segunda-feira, 11 de junho de 2018

Lição 12 UMA VIDA EXEMPLAR DIANTE DE DEUS E DOS HOMENS


Lição 12 UMA VIDA EXEMPLAR DIANTE DE DEUS E DOS HOMENS
17/06/2018

Texto do dia
(2 Ts 3.6)
"Mandamo-vos, porém, irmãos, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo, que vos aparteis de todo irmão que andar desordenadamente e não segundo a tradição que de nós recebeu."

Síntese
Numa sociedade carente de exemplos, o Cristianismo deve apresentar-se como a resposta de Deus para o relativismo moral e a decadência espiritual deste tempo.

Agenda de leitura
SEGUNDA - Hb 7.28
Cristo, o homem perfeito
TERÇA - Jo 17.14
Não somos como o mundo
QUARTA - Mt 10.16
Vivemos como ovelhas entre lobos
QUINTA - 2 Ts 3.13
Somos convocados para fazer sempre o bem
SEXTA - 2 Co 13.11
O Deus da paz
SÁBADO - 2 Co 3.5
O que temos de bom não procede de nós

Objetivos
APRESENTAR os modelos bíblicos de comportamento e espiritualidade para o cristão;
REFLETIR  a respeito da necessidade de sermos modelos para esta sociedade;
DISCUTIR o modelo de vida a ser adotado por cada cristão.

Interação
Com a aproximação do fim de mais um trimestre é sempre importante realizarmos um momento de autoavaliação, tanto de nós como educadores como de cada educando também. Aproveite que esta é a penúltima aula do trimestre e promova, ou por meio de um questionário escrito a ser respondido ou por meio de um bate-papo, uma atividade de reflexão sobre o desenvolvimento das aulas durante o período. Indague a respeito dos pontos positivos os quais precisam ser reforçados, mas também os negativos que precisam ser superados.
Conscientize seus educandos que as críticas também têm seu caráter positivo, e que por isso ouvi-las, muitas vezes, nos trazem grandes benefícios.
Lembre-se, as pessoas terão mais confiança de nos ajudar em nossas limitações quando perceberem que nós temos maturidade para assimilar as críticas como instrumentos de crescimento e desenvolvimento pessoal.

Orientação Pedagógica
Juntamente com seus alunos, construa uma tabela com duas colunas de informações: na primeira, caracterizem e definam o que seria uma profissão, sua finalidade e objetivos; em seguida, façam o mesmo com o conceito de ministério. O objetivo desta atividade é debater em sua sala as peculiaridades de cada um destes aspectos de nossas vidas, destacando a importância de jamais profissionalizar nosso ministério, e sim, de reconhecer nossa profissão como um ministério que Deus nos deu para servirmos a sociedade e o Reino dos Céus através de nossos dons e talentos.  Ao final, ore por seus alunos, pedindo que portas de emprego possam ser abertas àqueles que já estão entrando no mercado de trabalho, e que também a compreensão dos ministérios pessoais possa ser algo naturalmente assimilado por cada um deles.

Texto bíblico
2 Tessalonicenses 3.6-15
6 Mandamo-vos, porém, irmãos, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo, que vos aparteis de todo o irmão que anda desordenadamente e não segundo a tradição que de nós recebeu.
7 Porque vós mesmos sabeis como convém imitar-nos, pois que não nos houvemos desordenadamente entre vós,
8 nem, de graça, comemos o pão de homem algum, mas com trabalho e fadiga, trabalhando noite e dia, para não sermos pesados a nenhum de vós;
9 não porque não tivéssemos autoridade, mas para vos dar em nós mesmos exemplo, para nos imitardes.
10 Porque, quando ainda estávamos convosco, vos mandamos isto: que, se alguém não quiser trabalhar, não coma também.
11 Porquanto ouvimos que alguns entre vós andam desordenadamente, não trabalhando, antes, fazendo coisas vãs.
12 A esses tais, porém, mandamos e exortamos, por nosso Senhor Jesus Cristo, que, trabalhando com sossego, comam o seu próprio pão.
13 E vós, irmãos, não vos canseis de fazer o bem.
14 Mas, se alguém não obedecer à nossa palavra por esta carta, notai o tal e não vos mistureis com ele, para que se envergonhe.
15 Todavia, não o tenhais como inimigo, mas admoestai-o como irmão.

COMENTÁRIO
INTRODUÇÃO
Ao final de sua Segunda Epístola aos Tessalonicenses, assim como fez na Primeira Carta, no capítulo 4, Paulo faz uma série de orientações práticas àqueles irmãos, centradas especialmente na questão da conduta pública do cristão: sua postura diante da sociedade decadente em que estavam inseridos.

I- EXISTE UM MODELO A SER IMITADO

1. Cristo é nosso supremo exemplo. Antes mesmo de falar do ministério de Paulo e sua influência entre os Tessalonicenses, é necessário deixar bem claro: nosso modelo é Cristo! Ele é o homem perfeito em quem somos aperfeiçoados até a medida completa de nossa espiritualidade (Hb 7.28; Ef 4.13). Qualquer decepção com instituições, líderes, ou mesmo pessoas próximas a nós deve ser deixada de lado pela compreensão de que Ele é o nosso modelo vivificador. O mais sobrenatural nesse esforço de seguir a Cristo é que, quanto mais parecidos com Cristo tornamo-nos, mais plenos nos acharemos. O Senhor não rouba nossa identidade, não usurpa o que nós somos; pelo contrário, a plenitude de Deus em nosso ser aperfeiçoa o que Deus nos tem feito ser.

2. Os heróis da fé devem ser nosso modelo. Há um conjunto de cristãos exemplares que palmilharam essa terra, os quais são dignos de nosso respeito e consideração (Hb 11.1-40). Nenhum deles salva, nenhum será capaz de transformar nossas vidas, entretanto, eles viveram como salvos e demonstraram que é possível permitir-se ser tocado por Deus de tal maneira que se possa testemunhar verdadeiras revoluções pessoais de vida. Certamente há um grupo de pessoas que ainda hoje, refletem a glória de Cristo nesta geração. Escândalos e desastres morais acontecem na humanidade desde o princípio, contudo, devemos nos espelhar na vida daqueles que, em meio a tanta corrupção, optaram por viver a beleza da pureza do Evangelho. A vantagem de olhar para vida destes santos é perceber que o Reino de Deus já está entre nós. Que o mal nunca nos inspire.

3. Ainda existem líderes inspiradores (v.7). Paulo é um desses homens tão íntegros que não teme afirmar: "Vocês em Tessalônica querem um modelo? Olhem para mim!". Em tempos de escândalos, em dias de discursos demagógicos e hipócritas, carecemos de líderes assim; entretanto, louvado seja Deus, porque ainda existem muitos. Certamente cada um de nós pode nomear, homens e mulheres, que foram responsáveis por nosso crescimento espiritual; pessoas de testemunho e caráter, verdadeiros líderes espirituais, que muitas vezes, sequer são reconhecidos institucionalmente. Aproximemo-nos dessas pessoas, e sejamos, num futuro bem próximo, estes líderes inspiradores para nossas igrejas. Lembre-se: não se torne, amanhã, um tipo de cristão/líder que você reprova hoje. Que nossa trajetória seja como a da luz da aurora (Pv 4.18).

II- COMO SE PORTAR NUMA SOCIEDADE DESORDENADA?

1. Um distanciamento precisa ser notório (v.6). É impossível que os princípios de um cristão genuíno o aproximem, sem qualquer tipo de conflito, com o padrão do mundo. Jesus deixou bastante claro que o modelo de sociedade vigente nos rejeitaria (Jo 15.18; 17.14). Na verdade não é uma questão pessoal, mas a respeito do Deus a quem amamos. Por isso, a existência de um distanciamento (moral e espiritual) é inevitável. O que nos surpreende é perceber que existem cristãos que, de maneira hipócrita e anticristã, criam muros para separarem-se das demais pessoas. Como estas serão evangelizadas e impactadas pelo testemunho? Nosso distanciamento não é social (somos ovelhas enviadas para viver entre lobos Mt 10.16), deve ser com relação a nossos valores, princípios e modelos. A igreja não pode tornar-se uma "Sodoma e Gomorra Gospel". Nós não apenas fazemos, mas somos a diferença neste mundo.

2. Não é possível íntima comunhão (v.14). A exortação de Paulo é clara: "[...] não vos mistureis com ele [...]". É inevitável estar entre pessoas que não são cristãs - no ônibus, na faculdade, no trabalho. Logo a exortação de Paulo é para evitar aqueles que se dizem crentes e querem andar segundo o mundo, os desobedientes. A ilusão de um bairro só de cristãos, uma empresa só de salvos, um colégio exclusivamente de santos, não deve ser alimentada pelo crente. A mistura aqui é interior, de alma, posturas, opiniões. Cristãos defendendo liberação de aborto, legalização de drogas pesadas, sexo antes do casamento, isso é a mistura que temos que evitar e condenar. Mais preocupante do que viver entre os ímpios é viver entre ímpios pensamentos (Pv 17.20). Não há acordo entre o Senhor e Belial, não há mistura que seja benéfica ao coração daquele que é inconstante (Tg 1.8).

3. O amor deve ser o tema de qualquer relacionamento. Paulo afirma no versículo 15: "Todavia, não o tenhais como inimigo, mas admoestai-o como irmão." Viver como um irmão é viver perto, junto, próximo. Dos inimigos é que as pessoas tendem a se afastar, mas nós somos dos que se aproximam, pois a finalidade última de todas as nossas ações, até mesmo quando somos duros com os outros, deve ser o amor. O desobediente precisa viver com o obediente para testemunhar o milagre de uma vida transformada e crer que para ele isso também é possível. Já o salvo em Cristo não deve ter medo de conviver com quem ainda não está liberto, ou será que este na verdade é um hipócrita, travestido de cristão, que sabe da fragilidade de seu caráter, e por isso teme o tempo todo que sua máscara caia?

III- SOMOS CHAMADOS PARA VIVER DE QUE MANEIRA?

1. Como filhos de Deus, não como fardos para a sociedade (v.8). Nós como cristãos não somos chamados para ser motivo de enfado para ninguém. Por isso sejamos sempre proativos, lutemos por nossos sonhos, acreditemos que o Senhor nos capacitará, inclusive para o mercado de trabalho. Tenhamos Paulo, e não os "preguiçosos na fé", como exemplo.  

2. Sossegadamente. Não existe fórmula mágica para ser bem-sucedido; tudo passa por muito trabalho e dedicação. Fortunas que aparecem repentinamente, de um modo geral, também somem de modo súbito. Os ideais que a mídia constrói, de jovens famosos e ricos, na maioria dos casos escondem profundas tristezas, relacionamentos opressores e uma escravidão no pecado. Acreditemos que  o contentar-se é muito melhor do que o desesperadamente desejar mais.

3. Em paz (v.16). É claro que existem múltiplas maneiras de se ter paz; para alguns é no silêncio; para outros na harmoniosa melodia do céu. Há aqueles que experimentam a paz enquanto caminham em uma jornada, entretanto alguns vivem a experiência da satisfação ao ficar onde estão. Mas de onde procede a concórdia que enche os nossos corações? É claro que somente do Pai. Numa igreja repleta de dúvidas, incertezas, e conflitos pessoais, somente Deus poderia juntar os pedaços dessa comunidade e fazer com que aqueles irmãos experimentassem a verdadeira paz que deriva de um relacionamento genuíno com o Senhor. Aquilo que o Pai faz por nós, transcende a nossa vida, influencia até mesmo aqueles que estão à nossa volta (Pv 16.7). Confiemos então naquEle que é apresentado nas Escrituras como o que governa firmado sobre o fundamento da paz (Is 9.6; 2 Co 13.11; Fp 4.9).

SUBSÍDIO 1
"Os missionários tinham o cuidado de evitar a acusação de serem parasitas ou aproveitadores. Mas, sobre este assunto, Paulo sempre salvaguardava o direito apostólico de sustento, embora, para o bem do evangelho, ele renunciasse o direito conscienciosamente. Não porque não tivéssemos autoridade ('não porque não tivéssemos esse direito', AEC, RA; cf. BJ, BV, CH, NTLH, NVI), mas para vos dar em nós mesmos exemplo, para nos imitardes ('mas para que nos tornássemos um modelo para ser imitado por vocês' - NVI; quanto a exemplo [typos], ver comentários em 1 Tessalonicenses 1.7; quanto à questão do trabalho do apóstolo em Tessalônica e os motivos envolvidos a esse respeito, ver comentários em 1 Tessalonicenses 2.6,9. A força do argumento é que Paulo, o Apóstolo, tinha o direito de receber sustento. Mesmo assim, enquanto esteve entre eles, ele vivia à custa do fruto do seu trabalho. Muito mais deveriam os irmãos desordeiros trabalhar para ganhar a vida, já que eles não tinham o direito de receber sustento!" (Comentário Bíblico Beacon. 1.ed. Vol. 9. Gálatas a Filemom. Rio de Janeiro: CPAD, 2006. p.429).

SUBSÍDIO 2
"Aquilo que estava errado no meio dos Tessalonicenses, que é expresso:
1. De maneira mais geral. Havia alguns que andavam desordenadamente e não segundo a tradição que receberam do apóstolo (2 Ts 3.6). Alguns irmãos eram culpados desse caminhar desordenado. Eles não viviam da maneira certa, nem dirigiam sua vida de acordo com as regras do cristianismo, nem estavam em conformidade com sua profissão de fé; não andavam de acordo com os preceitos passados pelo apóstolo, nem davam a devida atenção. Observe: As pessoas que receberam o evangelho e que professam sujeitar-se a ele devem viver de acordo com esse evangelho. Se não o fizerem, são consideradas pessoas desregradas.
2. Em particular. Havia entre eles algumas pessoas ociosas e que faziam coisas vãs (2 Ts 3.11). O apóstolo foi informado a esse respeito de fontes tão seguras que tinha razão suficiente para dar ordens e orientações com relação a essas pessoas, como deveriam se comportar, e como a igreja deveria agir em relação a eles. (1) Havia algumas pessoas no meio deles que eram ociosas, não trabalhando, ou fazendo coisa alguma. Não parece que eram glutões ou beberrões, mas ociosos, e, portanto, pessoas desregradas" (HENRY, Matthew. Comentário Bíblico Novo Testamento. 2.ed. Atos a Apocalipse. Rio de Janeiro: CPAD, 2010. p.680).

ESTANTE DO PROFESSOR
EARLE, R. (et al) Comentário Bíblico Beacon. vol. 9, Gálatas a Filemom. Rio de Janeiro: CPAD, 2006.

CONCLUSÃO
O Cristianismo não é um conjunto de teorias a respeito da realidade as quais declaramos simplesmente nossa adesão intelectual. Servir a Cristo é uma experiência radical de mudança de vida, uma corajosa escolha de viver profundamente diferente do mundo, segundo princípios que evidenciam o caráter de Deus em nós.

Hora da revisão

Por que devemos tomar Cristo como nosso maior exemplo a ser seguido?
Por que Ele é o homem perfeito em quem somos aperfeiçoados até a medida completa de nossa espiritualidade (Hb 7.28; Ef 4.13; Cl 2.10).

Qual a diferença entre respeitar o exemplo dos heróis da fé e idolatrar os santos que vieram antes de nós?
Os santos do AT e do NT foram pessoas como nós, sujeitos às mesmas tentações, por isso não devem ser adorados, entretanto, seu exemplo é extremamente positivo e inspirador para cada cristão nos dias de hoje.

O que Paulo deseja ensinar aos tessalonicenses quando os orienta a não se misturarem com o mundo?
Paulo deseja que os valores e princípios dos cristãos sejam guiados pela Bíblia Sagrada e nunca por conceitos do mundo.

Qual a sugestão de Paulo para que os cristãos em Tessalônica vivam sossegadamente?
Que eles trabalhassem com dedicação e entusiasmo.

De que maneira, numa igreja local como Tessalônica, cheia de conflitos e dúvidas, os cristãos poderiam viver em paz?
Por meio da ação de Deus, que pode unir as diferenças, aperfeiçoar as fragilidades e conduzir tudo para o bem do Reino de Deus.

Fonte: CPAD, Revista, Lições Bíblicas Jovens, professor, A Igreja do Arrebatamento – O Padrão dos Tessalonicenses para Estes Últimos Dias, Comentarista Thiago Brazil, 2º trimestre 2018.

Lição 12 Ética Cristã e Política


Lição 12 Ética Cristã e Política
17 de Junho de 2018

TEXTO ÁUREO
(Rm 13.7)
“Portanto, dai a cada um o que deveis: a quem tributo, tributo; a quem imposto, imposto; a quem temor, temor; a quem honra, honra.”

VERDADE PRÁTICA
A política faz parte da vida em sociedade. Como o cristão não vive isolado, ele deve ter consciência política, sendo sal e luz neste mundo.

LEITURA DIÁRIA
Segunda – 1 Pe 2.17
O cristão deve reconhecer as autoridades constituídas
Terça – 1 Tm 2.1,2
A igreja deve orar por todas as autoridades
Quarta – Mt 22.17-21
O cristão deve cumprir seus deveres civis
Quinta – 2 Co 6.14
O cristão não deve se prender ao jugo desigual
Sexta – Rm 13.4
A importância do Estado virtuoso como autoridade
Sábado – Is 5.20
A igreja deve manter a sua integridade num mundo hostil

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE
Romanos 13.1-7
1 – Toda alma esteja sujeita às autoridades superiores; porque não há autoridade que não venha de Deus; e as autoridades que há foram ordenadas por Deus.
2 – Por isso, quem resiste à autoridade resiste à ordenação de Deus; e os que resistem trarão sobre si mesmos a condenação.
3 – Porque os magistrados não são terror para as boas obras, mas para as más. Queres tu, pois, não temer a autoridade? Faze o bem e terás louvor dela.
4 – Porque ela é ministro de Deus para teu bem. Mas, se fizeres o mal, teme, pois não traz debalde a espada; porque é ministro de Deus e vingador para castigar o que faz o mal.
5 – Portanto, é necessário que lhe estejais sujeitos, não somente pelo castigo, mas também pela consciência.
6 – Por esta razão também pagais tributos, porque são ministros de Deus, atendendo sempre a isto mesmo.
7 – Portanto, dai a cada um o que deveis: a quem tributo, tributo; a quem imposto, imposto; a quem temor, temor; a quem honra, honra.

OBJETIVO GERAL
Mostrar que a política faz parte da vida em sociedade e que o crente deve ter consciência política.

HINOS SUGERIDOS: 386, 398, 401 da Harpa Cristã

OBJETIVOS ESPECÍFICOS
Abaixo, os objetivos específicos referem-se ao que o professor deve atingir em cada tópico. Por exemplo, o objetivo I refere-se ao tópico I com os seus respectivos subtópicos.

Apresentar uma perspectiva bíblica da política;
Compreender que a separação do Estado da Igreja é uma herança protestante;
Mostrar como o cristão deve lidar com a política.

INTERAGINDO COM O PROFESSOR
Na lição de hoje estudaremos um tema que em geral divide opiniões e que, erroneamente, se acredita que não deve ser discutido — política. Saiba que quando se trata desse tema, em nossas classes, vão existir dois tipos de alunos: aqueles que não querem ouvir nada a respeito do assunto e que não gostam do tema e os que são muito bem informados quanto à vida política e social do nosso país. Professor(a), em que grupo você está?  Essa reflexão é importante, pois vai influenciar diretamente no preparo da lição e na metodologia que você vai utilizar para expor o conteúdo.
Por que atualmente estamos tão cansados da política? Mas, independente do momento político em que o nosso país está atravessando, não é possível viver em sociedade sem a política. É importante ressaltar que o que temos visto atualmente é a chamada “politicagem”, o que é totalmente inverso à política. Como cristãos precisamos fazer a diferença em nossa sociedade e para isso, precisamos estar bem informados a respeito do que aqueles que estão exercendo um cargo político e que muitas vezes receberam o nosso voto estão fazendo. Não podemos também nos esquecer que a Palavra de Deus nos exorta a orarmos por aqueles que estão exercendo cargos políticos e autoridades governamentais.

COMENTÁRIO
INTRODUÇÃO
As Escrituras registram a liderança política de grandes personagens bíblicos, entre eles, José, o governador do Egito (At 7.9,10); e Ester, a rainha da Pérsia e da Média (Et 5.2). Contudo, apesar desses exemplos, por muitas décadas a política foi satanizada no meio evangélico. Como resultado, e com sua omissão, a igreja permitiu que o Poder Público fosse exercido muitas vezes por ateus, ímpios e imorais. Esse comportamento contribuiu com a eleição, por exemplo, de governos contrários à cultura judaico-cristã. Para mudar esse quadro faz-se necessário que a igreja amadureça e aprofunde sua “consciência política”.

PONTO CENTRAL
A política faz parte da vida em sociedade. 

I – UMA PERSPECTIVA BÍBLICA DA POLÍTICA

1. Deus governa todos os aspectos da vida humana, inclusive o político. As Escrituras mostram que Deus se relaciona diretamente conosco em todos os aspectos da vida (Mt 6.33). Isso significa que Ele intervém em nossa jornada diária, pois o Pai Celeste “trabalha para aquele que nele espera” (Is 64.4). Nesse aspecto, a Bíblia mostra que o Altíssimo “remove os reis e estabelece os reis” (Dn 2.21), “porque não há autoridade que não venha de Deus; e as autoridades que há foram ordenadas por Deus” (Rm 13.1). Sim, o Deus Altíssimo governa o aspecto político da vida no mundo.

2. Deus levanta homens que o glorifiquem na política. Os exemplos da Bíblia são abundantes. Mas destacamos três deles: José, filho de Jacó (Gn 41.37-57); Ester, a rainha (Et 2.12-20); Daniel, o jovem (Dn 2.46-49). Essas três pessoas se colocaram à disposição do Senhor, e por intermédio dEle, providenciaram o escape para o povo de Deus (Gn 42.46-49; Et 7.1-10; Dn 2.1-45). A história da Igreja também mostra um homem chamado William Wilberforce (1759 - 1833), que por influência do Evangelho, e impactado pelo ministério de John Wesley, foi quem liderou o fim do tráfico de escravos no reino britânico. Sim, Deus usa pessoas para glorificar o seu nome na política.

3. O Estado e a Política. O Estado tem como função garantir, por meio de políticas públicas, as condições necessárias para a vida digna da sociedade. A Palavra de Deus diz que as autoridades instituídas são para disciplinar as obras más e enaltecer quem faz o bem (Rm 13.3,4). Assim, como vivemos num estado democrático de direito, onde tanto cidadãos quanto autoridades instituídas têm direitos e deveres mediante a carta constitucional do país, isto é, vivemos no império das leis, e por isso, devemos exercer o mesmo princípio de submissão ao Estado esposado pelo apóstolo Paulo em Romanos 13.1,2. 

4. O Estado e a Bíblia. O Novo Testamento retrata o Estado como instrumento ordenado por Deus (Rm 13.1), assim, os que resistem ao Estado afrontam a Deus (Rm 13.2). Nesse contexto, o Estado é servo do Altíssimo para aplicar a justiça (Rm 13.4), logo, ele não é problema para os que fazem o bem, mas para os que praticam o mal (Rm 13.4; 1 Pe 2.14). Assim, é lícito pagar tributos e impostos ao Estado (Rm 13.6,7), bem como temos a recomendação de orar pelas autoridades públicas (1 Tm 2.1,2).

SÍNTESE DO TÓPICO I
A Palavra de Deus nos apresenta uma perspectiva correta da política.

SUBSÍDIO BIBLIOLÓGICO
“Política
O vocábulo ‘política’ vem do grego, polis, ‘cidade’. A política, pois, procura determinar a conduta ideal do Estado, pelo qual seria uma ética social. Ela procura definir quais são o caráter, a natureza e os alvos do governo. Trata-se do estudo do governo ideal’ (Enciclopédia de Bíblia, Filosofia e Teologia, p. 769). ‘Política significava, originalmente, o conhecimento, a participação, a defesa e a gestão dos negócios da pólis’ (Cidade-Estado, na Grécia  — citado em Cristianismo e Política, p. 19).
Segundo Champlin e Bentes: ‘A política é um dos seis ramos tradicionais da filosofia. Platão pode ser caracterizado como o pai da política, porquanto em sua filosofia, sobretudo em seu diálogo intitulado República, ele desenvolveu uma extensa teoria política. A filosofia política ocupa-se com a conduta ideal do Estado, com a ética das sociedades organizadas’(Enciclopédia de Bíblia, Filosofia e Teologia, p. 196). Além de Platão, outros grandes filósofos idealizaram a filosofia política, enfatizando certos aspectos considerados preponderantes sobre os outros na sociedade. Enquanto Platão enfatizava o predomínio do indivíduo dos filósofos, e defendia um Estado comunista; Aristóteles destacava o valor da família como ‘unidade central do Estado e não o indivíduo; propugnava um sistema misto de governo, com destaque para um tipo de democracia (não popular) criticando o Estado comunista defendido por Platão (ibidem, p. 789). Agostinho via a política como reguladora dos conflitos entre a Igreja e o Estado; o filósofo italiano Maquiavel defendeu a supremacia do Estado, advogando que todos os meios seriam lícitos, desde que os fins fossem bons. É a famosa máxima, segundo a qual ‘os fins justificam os meios’” (LIMA, Elinaldo Renovato de. Ética Cristã: Confrontando as Questões Morais do Nosso Tempo. 9.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2015, pp. 188, 189).

CONHEÇA MAIS
*Consciência Cristã
“Se tivéssemos oportunidade de perguntar a Dietrich Bonhoeffer o que é a consciência cristã, que resposta obteríamos? Certamente responder-nos-ia que a consciência cristã é o exercício pleno de nossa fé, num mundo que jaz no maligno. Por isso, ousou afirmar: ‘Jesus Cristo, e não o homem ou o Estado, é o nosso único Salvador’.” Para conhecer mais leia “As Novas Fronteiras da Ética Cristã”, CPAD, p.217.

II – A SEPARAÇÃO DO ESTADO DA IGREJA: UMA HERANÇA PROTESTANTE
O conceito de Estado Laico é compreendido como a separação entre o Estado e a Igreja. Significa que um não pode interferir nas atividades do outro e vice-versa.

1. A união entre a Igreja e o Estado. No ano 313, Constantino e Licínio, imperadores romanos do Ocidente e do Oriente respectivamente, promulgaram o Édito de Milão. O decreto outorgou liberdade e tolerância religiosa aos cristãos no Império Romano. O imperador Teodósio decretou em 380 d.C. o Édito de Tessalônica, estabelecendo o Cristianismo como religião oficial do Império. O Édito prometia vingança divina e castigo do Estado aos que não aderissem à lei. A partir de então a união entre a Igreja e o Estado passou a ser indiscutível. À exemplo da deformação da nação de Israel, o início dessa união trouxe até benefícios, mas em seguida, essa mistura foi trágica (1 Sm 10.1; cf. 8.10-19).

2. A separação entre a Igreja e o Estado. Ao fim da Idade Média, os ideais humanistas valorizavam os direitos individuais do cidadão e isso despertou nos cristãos a necessidade de reformar a Igreja, especialmente, o Clero (sacerdotes). Os abusos de Roma e a venda das indulgências deflagraram a Reforma em 1517, na Alemanha. O Monge Martinho Lutero rompeu com o catolicismo romano. Foi a partir da Reforma que, paulatinamente, os conceitos de liberdade, de tolerância religiosa, de democracia e de separação entre Igreja e Estado foram alçados ao status de direitos fundamentais. A Palavra de Deus mostra que a ideia de Estado e Igreja não dará bons resultados (At 4.1-7). Por isso, o Estado não deve interferir na Igreja nem a Igreja no Estado. Todavia, o povo de Deus jamais deve faltar com a sua voz profética diante das injustiças e pecados sociais.

3. O Modelo de Estado Laico Brasileiro. A Constituição do Brasil outorga ao cidadão plena liberdade de crença e garante o livre exercício dos cultos e liturgias, além da proteção aos locais de adoração (Art. 5º). No artigo 19 está definida a separação entre o Estado e a igreja, mas ressalva na forma da lei, a colaboração de interesse público. Assim, embora o Estado brasileiro seja laico, ele não é ateu. Desde os primórdios, o ser humano tem a necessidade de cultuar a Deus (Sl 42.1), portanto, o Estado não pode negar a natureza religiosa do indivíduo.

SÍNTESE DO TÓPICO II
Uma das heranças do protestantismo é a separação do Estado da Igreja.

SUBSÍDIO TEOLÓGICO
“[...] A Reforma teve causas religiosas, econômicas, políticas, sociais, morais e éticas. O descrédito da Igreja crescera durante, pelo menos, dois séculos e já provocava rebeliões populares. Soberanos, senhores feudais, povo e até mesmo parte do clero já haviam alcançado um elevado grau de insatisfação. A mistura ar-combustível de nosso motor imaginário, sob forte pressão, aguardava apenas uma centelha para explodir. Iniciando a venda de indulgências na Alemanha, o domiciano Johann Tetzel (1465-1519) produziu a centelha que faltava. A ela, seguiu-se a publicação das 95 Teses de Lutero na porta da igreja de Wittenberg. Estava deflagrada a Reforma.
A indulgência era um documento que absolvia pecados. Se o pecador morresse, um parente poderia pagar por ele, abreviando-lhe o tempo de passagem pelo purgatório.
As interpretações da Reforma dependem do ponto de vista de quem a analisa. Sob a perspectiva política, foi uma rebelião contra a igreja católica, cujo chefe, o Papa, arvorara-se em vigário de Deus, líder acima da autoridade dos reis. Para os que privilegiam as causas morais, ela foi um esforço para deter a corrupção que invadira a hierarquia eclesiástica. Para os que acreditam no determinismo econômico, ela resultou da tentativa do papa em explorar economicamente a Alemanha” (FERREIRA, Paulo. A Reforma em Quatro Tempos: Desdobramentos na Europa e no Brasil. 1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2017, p. 14).

III – COMO O CRISTÃO DEVE LIDAR COM A POLÍTICA
O cristão precisa tomar cuidado com a “politicagem” e definir com temor a Deus a sua atuação política.

1. O perigo da politicagem. Os dicionários em geral conceituam politicagem como “política reles e mesquinha de interesses pessoais”. O perigo dos atos politiqueiros envolvendo os cristãos é colocar em descrédito o Evangelho e a Igreja. Assim, os políticos contrários às convicções cristãs não podem receber o apoio nem o voto da igreja. No cristianismo primitivo, a igreja em Corinto foi advertida a observar o seguinte princípio: “Não vos prendais a um jugo desigual com os infiéis; porque que sociedade tem a justiça com a injustiça? E que comunhão tem a luz com as trevas? E que concórdia há entre Cristo e Belial? Ou que parte tem o fiel com o infiel?” (2 Co 6.14,15).

2. Como delimitar a atuação da igreja. Os princípios éticos devem ser estritamente observados. O púlpito da igreja não pode dar lugar ao “palanque eleitoreiro”. É verdade que a igreja precisa de conscientização política, mas isso não significa ocupar o espaço de adoração e pregação da Palavra com campanhas políticas. Conscientização política é uma coisa, campanha política é outra. Esta não cabe no espaço de culto do Corpo de Cristo. Nesse sentido, a conscientização política da igreja deve ser fundamentada em princípios cristãos. Isso significa que o cristão deve analisar as propostas e as ideologias dos partidos políticos sob a ótica cristã (cf. Is 5.20).

3. Ajustando o foco da igreja. O povo de Deus não pode limitar-se a fazer oposição e oferecer resistência à iniquidade no poder temporal. Não pode depositar sua confiança e esperança nas decisões políticas. As lideranças devem incentivar o avivamento espiritual. O avivamento liderado por John Wesley (1703-1791) trouxe mudanças sociais significativas na Inglaterra, pois o mal realmente a ser combatido pela igreja é o pecado. Não podemos jamais perder a nossa consciência e natureza espiritual. Quando a mensagem de arrependimento for pregada ao mundo, então, vidas serão transformadas. O Espírito Santo terá liberdade para convencer os ouvintes do pecado, da justiça e do juízo (Jo 16.8). À medida que verdadeiras conversões a Cristo ocorrem, na mesma proporção, a nossa nação sofre transformações espirituais e sociais.

SÍNTESE DO TÓPICO III
O cristão deve lidar com a política com sabedoria e discernimento.

SUBSÍDIO BIBLIOLÓGICO
“Pensando em política para os cristãos
Infelizmente para os estudiosos cristãos, a Bíblia não é um livro didático de teologia política para o mundo moderno. Ela nos oferece poucas passagens explícitas sobre o papel adequado dos governos. Romanos 13.1-6 nos fala que os governos são estabelecidos por Deus e os cristãos devem se submeter à autoridade governante. Isso parece bastante claro, mas já no início de Atos descobrimos que Pedro e os apóstolos foram presos e encarcerados por pregar o Evangelho e fazer sinais e maravilhas. Então um anjo do Senhor organizou para eles uma fuga da prisão e ordenou-lhes que voltassem à arena pública e continuassem a quebrar a lei pregando o Evangelho. Quando arrastados de volta diante das autoridades, eles declararam: ‘Mas importa obedecer a Deus do que, aos homens’ (At 5.12-29). Aqui a Bíblia parece ensinar que, em algumas circunstâncias, temos de desafiar a autoridade governamental” (MCNUTT, Dennis. Panorama do Pensamento Cristão. 1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2001, p. 428, 178).

CONCLUSÃO
Diante do cerceamento de algumas liberdades, a igreja começou a despertar para a realidade política. As mudanças e as transformações sociais passam pelo processo político. Por que então não eleger candidatos verdadeiramente vocacionados para a vida pública e que reproduzam a moral cristã? Por que não apoiar políticos que rejeitam as leis contrárias aos princípios cristãos? Para tanto, a Igreja precisa ocupar o seu espaço e influenciar positivamente a sociedade (Mt 5.13-16).

PARA REFLETIR
A respeito do tema “Ética Cristã e Política”, responda:

Sobre o governo de todos os aspectos da vida humana, o que as Escrituras mostram?
Mostram que Deus intervém em nossa jornada diária, pois Ele “trabalha para aquele que nele espera” (Is 64.4). Nesse aspecto, a Bíblia mostra que o Altíssimo “remove os reis e estabelece os reis” (Dn 2.21), “porque não há autoridade que não venha de Deus; e as autoridades que há foram ordenadas por Deus” (Rm 13.1).

Que tipo de Estado vivemos hoje?
Vivemos num estado democrático de direito, onde tanto cidadãos quanto autoridades instituídas têm direitos e deveres mediante a carta constitucional do país, isto é, vivemos no império das leis, e por isso, devemos exercer o mesmo princípio de submissão ao Estado esposado pelo apóstolo Paulo em Romanos (Rm 13.1,2).

A partir do exemplo da nação de Israel, qual foi o resultado da união entre Igreja e Estado?
Á exemplo da deformação da nação de Israel, o início dessa união trouxe até benefícios, mas em seguida, essa mistura foi trágica.

O que implica o conceito de Estado Laico?
O conceito de Estado Laico é compreendido como a separação entre o Estado e a Igreja. Significa que um não pode interferir nas atividades do outro e vice-versa.

Qual o mal a ser combatido pela igreja?
O mal realmente a ser combatido pela igreja é o pecado.

CONSULTE
Revista Ensinador Cristão - CPAD, nº 74, p42.
Você encontrará mais subsídios para enriquecer a lição. São artigos que buscam expandir certos assuntos.

Fonte: CPAD, Revista, Lições Bíblicas Adultos, professor, Valores Cristãos – Enfrentando as questões morais de nosso tempo, Comentarista Douglas Baptista, 2º trimestre 2018.

Lição 12 Nossas atitudes diante da Palavra de Deus.


Lição 12 Nossas atitudes diante da Palavra de Deus.
17 de junho de 2018

Texto Áureo
Tiago 1.22
"E sede cumpridores da palavra, e não somente ouvintes, enganando-vos com falsos discursos”.

Verdade Aplicada
Não é suficiente ouvir e conhecer a Palavra de Deus, é preciso praticá-la em todas as áreas da vida.

Objetivos da Lição
Enfatizar que Deus se comunica com o homem através da Sua Palavra;
Ressaltar nossa relação com a Palavra de Deus como medida da nossa relação com Deus;
Mostrar que devemos ter disposição em praticar a Palavra de Deus.

Glossário
Infalível: Impecável, perfeito;
Interpolações: Introduzir palavras ou frases em texto, a fim de alterar, completar ou esclarecer seu sentido;
Relevância: De grande importância e interesse num contexto; pertinente; que se destaca ou se sobressai.

Leituras complementares
Segunda Ez 33.30-33
Terça Mt 7.24-27
Quarta Mt 12.46-50
Quinta Mt 22.23-29
Sexta Lc 11.27-28
Sábado Jo 8.30-37

Textos de Referência.
Tiago 1.21-25
21 Pelo que, rejeitando toda imundícia e superfluidade de malícia, recebei com mansidão a palavra em vós enxertada, a qual pode salvar as vossas almas.
22 E sede cumpridores da palavra e não somente ouvintes, enganando-vos com falsos discursos.
23 Porque, se alguém é ouvinte da palavra e não cumpridor, é semelhante ao varão que contempla ao espelho o seu rosto natural;
24 Porque se contempla a si mesmo, e se foi, e logo se esqueceu de como era.
25 Aquele, porém, que atenta bem para a lei perfeita da liberdade e nisso persevera, não sendo ouvinte esquecido, mas fazedor da obra, este tal será bem-aventurado no seu feito.

Hinos sugeridos.
306, 322, 505

Motivo de Oração
Ore ao Senhor para que dê sabedoria aos cristãos para discernir e praticar as Escrituras.

Esboço da Lição
Introdução
1. Deus se comunica com a humanidade.
2. A medida da nossa relação com Deus.
3. Atitudes para com a Palavra de Deus.
Conclusão

Introdução
A Bíblia é a Palavra de Deus, única regra de fé para a vida e o caráter do discípulo de Cristo. Como temos nos relacionado com a Palavra de Deus? Somos ouvintes e leitores esquecidos ou praticantes?

1. Deus se comunica com a humanidade.
Desde o princípio, o Senhor Deus decidiu falar com o ser humano, instruindo-o sobre como deveria viver no mundo criado por Ele e estabelecendo limites (Gn 1.26, 28; 2.16-17). É nítido na Bíblia que o Deus que criou continuou se comunicando com as pessoas, mesmo depois do pecado (Gn 3.8-9; 4.5-7).

1.1. O Deus criador se revelou.
Nesta lição nos deteremos na comunicação de Deus por intermédio de palavras, sejam orais ou escritas, considerando que, ao longo da história da humanidade, o Criador tem falado em várias ocasiões e de muitas maneiras (Hb 1.1). As obras da criação revelam a existência, a glória e o poder de Deus (Sl 19.1-40). A importância de refletirmos na comunicação de Deus conosco fica clara quando meditamos em alguns textos bíblicos acerca de Deus: Ele é Espírito (Jo 4.24); ninguém jamais viu a Deus (Jo 1.18); Ele é totalmente distinto de Sua criação (Is 40.18-23, 25-26) e diferente do homem (Sl 50.21).

Se Deus não se revelasse, o homem não poderia conhece-Lo por seu próprios meios (Rm 1.19-20). Diante da transcendência, grandeza e eternidade de Deus, precisamos da Sua revelação para conhece-Lo e nos relacionarmos com Ele (Jr 9.23-24).

1.2. A necessidade da revelação.
Por causa da realidade da natureza humana pecaminosa, todo o nosso ser é afetado (inclusive mente e coração), porém Deus, por Seu grande amor, age para que sejamos restaurados e possamos conhecer o que Ele tem revelado (Jr 24.7; 1Co 2.10-16). No entanto, há mistérios de Deus que estão além da capacidade humana de entender (Rm 11.33-36). Contudo, o que nos foi revelado, podemos e devemos ter interesse em conhecer e atentar (Dt 29.29). Interessante notar que este texto enfatiza a revelação e o propósito: “para cumprirmos”.

Desde Gênesis, aprendemos que não devemos nos deter nos mistérios divinos ainda não revelados a tal ponto que deixemos de cumprir e seguir o que já sabemos (Gn 3.5). Deus providenciou para que o revelado a nós fosse preservado escrevendo e ordenando o registro, a fim de contribuir para lembrança, transmissão e ensino às futuras gerações (Êx 17.14; 24.4, 12; 32.15-16; 34.2, 27-28). Ficando assim demonstrado que Deus espera do Seu povo a devida atenção quanto ao que foi revelado.

1.3. A relevância da revelação.
Os professores e escritores Gordon D. Fee e Douglas Stuart assim escreveram sobre a natureza da Escritura: “Porque a Bíblia é a Palavra de Deus, tem relevância eterna; fala para toda a humanidade em todas as eras e em todas as culturas. Porque é a Palavra de Deus, devemos escutar – e obedecer”. O próprio Senhor Jesus autenticou a revelação escrita de Deus, constante no Antigo Testamento, como Palavra de Deus (Mt 22.31-32; Mc 10.6; Lc21.22; 24-27, 32), indicando, assim, que era referencial para o Seu ministério e em assuntos de fé e conduta de Seus discípulos.

Sem a fundamentação na comunicação de Deus pela Sua palavra ficamos à mercê de modismos, percepções humanas, correndo o risco de sermos levados pelos ventos das invenções da intelectualidade decaída do homem. Como bem disse o Dr. Martyn Lloyde-Jones: “Ou eu me submeto à autoridade das Escrituras, ou então estou num Pântano onde não há pé”.

2. A medida da nossa relação com Deus.
A relevância da Palavra de Deus como medida da nossa comunhão com Deus pode ser atestada em dois textos da Bíblia bastante significativos, por encontrarem-se nos extremos do Livro Sagrado: Gênesis e Apocalipse.

2.1. A Palavra de Deus é completa.
Em Gênesis 3 encontramos a investida do inimigo para levar o primeiro casal a pecar. Ele iniciou justamente com um comentário, tentando distorcer e levantar dúvidas na mente da mulher quanto ao que Deus disse (Gn 3.1). O tentador, assim, procurou semear a falsa ideia de que a Palavra de Deus está sujeita ao julgamento humano. Interessante, agora, notarmos que a última exortação bíblica se refere à nossa relação com a Palavra de Deus (Ap 22.18-19). Em nossa relação com a Palavra de Deus não há espaço para produzirmos alterações ou edições, para inserirmos interpolações das nossas próprias ideias (Dt 4.2; 12.32). Em Gênesis, Eva acrescentou (3.3) e a serpente removeu (3.4).

Evidente que nossa relação com as Escrituras deve ir além do conhecimento meramente intelectual. É preciso acrescentar fé e um coração humilde e sincero. Um exemplo desta situação encontramos no diálogo dos saduceus (um dos partidos no tempo de Jesus que dominava a vida política dos judeus) com Jesus, acerca da ressurreição. Eles imaginavam que a crença na ressurreição se limitava à vida terrena. Eles tinham o Pentateuco, criam que era inspirado por Deus e até citaram a Escritura para Jesus (Dt 25.5-6). Porém, ao iniciar Sua resposta, Jesus diz que o erro deles era resultado de não conhecerem as Escrituras e nem o poder de Deus (Mt 22.29). Howard Hendricks, professor de Bíblia e Hermenêutica, escritor e pastor, escreveu: “Muitos de nós queremos uma palavra de Deus, mas não queremos a Palavra de Deus. Sabemos o bastante para possuirmos uma Bíblia, mas não o bastante para deixarmos que ela nos possua”.

2.2. Jesus Cristo é a Palavra.
A Palavra de Deus precisa fazer parte da nossa relação com Deus. Certa ocasião muitos judeus creram em Jesus. Então, quando manifestaram esta crença, o Senhor Jesus falou sobre a necessidade de eles permanecerem na Palavra de Jesus e de serem libertos (Jo 8.30-32). Porém, apesar de anteriormente terem crido nEle, não aceitaram a Palavra dEle. Jesus disse que a Palavra tinha que entrar neles (Jo 8.37). O Senhor Jesus falou que eles examinavam as Escrituras porque criam que nelas teriam a vida eterna, no entanto continuavam sem vida por terem rejeitado Aquele do qual as Escrituras testificavam (Jo 5.38-40).

Em um caso os judeus creram em Jesus, mas não creram nas Palavras de Jesus. Em outra situação os judeus creram nas Escrituras, mas não creram em Jesus. Dependemos da Palavra de Deus e do Espírito Santo para nos guiar em nossa comunhão com Deus. É preocupante quando uma pessoa diz ser discípulo de Jesus e não se interessa em ler, ouvir, meditar e aprender a Palavra de Deus. O que está guiando essa pessoa em sua relação com Deus? Seus pensamentos, intuições ou sentimentos?

2.3. A ação da Palavra no discípulo.
Jesus Cristo afirmou que aquele que tem comunhão com Deus escuta (ouve com atenção; valoriza; procura obedecer) as palavras de Deus (Jo 8.47). O apóstolo Paulo atestou que os efésios estavam em Cristo, pois antes eles tinham conhecido a palavra da verdade, ou seja, o Evangelho da salvação que lhes foi anunciado (Ef 1.13). A própria fé em Cristo para salvação é produzida a partir da Palavra de Deus (Rm 10.14-17). Interessante que Paulo cita uma profecia de Isaías para argumentar que alguns não são salvos não por desconhecerem a Palavra de Deus, mas por não acolherem a Palavra (Rm 10.16-19).

A reação às boas novas determina como será a comunhão com Deus. Assim escreveu John Stott acerca da importância da Bíblia: “Deus não nos deixou tateando às cegas na escuridão, mas deu-nos uma luz para indicar o caminho. Ele não nos abandonou debatendo-nos em mares revoltos; a Escritura é uma rocha na qual encontramos chão e firmeza. Nossa resolução deveria ser estuda-la, crer nela e obedecê-la”.

3. Atitudes para com a Palavra de Deus.
Jesus Cristo, em seus últimos momentos com Seus discípulos, antes da crucificação, já preparando os Seus discípulos quanto ao Seu retorno ao céu, admoesta-os quanto à necessidade de integrar conhecimento e prática (Jo 13.17). Não é apenas conhecimento. Não é apenas ouvir (Tg 1.22). Interessante neste texto da epístola de Tiago que o praticante e o não praticante ouviram a Palavra de Deus. No entanto, o que ouve e não pratica está enganando e iludindo a si próprio.

3.1. Conhecer e praticar.
Jesus relatou acerca de dois homens que ouviram as Suas palavras. Cada um construiu uma casa, sendo que um edificou sobre a rocha e outro edificou sobre a areia. Vindo a chuva, os ventos e o combate das águas contra as casas, a que estava sobre a rocha permaneceu e a que estava sobre a areia caiu. O Senhor fez então a comparação: quem ouve e pratica, edifica sobre a rocha; aquele que ouve e não pratica, edifica sobre a areia (Mt 7.24-25). O Pr Emerson da Silva, comentando acerca da obediência proposital à Palavra de Deus, escreveu: “Todo obediente ouve a Palavra, mas nem todo ouvinte obedece”.

Notemos a sequência registrada por Tiago: rejeitando – recebei – cumpridores (Tg 1.21-22). É necessário deixar tudo que possa sufocar a Palavra de Deus e recebe-la. Interessante que a palavra “mansidão”, transmite a ideia de “não resistência”; “submissão a Deus”, como resultado de uma firme confiança em Deus. Tal atitude deve conduzir-nos à prática da Palavra recebida. Atitudes e comportamentos coerentes com a Palavra de Deus resultando em bem-aventurança do discípulo de Cristo em todas as áreas de sua vida (Tg 1.25-27).

3.2. Disposição em praticar.
Se declaramos e cremos que a Palavra de Deus é a verdade e a revelação da vontade de Deus para nós, então a disposição em praticá-la deve preceder o conhecimento da mesma. Ou seja, o discípulo de Cristo precisa ir à Palavra com fé e disposição de obedecê-la. Encontramos esse princípio no Antigo Testamento, quando Deus falou por intermédio do profeta Isaías que o povo se aproximava dEle apenas com palavras, mas sem atitude e com o coração distante (Is 29.10-13). No Novo Testamento, quando estava falando com os judeus que questionavam a validade de Seus ensinamentos, Jesus respondeu dizendo que aquele que estivesse disposto a cumprir a vontade de Deus, iria saber ou conhecer acerca da doutrina de Deus (Jo 7.17).

É preciso “desejar fazer”. É um verbo que no grego indica “ação continuada ou repetida”. Há pessoas que decidem não cumprir a Palavra, mas, sim, o que imaginam ser melhor para elas. Ou seja, não estão dispostas a submeter seus planos e projetos ao crivo da Palavra. Procuram a Palavra apenas para buscar respaldo para suas atitudes independentes. Porém, há um alerta bíblico de que nenhuma profecia da Escritura provém de interpretação pessoal (2Pe 1.20). Um exemplo de decidir antes de conhecer o que diz a Palavra de Deus é Ismael e o povo que estava com ele no tempo de Jeremias, após a invasão e destruição de Jerusalém pela Babilônia (Jr 41.17; 42.1-6; 43.2-4). Eles foram ao profeta Jeremias para conhecer a Palavra de Deus acerca do caminho que deveriam seguir. Porém, quando a mensagem de Deus foi contrário à decisão que já haviam tomado (Jr 41.17), rejeitaram a Palavra de Deus.

3.3. Conhecimento, decisão e atitude.
O apóstolo Paulo afirma que “vira tempo” em que as pessoas não valorizar o verdadeiro ensinamento da Palavra de Deus, mas procurarão ouvir aquilo que está de acordo com seus pensamentos, suas vontades e conclusões pessoais (2Tm 4.3-4). Será que estamos vivendo este tempo? O discípulo de Cristo não deve buscar nas Escrituras apoio para sua decisão, mas busca-la para decidir e agir a partir do que Deus revelou em Sua Palavra (Sl 119.9, 11, 105). Também é possível decidir e agir, e, somente depois, procurar conhecer a vontade de Deus (1Cr 13.12).

Certa ocasião, o rei Davi perguntou como ele deveria conduzir a arca de Deus até Jerusalém (1Cr 13.12). Porém, ele somente buscou conhecer a maneira correta, após tentar agir fora das orientações de Deus e ter como resultado o fracasso, como registrado no mesmo capítulo. Mas, também, é um exemplo de arrependimento e humildade. Pois, tendo fracassado, não se afastou do Senhor, mas procurou, na palavra de Deus, as diretrizes para conduzir a arca. Ele reconheceu que é preciso decidir e agir a partir da Palavra de Deus para ser bem-sucedido.

Conclusão.
Que Deus nos conceda a bênção de sermos cheios do conhecimento da Sua vontade, com sabedoria e inteligência espiritual, a fim de que tenhamos um viver digno, agradando ao Senhor, sendo frutíferos e crescendo no conhecimento do Senhor, conforme exposto em Jeremias 9.24.

Questionário.
1. O que as obras da criação revelam?
R: A existência, a glória e o poder de Deus (Sl 19.1-4).

2. O que encontramos em Gênesis 3?
R: A investida do inimigo para levar o primeiro casal a pecar (Gn3).

3. O que precisa fazer parte da nossa relação com Deus?
R: A Palavra de Deus (Jo 8.30-32).

4. O que faz aquele que tem comunhão com Deus?
R: Escuta as palavras de Deus (Jo 8.47).

5. O que está fazendo aquele que ouve e não pratica a Palavra de Deus?
R: Está enganando e iludindo a si próprio (Tg 1.22).

Fonte: Revista de Escola Bíblica Dominical, Betel, Aperfeiçoamento Cristão – Propósito de Deus para o discípulo de Cristo. Adultos, edição do professor, Comentarista Pastor Marcos Sant’Anna da Silva 2º trimestre de 2018, ano 28, Nº 107, publicação trimestral, ISSN 2448-184X.