só", que não pretendia nada a não ser a salvação das pessoas (Mt 18.11). Por isso mesmo, na condição de "pobres de espírito", aflitos, mansos, injustiçados, misericordiosos, puros, pacificadores, perseguidos e, como foi previsto, futuramente caluniados e, consequentemente, presos, era preciso que eles entendessem não apenas a felicidade verdadeira que tal situação proporcionava, mas também o que agora lhes cabia (Mt 5.3-12). Nesse momento o Mestre não diz para os discípulos "serem", mas afirma que eles "são" o sal da Terra, ou seja, do planeta inteiro, o "sal de toda a Terra" (v.13).

2. A insipidez da salinidade. Sabe-se que o sal é uma substância extraída do mar e precisa passar por um processo de "beneficiamento" para, só então, ser utilizado domesticamente. Diz-se que em função de uma má conservação ou manipulação, o cloreto de sódio pode tornar-se imprestável. Não obstante, este não era o caso aludido pelo Mestre. Tratava-se de uma pergunta praticamente retórica e inimaginável (Mc 9.50). Como a salinidade pode tornar-se insipidez ou insossa? (v.13) Como deixar de assumir o que se é, tornando-se algo que contraria a sua natureza?

3. O desprezo público. Caso isso viesse acontecer, o resultado não poderia ser outro. Um sal que não salgasse certamente não serviria para mais nada, pois deixaria de ser o que ele é. Lamentavelmente, ele teria de ser lançado fora, jogado no lixo (Lc 14.34,35).

Pense
Hoje, o sal é até mesmo colorido e serve para se fazer algumas decorações. Porém, a sua função primária é salgar, dar sabor aos alimentos. O que seria da humanidade se caso o cloreto de sódio não viesse mais a salgar?

Ponto Importante
A razão de ser de todas as coisas consiste em cumprir sua função. Quando tal função, ou objetivo, não é cumprida, o que pode ocorrer é o desprezo e a substituição.


II - DISCRIÇÃO E NOTORIEDADE

1. A luz do mundo. Em seu ensino, Jesus utiliza outro elemento imprescindível ao ser humano - a luz (v.14). Novamente Ele é afirmativo: "Vós sois". Se o são, não há como fugir, é preciso cumprir a função que cabe ao que se é. Luz serve para iluminar, e deve cumprir essa função (Fp 2.15). 

2. Discrição e notoriedade. Se uma cidade foi construída sobre um monte, torna-se impossível escondê-la, pois no período noturno, os seus habitantes acenderão as luzes e todos contemplarão, ao longe, a cidade (v.14). É impossível querer esconder-se ou ser "discreta" se foi erigida sobre um lugar alto.

3. Fora de lugar. Jesus especifica ainda mais seu exemplo e diz que ninguém, obviamente que em sã consciência, acende uma lâmpada e a coloca debaixo da mesa ou sob um balde. Antes, a lâmpada é colocada em um local apropriado, geralmente no teto, para que sua iluminação seja distribuída em todo o ambiente (v.15).

Pense
A discrição é sempre bem-vinda. No entanto, a omissão é terminantemente desaconselhada, pois traz incontáveis problemas a quem depende de uma atitude por parte do omisso. 

Ponto Importante
Adorar a Deus é uma das maiores oportunidades que o ser humano tem de reconhecer o senhorio do seu Criador e Senhor.

III - EXEMPLO E CLARIDADE

1. O exemplo como luz. O Mestre encerra o seu ensino acerca desse aspecto dizendo que assim como a luz produz claridade e proporciona visibilidade aos da casa, os discípulos devem mostrar-se à sociedade a fim de que as pessoas contemplem suas ações e "vejam", ou seja, enxerguem a realidade através deles (v.16).

2. Boas obras. Da mesma forma que a luz gera luminosidade, dos discípulos se espera boas obras, bons exemplos, pois este é o resultado natural de quem agora eles são (Ef 2.10). Conforme ensinou o Mestre, "não há boa árvore que dê mau fruto, nem má árvore que dê bom fruto" (Lc 6.43).

3. Glorificação de Deus. Sendo luz, ou seja, produzindo claridade e mostrando-se às pessoas através de suas boas obras os discípulos, aqui na Terra, proporcionariam a oportunidade de, até mesmo aqueles que não criam, glorificar a Deus, o Pai que está no céu de onde vem a capacidade de os discípulos brilharem (v.16; Jo 12.35,36 cf. Tg 1.17).

Pense
Uma luz que não ilumina é uma contradição de termos. O que uma lâmpada precisa para funcionar? Há toda uma estrutura para ela produzir luz. E nós, podemos brilhar sozinhos?

Ponto Importante
A luz não é um fim em si mesmo. Seu valor está em fazer com que se enxergue por causa dela. Não somos o centro das atenções, mas os que proporcionam às pessoas ver ao Pai em nossas ações e, assim, glorificá-lo.

SUBSÍDIO
"O Sal e a Luz (5.13-16)
O 'sal' é valorizado por dois atributos principais: gosto e conservação. Não perde sua salinidade se é cloreto de sódio puro. Isto nos leva à sugestão do que Jesus quis dizer quando disse [que] os discípulos deixariam de ser discípulos se eles perdessem o caráter de sal. O sal não refinado extraído do mar Morto continha mistura de outros minerais. Deste sal em estado natural o cloreto de sódio poderia sofrer livixiação em consequência da umidade, tornando-o imprestável (Jeremias, 1972, p.169). O ensino rabínico associava a metáfora do sal com sabedoria. Esta era a intenção de Jesus, visto que a palavra grega traduzida por 'nada mais presta' tem 'tolo' ou 'louco' como seu significado radicular. É tolice ou loucura os discípulos perderem o caráter, já que assim eles são imprestáveis para o Reino e a Igreja, e colhem o desprezo de ambos.
No Antigo Testamento 'luz' está associada com Deus (Sl 18.28; 27.1), e o Servo do Senhor e Jerusalém estão revestidos com a luz de Deus. O Servo será luz para os gentios, e todas as nações virão à luz de Jerusalém (Is 42.6; 49.6; 60.1-3). É neste sentido de ser luz para as nações que Jesus identifica os discípulos como luz. Esta ideia antecipa a conclusão do Evangelho de Mateus: 'Portanto, ide, ensinai todas as nações [ou fazei discípulos]' (Mt 28.19). No capítulo anterior, Mateus identificou Jesus como a 'grande luz' de Isaías na Galileia gentia (Mt 4.15,16). Agora os discípulos são chamados para serem portadores da luz" (ARRINGTON, French L.; STRONSTAD, Roger (Eds.). Comentário Bíblico Pentecostal: Novo Testamento. 2.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2004, pp.43-44).

ESTANTE DO PROFESSOR
GOWER, Ralph. Novo Manual dos Usos & Costumes dos Templos Bíblicos. 2 ed. Rio de Janeiro, 2012.

CONCLUSÃO
Boas obras não são ações para a salvação; elas são o resultado normal desta. Como discípulos de Cristo, o produto final de nosso discipulado é a glória de Deus entre os que não conhecem a Ele, a fim de despertá-los para que creiam no Pai.

Hora da revisão

Após a afirmação dos discípulos com as bem-aventuranças, o que o Mestre lhes diz?
Jesus passa agora a incentivá-los a assumir suas vocações.

O que o Senhor quis dizer ao revelar que os discípulos eram o "sal da Terra"?
Eles precisavam entender não apenas a felicidade verdadeira que tal situação proporcionava, mas também o que agora lhes cabia (Mt 5.3-12).

É possível esconder-se estando em uma posição que "brilha"? Por quê?
Resposta pessoal.

O que se espera de quem é discípulo de Cristo? Explique.
Dos discípulos se espera boas obras, bons exemplos, pois este é o resultado natural de quem agora eles são.

O que as boas obras produzem para Deus?
A oportunidade de, até mesmo os que não creem glorificar a Deus, o Pai que está no céu.

Fonte: CPAD, Revista, Lições Bíblicas Jovens, professor, O Sermão do Monte – A Justiça sob a Ótica de Jesus, Comentarista César Moisés Carvalho, 2º trimestre 2017.

Lição 2 A intensidade das profecias de Jeremias.



Lição 2 A intensidade das profecias de Jeremias.
9 de abril de 2017

Texto Áureo
Jeremias 2.5
“Assim diz o Senhor: Que injustiça acharam vossos pais em mim, para se afastarem de mim, indo após a vaidade e tornando-se levianos?”

Verdade Aplicada
Mesmo que os pecados estejam escondidos, trazem o castigo sobre si.

Objetivos da Lição
Ensinar que a idolatria continua sendo um mal para a humanidade;
Revelar que, mesmo advertido, o povo não se voltou para o Senhor;
Mostrar aos alunos que o orgulhoso sempre é abatido.

Glossário
Concisa: Breve, resumida, sucinta, precisa, exata;
Divindade: Pessoa ou coisa divinizada; qualquer deus ou deusa do paganismo;
Iniquidade: Que ofende a equidade, a retidão; prática da injustiça; perversidade.

Leituras complementares
Segunda Jr 2.6
Terça Jr 2.7
Quarta Jr 2.8
Quinta Jr 2.11
Sexta Jr 2.13
Sábado Jr 2.19

Textos de Referência.
Jeremias 2.1-4
1 E veio a mim a palavra do Senhor, dizendo:
2 Vai e clama aos ouvidos de Jerusalém, dizendo: Assim diz o Senhor: Lembro-me de ti, da beneficência da tua mocidade e do amor dos teus desposórios, quando andavas após mim no deserto, numa terra que se não semeava.
3 Então, Israel era santidade para o Senhor, e as primícias da sua novidade; todos os que o devoravam eram tidos por culpados; o mal vinha sobre eles, diz o Senhor.
4 Ouvi a palavra do Senhor, ó casa de Jacó, e todas as famílias da casa de Israel.

Hinos sugeridos.
20, 225, 403

Motivo de Oração
Ore pela proteção de Deus sobre sua vida e ministério.

Esboço da Lição
Introdução
1. Um profeta para pregar contra o pecado.
2. Um homem à frente das profecias.
3. Deus quer restaurar o Seu povo.
Conclusão

Introdução
Nesta lição, veremos a atuação e a intensidade do profeta Jeremias em suas profecias. Ele é um exemplo ao mostrar para nós que não devemos nos calar diante do pecado.

1. Um profeta para pregar contra o pecado.
Deus convocou Jeremias num momento muito complicado da história de Judá. Usou-o para desafiar o povo a ser fiel à aliança do Senhor (Jr 2.19). Sua mensagem era clara e concisa para um povo rebelde, que insistiu em marchar rumo à punição divina, não ouvindo a voz do Senhor (Jr 26.11).

1.1. Israel no altar da idolatria.
Jeremias percebeu que os castigos que sobrevieram a Judá não estavam atrelados apenas aos resultados das loucuras políticas dos líderes de Judá. Os seus pecados de idolatria estavam em evidência o tempo todo, principalmente o culto à “rainha do céu”. Esta “divindade” possivelmente é uma referência a deusa Ishtar (Astarte), adorada na Mesopotâmia, deusa mãe da fertilidade, do amor e da guerra, que teve seu culto difundido em Judá (Jr 7.18).

A frase “a rainha dos céus” é mencionado na Bíblia duas vezes, ambas no livro de Jeremias (Jr 7.18; 44.17). Achava-se que ela era o cônjuge do falso deus Baal, também popularmente conhecido como Moloque. O comprometimento das mulheres em idolatrar Astarte procede da sua fama em ser a deusa da fecundidade e, como ter filhos era algo muito aguardado pelas mulheres do período, a veneração desta “rainha do céu” era abrasadora entre as civilizações pagãs. Infelizmente, este hábito pagão tornou-se conhecido entre as mulheres de Judá também.

1.2. As advertências do profeta.
A Bíblia relata que, em vez de haver comoção e remorso e voltar-se para Deus, os reis, sacerdotes e o povo endureceram o coração coma as palavras de Jeremias (2Cr 36.11, 13). Deus estava cumprindo Suas palavras, profetizadas séculos atrás, de castigar a nação, caso ela insistisse na rebeldia, principalmente no pecado de idolatria (1Sm 15.23). Jeremias é um exemplo pela coragem no enfrentamento das situações mais críticas do povo de Israel. Ele rompeu com as principais instituições judaicas ao denunciar seus representantes.

A Palavra de Deus nos adverte que não devemos adorar imagens, pois Ele abomina a idolatria (Êx 20.1, 5). Não é somente as imagens de deuses, mas todas as coisas que venham ocupar o Seu lugar em nossas vidas. A idolatria é um dos piores pecados, visto que Jesus afirmou que o maior de todos os mandamentos é amar a Deus de todo o coração, alma e mente (Mt 22.37). Se adoramos algo que não seja o Senhor, não O amamos de todo coração. Em momento algum, Deus divide a Sua glória com alguém (Is 42.8).

1.3. Obediência: valor para a vida.
O povo de Judá estava esquecendo as ordenanças do Senhor. Eles estavam mais preocupados com seus negócios pessoais do que com o seu Deus. As pregações de Jeremias foram rejeitadas por um povo amotinado, que persistiu em marchar para a punição divina: “Coisa espantosa e horrenda se anda fazendo na terra. Os profetas profetizam falsamente, e os sacerdotes dominam pelas mãos deles, e o meu povo assim o deseja; e que fareis no fim disto?” (Jr 5.30-31).

Deus continua ainda hoje convidando Seu povo à obediência, que é, na verdade, uma grande prova de amor. Deus deseja que Seu povo lhe obedeça e abandone os seus pecados e se volte para Ele, em reverência e obediência sincera. O profeta Miquéias profetizou as seguintes palavras: “Ele te declarou, ó homem, o que é bom; e que é o que o Senhor pede de ti, senão que praticas a justiça, e ames a beneficência, e andes humildemente com o teu Deus?” (Mq 6.8). Que possamos ser obedientes às vontades do Mestre nas nossas vidas.

2. Um homem à frente das profecias.
Em seu livro, Jeremias se refere diversas vezes a uma série de eventos que aconteceria caso o povo não voltasse seu coração para Deus (Jr 14.12-15). O povo se ajuntava no templo e pensava que sua segurança estava na religiosidade e não em Deus.

2.1. Maldita entre as nações.
As profecias de Jeremias falam da urgência de Juízos que sobreviriam sobre Judá (Jr 25.3, 5). Sofonias, outro profeta, também repreendeu o povo, chamando ao arrependimento, mas não foi atendido (Sf 1.4). Jeremias proferiu o juízo de Deus contra eles, dizendo que aquela casa se tornaria como Siló e que aquela cidade seria maldita entre todas as nações da Terra (Jr 26.6). Jeremias narrou assim: “Não vos fieis em palavras falsas, dizendo: Templo do Senhor, templo do Senhor, templo do Senhor é este. Eis que vós confiais em palavras falsas, que para nada são proveitosas. É, pois, esta casa, que se chama pelo meu nome, uma caverna de salteadores aos vossos olhos? Eis que eu, eu mesmo, vi isto, diz o Senhor.” (Jr 7.4, 8, 11).

O povo de Judá achava que o Senhor garantiria a proteção contra todas as catástrofes que Jeremias tinha advertido. Eles se lembravam do fato de que, quando em Samaria foi assolada, Deus tinha livrado milagrosamente Jerusalém da guerra (2Rs 19.35). Orgulhavam-se do templo, mas viviam na prática do pecado (Jr 6.14). O profeta Jeremias anuncia que tal confiança não lhes garantia o livramento (Jr 6.22), mas que eles teriam que mudar suas práticas diante do Senhor. O Senhor separou a nação de Israel como povo seleto (Gn 12.1, 3; 17.7-8; Êx 19.5-6; Dt 7.6, 26; Is 43.5, 7; Jr 7.23; 13.11; At 13.17). Jeremias foi claro em suas profecias, devido ao amor que nutria por seu povo. Ele conhecia o amor de Deus por esta nação e acreditava que os juízos de Deus poderiam ser retirados, caso a nação se arrependesse dos seus pecados (Jr 5.30-31).

2.2. Deus cuida de nós o tempo todo.
Para Jeremias, o pior pecado era abandonar o Senhor (Jr 2.13). Quando nós nos entregamos de coração ao Senhor, nos sentimos leves. Ainda que não possamos entender exatamente o que Ele está realizando, podemos confiar que Ele está agindo a nosso favor (Is 64.4). Jeremias vivia na presença do Senhor. Ele dizia: “Mas tu, ó Senhor, me conheces, tu me vês e provas o meu coração para contigo.” (Jr 12.3). Jeremias nos ensina que, se estivermos acordados ou dormindo, se somos ricos ou pobres, se estamos rindo ou chorando, Ele, o Senhor está sempre conosco.

É impossível não ser grato a um Deus tão grande que, pelo Seu infinito amor, a cada dia, cuida, ama, achega, ampara e modifica. Deus mostra a Sua fidelidade a todo instante para conosco.

2.3. Deus se importa conosco.
A preocupação de Deus pelo Seu povo não tem limites. A missão profética do Antigo Testamento tinha como finalidade principal fazer com que o povo de Israel se arrependesse e, através dele, toda a humanidade se achegasse a Cristo (Gn 3.15; 17.19; 18.18; 28.14; 49.10; Is 9.7; Mq 5.2; Dn 9.25; Jr 33.15). Os livros do Antigo Testamento estão cheios de profecias sobre o Messias. A função das profecias do Antigo Testamento era aprontar os judeus, e, através deles, toda a humanidade para a vinda do Salvador do mundo, para que, no tempo de Sua vinda, fosse reconhecido e aceito por eles.

No Antigo Testamento, a começar pelos cinco livros de Moisés, também conhecido como Pentateuco, e terminando com os últimos profetas Zacarias e Malaquias, os que mais falaram sobre a chegada do Messias foram: Moisés, o rei Davi e os profetas Isaías, Daniel e Zacarias.

3. Deus quer restaurar o Seu povo.
A Bíblia no Antigo Testamento nos apresenta um total de 17 livros dos profetas para 16 autores, sendo que Jeremias registrou dois, o livro que apresenta o seu nome e Lamentações. A mensagem a respeito da restauração do povo de Deus foi uma tônica dos profetas (Is 61.1-4). Deus sempre almejou um futuro glorioso para os Seus.

3.1. Mensagem do pacto violado.
Nos capítulos 11 e 12 de Jeremias, assistimos a aliança sendo rompida. Esta violação da aliança mosaica condenou Judá à maior de todas as maldições: o exílio babilônico. A aliança é um acordo solene entre duas ou mais partes. A Bíblia registra várias alianças estabelecidas por Deus: com Noé (Gn 9.16-17); com Abraão, o pai de Israel (Gn 17.1, 21); depois, com o povo de Israel no Sinai (Êx 19.3, 6); depois, com Davi (2Sm 7.12, 16). O Senhor Jesus Cristo é o mediador da Nova Aliança (Hb 7.22). Assim, a maldição de Deus recaiu sobre Judá por causa da violação do pacto mosaico (Êx 19.3, 6).

Ao infringir o pacto mosaico, a nação de Israel abriu passagem para a nova aliança em Cristo Jesus. A Nova Aliança é uma ideia do próprio Deus e não uma invenção dos homens. Jesus explicou isso aos Seus discípulos, quando Ele estabeleceu a Ceia do Senhor: “Este é o meu sangue da nova aliança” (Mc 14.24), isto é: “o sangue da aliança eterna” (Hb 13.20). O profeta Jeremias também disse algo a esse respeito (Jr 31.31-32).

3.2. A podridão dos pecados do povo.
A mensagem de Deus para a nação de Israel foi transmitida através da simbologia de um cinto de linho. Deus escolheu o profeta Jeremias para anunciar a queda de um povo contaminado pelo pecado. Deus usa esta ação simbólica no capítulo 13 do Livro de Jeremias para mostrar o estado de altivez em que se encontravam as pessoas da época. O linho era o tecido usado pelos sacerdotes (Êx 28.39). Deus exige e o enterre numa fenda do rio Eufrates. Mais tarde, Deus solicita que desenterre o cinto e o mesmo está apodrecido. Seu estado de apodrecimento simboliza a decomposição do povo. O orgulho fez separação entre a nação e o Senhor. Eles não estavam mais em condições apropriadas para se relacionar com o Senhor (Jr 13.7-9). Para Deus, eles estavam tão podres quanto o cinto, que não prestava para mais nada (Jr 13.10).

Este ato simbólico do cinto esclarece a aliança do Senhor com todo o Israel, pois assim como se liga o cinto aos lombos do homem, assim o Senhor ligou a Ele toda a casa de Israel e toda a casa de Judá.

3.3. Deus castiga o Seu povo.
O capítulo 14 de Jeremias declara que o povo de Judá se encontra de tal modo contaminado em seus pecados que Deus se recusou a responder até mesmo a súplica de Jeremias para que o povo fosse livrado da seca (Jr 14.11). A iniquidade de Israel é tão grave neste momento que o próprio Deus diz: “Ainda que Moisés e Samuel se pusessem diante de mim, não seria a minha alma com este povo; lança-os de diante da minha face, e saiam”. (Jr 15.1). Deus chega ao ponto de pedir a Jeremias que não orasse pelo povo, tamanha sua situação crítica.

A obediência da autoridade a nossa comunhão com o Senhor. O sábio rei Salomão deixou registrado o seguinte: “O que desvia os seus ouvidos de ouvir a lei, até a sua oração será abominável” (Pv 28.9). O profeta Samuel também afirmou: “Tem, porventura, o Senhor, tanto prazer em holocaustos e sacrifícios como em que se obedeça à palavra do Senhor? Eis que o obedecer é melhor que o sacrificar; e o atender melhor do que a gordura de carneiros” (1Sm 15.22). Infelizmente, o povo de Judá não atentou para a Palavra de Deus e, por isso, caiu em desgraça. Precisamos dar ouvidos à Palavra de Deus e dizer, continuamente, ao Senhor: “Eis-me aqui, envia-me a mim”.

Conclusão.
Quando Deus faz uso de um profeta para advertir Seu povo, não quer dizer que Ele não ama esse povo. A exortação de Deus é para que o homem se converta e abandone a prática do pecado. O profeta tem a finalidade de revelar o amor de Deus, a misericórdia, o juízo e o chamado ao arrependimento.

Questionário.
1. Qual “deusa” o povo de Judá cultuava?
R: A “rainha do céu”, uma referência à deusa Ishar (Arstarte) (Jr 7.18)..

2. Onde ela era adorada?
R: Na Mesopotâmia (Jr 7.18).

3. Qual era o pior pecado para Jeremias?
R: Abandonar o Senhor (J 2.13).

4. Qual foi a tônica das mensagens dos profetas?
R: A restauração do povo de Deus (Is 61.1-4).

5. Onde Jeremias enterrou o cinto de linho?
R: Na fenda do rio Eufrates (Jr 13.5).

Fonte: Revista de Escola Bíblica Dominical, Betel, Jeremias – Deus convoca Seu povo ao arrependimento, Jovens e Adultos, edição do professor, 2º trimestre de 2017, ano 27, Nº 103, publicação trimestral, ISSN 2448-184X.