segunda-feira, 4 de junho de 2018

Lição 11 Ética Cristã, Vícios e Jogos.


Lição 11 Ética Cristã, Vícios e Jogos.
10 de Junho de 2018
 Dia do Pastor

TEXTO ÁUREO
(Pv 15.16)
Melhor é o pouco com o temor do Senhor, do que um grande tesouro

VERDADE PRÁTICA
Deus não criou o ser humano para ser escravo dos vícios nem dos jogos, pois segundo a Palavra de Deus, não podemos ser dominados por coisa alguma.

LEITURA DIÁRIA
Segunda – Pv 31.4,5
A embriaguez perverte o direito e o bom senso
Terça – 1 Co 6.10
Os viciados não herdarão o Reino de Deus
Quarta – Jr 17.5-7
As Escrituras condenam o colocar toda a confiança no ser humano
Quinta – 1 Sm 2.6; Ef 5.29,30
Maltratar o próprio corpo é ultrajar o Senhor da vida
Sexta – Tt 2.12
O cristão é exortado a viver sobriamente
Sábado – Sl 112.1-5
O homem que teme ao Senhor é bem-aventurado

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE
Provérbios 28.1-10
1 – Fogem os ímpios, sem que ninguém os persiga; mas qualquer justo está confiado como o filho do leão.
2 – Por causa da transgressão da terra, muitos são os seus príncipes, mas, por virtude de homens prudentes e sábios, ela continuará.
3 – O homem pobre que oprime os pobres é como chuva impetuosa, que não deixa nenhum trigo.
4 – Os que deixam a lei louvam o ímpio; mas os que guardam a lei pelejam contra eles.
5 – Os homens maus não entendem o juízo, mas os que buscam o SENHOR entendem tudo.
6 – Melhor é o pobre que anda na sua sinceridade do que o de caminhos perversos, ainda que seja rico.
7 – O que guarda a lei é filho sábio, mas o companheiro dos comilões envergonha a seu pai.
8 – O que aumenta a sua fazenda com usura e onzena ajunta-a para o que se compadece do pobre.
9 – O que desvia os seus ouvidos de ouvir a lei, até a sua oração será abominável.
10 – O que faz com que os retos se desviem para um mau caminho, ele mesmo cairá na sua cova; mas os sinceros herdarão o bem.

OBJETIVO GERAL
Explicar que Deus não criou o ser humano para ser escravo dos vícios nem dos jogos.

HINOS SUGERIDOS: 75, 235, 432 da Harpa Cristã

OBJETIVOS ESPECÍFICOS
Abaixo, os objetivos específicos referem-se ao que o professor deve atingir em cada tópico. Por exemplo, o objetivo I refere-se ao tópico I com os seus respectivos subtópicos.

Apresentar os vícios como degradação da vida humana;
Compreender que os jogos de azar são uma armadilha para a família;
Conscientizar a respeito da forma correta do crente viver: uma vida sóbria, honesta e fiel a Deus.

INTERAGINDO COM O PROFESSOR
O Senhor Jesus morreu e ressuscitou para nos libertar da escravidão do pecado. Pela fé no Salvador nos tornamos livres, por isso não podemos nos colocar novamente debaixo de jugo algum. O vício, seja ele qual for, escraviza a pessoa. Os jogos de azar assim como o vício da bebida têm destruído milhares de vidas. Atualmente, é grande o número de pessoas não crentes que foram seduzidos pelo uso de bebidas alcoólicas. Segundo uma pesquisa, no Brasil o consumo de álcool já é maior do que o consumo de leite. O alcoolismo não é somente um vício, mas uma doença que precisa de tratamento. Essa não é uma prática inocente, por isso, resista ao mal.

COMENTÁRIO
INTRODUÇÃO
A Bíblia Sagrada enaltece a vida moderada, o trabalho honesto e a boa administração da família (1 Co 10.23; 1 Tm 5.8). Desse modo, as Escrituras eliminam a possibilidade de o cristão envolver-se na prática dos vícios ou jogos de azar. No entanto, as estatísticas indicam dados alarmantes acerca dos prejuízos provocados pela prática desse mal em nossa sociedade.

PONTO CENTRAL
Todo vício escraviza, por isso, a Palavra de Deus nos adverte a evitá-los.

I – VÍCIOS: A DEGRADAÇÃO DA VIDA HUMANA
Tudo o que escraviza o homem e o faz perder seus valores é denominado de vícios que resultam na degradação da essência humana.

1. O pecado do alcoolismo. O consumo do álcool é tanto um vício como um pecado (Lc 21.34; Ef 5.18; 1 Co 6.10). Como consequência, a embriaguez altera o raciocínio e o bom senso (Pv 31.4,5). Além de retirar a inibição da pessoa, o álcool faz com que ela perca “a motivação para fazer o que é certo” (Os 4.11), levando-a a pobreza e a graves problemas de saúde (Pv 23.21,31,32). Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam o alcoolismo como a terceira causa de morte no mundo. Pesquisas de 2015 indicam que no Brasil a cada 36 horas um jovem morre vítima do consumo abusivo do álcool. Cerca de 60% dos índices de cirrose hepática entre os brasileiros têm relação com o álcool. Diante desses fatos a igreja deve posicionar-se contra o alcoolismo e trabalhar na prevenção ao vício. O problema é de ordem espiritual, médica e psicológica. Infelizmente, muitas pessoas fazem uso da bebida alcoólica como um meio de fugir de seus problemas. Por isso, precisamos sair da clausura dos templos e anunciar que Cristo produz vida (Jo 10.10) e concede paz à alma (Jo 14.27).

2. A escravidão das drogas. As drogas são substâncias químicas que provocam alterações no organismo. Essas substâncias causam dependência e o consumo excessivo provoca morte por overdose. As drogas afetam também o funcionamento do coração, do fígado, dos pulmões e até mesmo do cérebro. As drogas ilícitas mais comuns são a maconha, a cocaína, o crack e o ecstasy. As chamadas drogas lícitas como o álcool e o cigarro são igualmente prejudiciais à saúde. Em 2016, o Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime divulgou que quase 200 mil pessoas morrem anualmente em todo o mundo devido ao consumo de drogas. O Brasil apresenta uma média de 30 mil mortes por ano devido ao tráfico de drogas. As pessoas usam drogas principalmente para alterar o estado de espírito em busca de paz. Entretanto, as drogas agridem o corpo, que é templo do Espírito Santo (1 Co 6.19,20). O cristão não deve usar nem participar de movimentos que visam legalizar as drogas. Seria uma tragédia generalizada!

SÍNTESE DO TÓPICO I
Os vícios levam a degradação física, emocional e espiritual.

SUBSÍDIO TEOLÓGICO
“A droga ilícita é aquela que, consumida recreativamente ou criminosamente, prejudica não apenas o usuário, entorpecendo-lhe os sentidos e arrancando-o à realidade, mas também os que se acham ao seu alcance. Se considerarmos rigorosamente essa definição, incluiremos, nessa classe, as bebidas alcoólicas e os cigarros. Apesar de vendidos livremente, prejudicam a saúde e reduzem drasticamente a expectativa de vida do viciado. Os produtos etílicos, aliás, vêm sofrendo pesadas restrições no Brasil, devido aos muitos acidentes que provocam no trânsito.
Nenhuma droga, até mesmo as terapêuticas, pode ser consumida recreativa ou criminosamente. Num primeiro momento, recreação; no instante seguinte, crime. Por isso, as substâncias extraídas das plantas e utilizadas pela medicina têm de ser controladas de forma rigorosa. O remédio que cura, tomado sem a devida prescrição, pode matar. Se as bebidas alcoólicas e os cigarros precisam ser controlados, o que não diremos da maconha, da cocaína e de outros psicotrópicos?
O uso de drogas, hoje, transformou-se numa religião informal que, pouco a pouco, vai se formalizando aqui e ali, inclusive com o apoio oficial. O que certos governos ainda não sabem é que o lucro que se obtém com os entorpecentes nada é se comparado aos prejuízos que estes acarretam. Vivemos dias semelhantes aos do Faraó do Êxodo. Até mesmo mandatários acham-se enfeitiçados pelas drogas” (ANDRADE, Claudionor de. As Novas Fronteiras da Ética Cristã.1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2015, pp. 178-180).

II – JOGOS DE AZAR: UMA ARMADILHA PARA A FAMÍLIA
Tudo o que abarca investimento sem retorno garantido, descomprometido com a ética e a moral, resulta em sérios prejuízos para a família.

1. A ilusão do ganho fácil. A sedução dos jogos de azar ocorre pela esperança de se obter lucro instantâneo. As pessoas são atraídas pela ilusão de ganhar dinheiro rápido e fácil sem o esforço do trabalho. Jogam na expectativa de tirar a sorte grande e, assim, resolver problemas financeiros. Ciente dessa realidade, o Estado não consegue ser eficaz no combate à jogatina. E ainda existem os jogos eletrônicos, bem como os ilegais como caça-níqueis e o jogo do bicho, entre outros. É um sistema que lucra e lucra muito. Mas os jogadores tornam-se compulsivos, endividam-se, arruínam a família e a própria vida. Depositar a esperança na sorte é pecado e implica não confiar na providência divina (Jr 17.5-7).

2. Os males dos jogos na família. Os jogos de azar causam destruições irreparáveis no ambiente familiar. O jogo vicia e escraviza a ponto de migrar todos os recursos de uma família para o pagamento de dívidas contraídas pelo jogador. Nele, o benefício de um depende diretamente do prejuízo do outro e, normalmente, são as pessoas de baixa renda que sustentam a jogatina. Esses jogos fomentam a preguiça, a corrupção, a marginalidade, a agiotagem, a violência e a criminalidade. Os jogadores compulsivos descem ao nível mais baixo para continuar alimentando o vício da jogatina. Em muitos casos tais jogadores perdem seus empregos, o respeito de seus amigos e até o amor de suas famílias. As Escrituras nos advertem a zelar pela família (1 Tm 3.4,5) e não cair em armadilhas, pois “um abismo chama outro abismo” (Sl 42.7).
3. As consequências para a saúde. Os jogos de azar, assim como o álcool, o cigarro e as demais drogas causam dependência psíquica e química respectivamente. Em 1992, a OMS concluiu que jogar os jogos de azar faz mal a saúde, incluindo o jogo compulsivo no Código Internacional de Doenças (CID). Quando em crise de abstinência, o jogador sofre com tremores, náuseas, depressão e graves problemas cardíacos. Cerca de 80% dos viciados em jogos de azar relatam algum tipo de ideação suicida como uma forma de fugir da vergonha moral e de suas dívidas. Tal como outros viciados, os jogadores compulsivos tendem ao desenvolvimento de doenças psiquiátricas. Maltratar o próprio corpo é insensatez e afronta contra o dom da vida outorgado por Deus (1 Sm 2.6; Ef 5.29,30).

SÍNTESE DO TÓPICO II
Os jogos de azar são uma armadilha e levam a disfunção familiar.

CONHEÇA MAIS
*Não!: aos vícios
“Não é comum vermos um crente em Jesus Cristo na jogatina, viciado em bebida, drogas, ou em outro tipo de agente destruidor da moral, dos bons costumes ou da saúde. Mas há muitas pessoas que são tentadas a buscar o ganho fácil, atendendo a sugestões de pessoas incrédulas, que não se pautam pela ética cristã, baseada na Bíblia Sagrada.” Para conhecer mais leia “Ética Cristã: Confrontando as Questões Morais do Nosso Tempo”, CPAD, p.178.

SUBSÍDIO TEOLÓGICO
“De acordo com o pastor Tony Evans, em seu livro Loteria e Jogos de Azar, há alguns problemas a se considerar:
O primeiro problema é o da cobiça, ou ambição (1 Tm 6.1). Em Provérbios 28.22, lemos: ‘Aquele que tem um olho mau corre atrás das riquezas, mas não sabe que há de vir sobre ele a pobreza’.
O segundo problema é o da confiança. Se a pessoa recorre a jogos, ou à ‘sorte’, é porque não confia na providência divina.
O terceiro problema é o da ‘produtividade’, ou seja, do trabalho eficaz. Se o crente resolve jogar, pensando em deixar de trabalhar, isso não é correto. Em Efésios 4.28, lemos: ‘Aquele que furtava não furte mais; antes, trabalhe, fazendo com as mãos o que é bom, para que tenha o que repartir com o que tiver necessidade’.
O quarto problema é o da sabedoria. Sabemos que a jogatina baseia-se no fato de quanto mais pessoas jogam, menos delas têm condições de ganhar, os barões da loteria é que lucram. A maioria perde. O crente deve edificar sua casa com sabedoria, e não com o jogo de azar.
O quinto problema é o do vício. O vício do jogo leva a pessoa a uma compulsão, que a obriga a jogar mais e mais, na esperança de superar as perdas. O indivíduo torna-se escravo do jogo. Começa com dinheiro, depois entrega a roupa, os sapatos, o relógio, os bens, e por fim, a honra, a dignidade” (LIMA, Elinaldo Renovato de. Ética Cristã: Confrontando as Questões Morais do Nosso Tempo. 9.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2015, pp. 188, 189).

III – VIVAMOS UMA VIDA SÓBRIA, HONESTA E FIEL A DEUS
A vitória do cristão contra os vícios e os jogos de azar engloba a sobriedade, a honestidade e a fidelidade ao autor da vida.

1. A bênção da sobriedade. A expressão grega nephálios refere-se à sobriedade em relação ao consumo de bebidas alcoólicas. O dicionário indica que, ao contrário de embriagado, a palavra se aplica a pessoa que está esperta, consciente e capacitada a discernir. O termo também é usado para identificar a vida equilibrada. Trata-se da virtude do que controla as paixões da carne (Gl 5.24). Desse modo a sobriedade abrange o comportamento moderado, a mente sã, o bom juízo e a prudência (Rm 12.3; 1 Tm 1.5; 2 Tm 1.7). A orientação bíblica é de abstinência de toda a imundícia, inclusive a dos vícios e a dos jogos de azar (Tt 2.12). Observemos a exortação do apóstolo quanto ao vinho (Ef 5.18).

2. Honestidade e fidelidade. Uma pessoa honesta não explora o seu próximo, mas conduz seus negócios temendo ao Senhor (Sl 112.1-5). Não retira seu sustento da jogatina à custa de quem perde dinheiro nos jogos de azar, enganando-o e defraudando-o (1 Ts 4.6). O verdadeiro cristão não busca amparo na sorte, mas provê a si e sua família por meio do trabalho honesto, com o “suor do rosto” (Gn 3.19). A fidelidade do cristão é com a Palavra de Deus. Mesmo que alguns vícios e jogos de azar sejam lícitos pelas leis do Estado, o salvo em Jesus não se permite contaminar. Os ensinos e os princípios bíblicos devem pautar a vida dos que são fiéis ao Senhor (Sl 119.105).

SÍNTESE DO TÓPICO III
O crente deve viver uma vida sóbria, honesta e fiel a Deus.

SUBSÍDIO BIBLIOLÓGICO

“O Cristão, os Vícios e os Jogos
Não é comum vermos um crente em Jesus Cristo na jogatina, viciado em bebida, drogas, ou em outro tipo de agente destruidor da moral, dos bons costumes ou da saúde. Mas há muitas pessoas que são tentadas a buscar o ganho fácil, atendendo as sugestões de pessoas incrédulas, que não se pautam pela ética cristã, baseada na Bíblia Sagrada.
Um certo irmão, numa igreja, foi visto por diversas vezes, num local de ‘jogo do bicho’. Indagado a respeito, respondeu que não havia nada demais, alegando que gastava apenas uma pequena importância, tentando ‘fazer uma fezinha’, com o intento de aumentar sua renda de uma hora para outra. Mas essa não é a vontade de Deus para seus filhos. Além dos jogos, os vícios são inimigos corriqueiros que atacam lares em todo o mundo, destruindo vidas e famílias. Eles também prejudicam lares cristãos. Na época em que vivemos, há uma onda de liberalismo, que não vê pecado em quase nada, e favorece práticas perigosas, que podem levar à destruição espiritual, disfarçadas de ‘coisas que não têm nada a ver’. Meditemos neste tema, buscando um entendimento com base na Palavra de Deus” (LIMA, Elinaldo Renovato de. Ética Cristã: Confrontando as Questões Morais do Nosso Tempo. 9.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2015, pp. 177, 178).

CONCLUSÃO
Os vícios e os jogos de azar, legais ou ilegais, são práticas reprováveis e prejudiciais à sociedade. Os vícios escravizam e destroem as vidas e as famílias. De igual modo o fazem os jogos de azar. Portanto, o cristão deve abster-se da prática de qualquer vício, dedicando-se ao trabalho honesto para o sustento de sua casa. Cabe ao salvo resistir ao pecado e não se deixar dominar por coisa alguma (1 Co 6.12).

PARA REFLETIR
A respeito do tema “Ética Cristã, Vício e Jogos”, responda:

Qual a consequência da embriaguez?
Como consequência, a embriaguez altera o raciocínio e o bom senso (Pv 31.4,5).

As drogas causam alterações no organismo. Que alterações são essas?
Sim. Elas afetam também o funcionamento do coração, do fígado, dos pulmões e até mesmo do cérebro.

O que motiva a sedução dos jogos de azar?
A sedução dos jogos de azar ocorre pela esperança de se obter lucro instantâneo. As pessoas são atraídas pela ilusão de ganhar dinheiro rápido e fácil sem o esforço do trabalho.

O que os jogos de azar causam no ambiente familiar?
Os jogos de azar causam destruições irreparáveis no ambiente familiar.

 Complete: “Uma pessoa honesta não explora o seu próximo, mas conduz seus negócios temendo ao Senhor (Sl 112.1-5).”


CONSULTE
Revista Ensinador Cristão - CPAD, nº 74, p41.
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Fonte: CPAD, Revista, Lições Bíblicas Adultos, professor, Valores Cristãos – Enfrentando as questões morais de nosso tempo, Comentarista Douglas Baptista, 2º trimestre 2018.

Lição 11 FIRMES NA VERDADE E NA GRAÇA DE DEUS


Lição 11 FIRMES NA VERDADE E NA GRAÇA DE DEUS
10/06/2018
DIA DOPASTOR

Texto do dia
(2 Ts 2.16)
"E o próprio nosso Senhor Jesus Cristo, e nosso Deus e Pai, que nos amou e em graça nos deu uma eterna consolação e boa esperança."

Síntese
Em tempos de crise a melhor mensagem que pode ser anunciada a uma comunidade é a de consolação.

Agenda de leitura
SEGUNDA - 2 Ts 2.13
Deus nos elegeu para a salvação
TERÇA - Cl 1.28
Em Jesus somos aperfeiçoados
QUARTA - Ef 5.1
Devemos ser imitadores de Cristo
QUINTA - Rm 6.4
Somos chamados para novidade de vida
SEXTA - Sl 4.8
Somente Deus nos faz habitar em segurança
SÁBADO - Pv 4.23
Devemos guardar o coração

Objetivos
RECONHECER o ensino da Trindade presente em 2 Tessalonicenses;
MOSTRAR as causas da firmeza espiritual de um cristão;
REFLETIR a respeito do consolo de Deus em nossas vidas.

Interação
Caro professor, como é sua relação com seus educandos? Você tem proximidade com eles? Você é uma referência entre os jovens de sua igreja? Você faz com que sua relação com seus educandos extrapolem os momentos da Escola Dominical? A partir de suas respostas a estas questões é possível realizar um diagnóstico de sua atuação como educador cristão; afinal de contas, não atuamos na ED em busca de um salário ou reconhecimento humano, mas para servir ao Reino de Deus - manifesto em cada pessoa e igreja local.
Procure desenvolver uma rede de relacionamentos com os jovens de sua igreja, faça projetos em articulação com a liderança do ministério de jovens, procure ser mais um instrumento de Deus para abençoar a igreja onde você exerce seu chamado para o ensino da Palavra de Deus.

Orientação Pedagógica
Que tal realizar uma aula em campo? Claro, isso exige toda uma organização prévia: comunicação antecipada aos educandos para que ninguém seja pego de surpresa; pesquisa a respeito do lugar ideal (de preferência visite o local antecipadamente); organização da dinâmica de aula (haverá lanche depois da aula? Que horas começa e quando termina a aula? Haverá louvor? Quem levará um violão?); pense também em como se dará o deslocamento de cada aluno para o local da aula.
Tudo é motivo de alegria e empolgação para os jovens, por isso não é necessário que a aula seja num local distante ou luxuoso, a casa de um dos jovens, um outro espaço coletivo da igreja, ou mesmo um ambiente público fora da igreja, mas agradável para a aula.
Esta também é uma ótima oportunidade para convidar amigos, jovens não matriculados na Escola Dominical e até não evangélicos para um contato com a Palavra de Deus.

Texto bíblico
2 Tessalonicenses  2.13-17
13 Mas devemos sempre dar graças a Deus, por vós, irmãos amados do Senhor, por vos ter Deus elegido desde o princípio para a salvação, em santificação do Espírito e fé da verdade;
14 para o que, pelo nosso evangelho, vos chamou, para alcançardes a glória de nosso Senhor Jesus Cristo.
15 Então, irmãos, estai firmes e retende as tradições que vos foram ensinadas, seja por palavra, seja por epístola nossa.
16 E o próprio nosso Senhor Jesus Cristo, e nosso Deus e Pai, que nos amou e em graça nos deu uma eterna consolação e boa esperança,
17 console o vosso coração e vos conforte em toda boa palavra e obra.

COMENTÁRIO
INTRODUÇÃO
A parte final do segundo capítulo de 2 Tessalonicenses trata a respeito do destino que Deus tem para os santos, em comparação com o que vinha sendo tratado anteriormente a respeito  do estado final dos desobedientes (2 Ts 2.10-12). Os santos serão alcançados pelo amor eterno do Pai. Paulo discorre por que os santos devem permanecer em paz e tranquilidade. Nesse esforço de fundamentar o consolo sempiterno de Deus para o justo, o apóstolo constrói uma magnífica referência à Trindade. Nos versículos 13 e 14, Paulo demonstra que o penhor da salvação é constituído por meio de uma obra realizada pelas três pessoas da trindade: Pai, Filho e Espírito Santo.

I- A AÇÃO DA TRINDADE NA VIDA DO SALVO?

1. Eleitos pelo Pai (v.13). A obra da salvação não é uma realização desprovida de sentido, como se fosse uma saída de improviso realizada por um Deus que teria sido pego de surpresa diante do pecado do primeiro casal. O Pai em sua bondade nos elegeu por meio de seu Filho Unigênito Jesus Cristo desde antes da fundação do mundo (Ef 1.4). O fato de o Cordeiro ter sido morto desde a fundação do mundo (Ap 13.8), nos mostra o propósito eterno de Deus em prover salvação à humanidade. Somos eleitos pelo sacrifício do Filho e não há outro caminho para nós. Nunca possuiríamos méritos suficientes para fazermo-nos dignos da salvação, pois esta é uma obra exclusiva de Deus. Portanto, uma vez conscientes disso, devemos operosamente desenvolver nossa salvação (Fp 2.12). Não desprezemos a obra de Cristo por nós e já manifesta em nós, antes; vivamos como filhos da luz, nascidos do alto, restaurados em Cristo.

2. Santificados pelo Espírito (v. 13b).  Uma vez chamados à salvação pelo Pai, é o Espírito Santo, que numa obra de transformação contínua, faz Cristo manifesto em nós (Cl 1.27,28). Como prometido por Jesus, não estamos órfãos neste mundo, temos a presença acalentadora do Santo Espírito que, numa relação simultânea de consolação e orientação, guia nossa trajetória no curso de nossa jornada ao céu (Jo 14.18; 16.7-11). Nossa luta cotidiana contra as astutas ciladas do inimigo somente pode ser superada por meio da ação do Espírito em favor de nós, o qual constantemente aperfeiçoa-nos o caráter de modo a tornarmo-nos, progressivamente, imitadores de Deus manifestando cada vez mais nossa condição de filiação (Ef 5.1). A ação do Espírito é incessante em nossa vida, pois enquanto estivermos no caminho para o céu temos muito o que nos aperfeiçoar (2 Co 7.1).

3. Vocacionado para a glória do Filho. A promessa feita por Jesus a nós é que onde Ele estiver (na eternidade) nós estaremos com Ele (Jo 14.3).  A oração do Mestre ao Pai em nosso favor era para que nós fôssemos participantes da glória que Ele vivenciara antes da fundação do mundo (Jo 17.24). Não possuímos uma vocação para uma vida imortal aqui na terra; ao contrário, somos convidados a abandonar todas as coisas que aqui são perecíveis e passageiras em nome de uma chamada para aquilo que é eterno. O ponto áureo da salvação não é a isenção de sofrimentos terrenos ou a promessa de galardões celestiais; o ápice da redenção é a certeza de que experimentaremos uma eternidade na presença de Jesus, em comunhão com Ele. Nosso maior bem é o Senhor, e todas as demais coisas, na presença dEle, constituem-se em nada.

II- A FIRMEZA DO CRISTÃO

1. Persistência no ensino dos apóstolos. Diante de um quadro de falsas profecias no seio da igreja local e charlatões da fé, é necessário fixar um ponto de segurança. Tal ponto, sem dúvida alguma, é a Bíblia Sagrada. Essa foi uma exortação paulina à Igreja em Tessalônica (vv.15,17). Para evitar a propagação de heresias e falsos ensinos, Paulo recomendou àquela comunidade que persistisse no modelo de cristianismo que havia recebido, tanto por meio do testemunho vivo dos pregadores do genuíno Evangelho, como por meio das orientações escritas que já circulavam pelas igrejas. Nossa fé, para ser madura, precisa ter alicerces sólidos, e a Palavra é o melhor e mais confiável de todos (Lc 6.46-49).

2. Convicção nas tradições. Para além da doutrina - infalível, imutável e fundamentada exclusivamente nas Escrituras - cada igreja local possui uma série de costumes e tradições que garante o bem-estar dos relacionamentos locais. A orientação do apóstolo é que os tessalonicenses também se mantenham firmes nessas práticas (v.15). Há em nossa geração um "culto ao novo", de tal maneira que alguns líderes de jovens procuram incessantemente a fórmula para o culto perfeito. Nesta busca desenfreada o culto virou "balada" e muitos jovens estão se perdendo. Precisamos de novidade de vida (Rm 6.4), e não apenas de coisas novas. Não devemos ter vergonha de nossas tradições, pois foram elas que nos trouxeram até onde estamos. Não precisamos de novos costumes, basta nos revestirmos de significado para este tempo.

3. Confirmados em boas obras.
A salvação de Deus em nossa vida produz um impulso positivo para a prática de boas obras (Ef 2. 10). A fé dos tessalonicenses seria comprovada por meio da adoção de um estilo de vida que espelhasse o testemunho de Cristo. Para usar uma metáfora paulina podemos dizer que demonstrar nossa comunhão com Jesus na sociedade atual é similar a exalar uma excelente fragrância (2 Co 2.15). O mundo ao nosso redor não conhece a Cristo e de muitos modos rejeita sua Palavra, cabe-nos então, por meio de uma vida piedosa e edificante, pregar o Evangelho sempre, inclusive quando estivermos em silêncio. Não se pode esconder uma cidade construída sobre uma montanha, os sinais de sua existência manifestam-se de modo natural (Mt 5.14). Assim, aquilo que somos espontaneamente se revela em nosso falar e proceder.

III- O CONSOLO DE DEUS AOS SANTOS

1. Confortados em amor e graça. Tendo refletido anteriormente a respeito do final dos injustos (2 Ts 2.10-12) e sobre a bênção eterna da salvação, Paulo fala a respeito do consolo dos cristãos. A fonte do conforto anunciado pelo apóstolo não são as circunstâncias humanas favoráveis ou os bens materiais que aqueles irmãos poderiam possuir, mas a maravilhosa graça e o grande amor de Deus.
2. Eternamente consolados. Deus deseja construir algo de eterno em nós. Por isso, o Espírito que nos consola é eterno (Hb 9.14). O Reino para onde somos chamados é eterno (2 Pe 1.11), o propósito dEle para conosco é eterno (Ef 3.11). Mas não apenas isso, o consolo que o Senhor oferece-nos é sem fim (2 Ts 2.16). Por isso, não devemos nos angustiar se, por alguma circunstância aleatória, as coisas não estão conforme nossos planos. Devemos crer que o amanhã que nos está preparado é sem lágrimas, desesperos ou medos (Rm 8.18). Se é para a eternidade que somos vocacionados, não devemos nos iludir com os efêmeros encantos que este mundo pode nos oferecer.

3. Intimamente aliviado. O alívio que Paulo anuncia a Igreja em Tessalônica é algo profundo, manifesto no interior dos irmãos; é consolo para o coração (2 Ts 2.17). Vivemos em tempos difíceis.  De uma maneira geral, as pessoas teatralizam suas vidas: fingem ser felizes, mascaram seus medos, fazem de suas vidas uma patética representação. Não foi para exterioridades que o Senhor nos vocacionou. Deus nos chamou para uma restauração interior. Chega de superficialidade! O Evangelho é algo mais profundo. Está diretamente relacionado com o nosso ser, nosso interior, nosso coração.

A salvação de Deus em nossa vida produz um impulso positivo para a prática de boas obras.

SUBSÍDIO 1
"Paulo sabia que os tessalonicenses iriam enfrentar pressões das perseguições, dos falsos pregadores ou ensinadores, do materialismo, e da apatia. Eles se sentiriam tentados a se afastar da verdade e até mesmo a deixar a fé. Com tudo isto em mente, Paulo insistiu para que eles estivessem firmes e retivessem as tradições que lhes tinham sido ensinadas por ele e por seus cooperadores. Os tessalonicenses tinham recebido muito ensino pessoalmente, e tinham também as cartas de Paulo. Eles precisariam se agarrar à verdade que lhes tinha sido ensinada.
Por intermédio da sua graça. Deus e Cristo deram aos crentes uma eterna consolação e boa esperança. O cristianismo não é uma crença de perguntas e preocupações, nem uma crença na qual os crentes precisem esperar até o final para ver se conseguirão alcançar o objetivo maior. Na verdade, os crentes recebem esperança e incentivo com a certeza das promessas de Deus. Entretanto, orar pelos crentes de todas as partes é algo que sempre será útil, especialmente por aqueles que enfrentam perseguições por causa da sua fé, para que Deus os console e lhes dê conforto para que continuem fazendo a boa obra" (Comentário do Novo Testamento Aplicação Pessoal. Vol 2. 1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2010. p. 468).

SUBSÍDIO 2
"Algumas pessoas questionam a conclusão de que Tomás de Aquino considerava a Bíblia como única revelação de Deus à Igreja apelando para o seu comentário sobre 2 Tessalonicenses 2.15, no qual ele diz que "muita coisa não foi escrita pelos apóstolos e que, portanto, também devem ser observadas". Entretanto, esta interpretação despreza o contexto e o restante da sua citação (de 1 Co 11.34), na qual Paulo diz: 'Quanto às demais coisas, ordená-las-ei quando for ter convosco'. No contexto dos apóstolos vivos, sim, havia ainda autoridade apostólica não-escrita. Entretanto, depois da morte deles, Tomás de Aquino jamais parece se referir a qualquer tipo de autoridade apostólica ou revelatória que excedesse a Bíblia. A sua única referência isolada (em Jó) à queda do Diabo como sendo parte da 'tradição da igreja' pode facilmente ser compreendida como 'ensino' da igreja baseado nas Sagradas Escrituras. Afinal de contas, Tomás de Aquino cria que muitas passagens bíblicas claramente ensinam a queda de Satanás tanto antes (cf. Gn 3) quanto depois de Jó (cf. Ap 12), e ele próprio as cita" (GEISLER, Norman. Teologia Sistemática. Vol 1. 1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2010. p. 272).

ESTANTE DO PROFESSOR
BRANDT, Robert L e BICKET, Zenas. Teologia Bíblica da Oração. 1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2007.

CONCLUSÃO
As palavras de Paulo àquela comunidade tinham como objetivo o desenvolvimento sadio dos crentes. Eles nem deveriam angustiar-se quanto às coisas futuras, muito menos estarem aflitos com relação ao seu estado eterno. Consolo é a palavra-chave para entender este momento da escrita apostólica aos irmãos em Tessalônica. Que a certeza de consolo para aqueles irmãos fortaleça também nossos corações.

Hora da revisão.

De que modo pode-se fazer uma correlação entre a parte final do segundo capítulo de 2 Tessalonicenses e o momento inicial do texto?
A porção final do segundo capítulo de 2 Tessalonicenses é um esforço paulino em demonstrar o destino que Deus tem projetado aos santos. Os santos serão alcançados pelo amor eterno do Pai.

De que modo pode-se perceber a operação da Trindade na salvação do justo em 2 Tessalonicenses?
Somos eleitos pelo Pai, santificados pelo Espírito e vocacionados pelo Filho.

Quais os três aspectos que Paulo orienta os tessalonicenses a ficarem firmes?
No ensino dos Apóstolos, nas tradições constituídas na Igreja e na prática de boas obras.

Quais as características do consolo que é prometido ao justo em 2 Tessalonicenses?
O consolo é eterno, cheio de amor e graça, operando poderosamente em nosso íntimo.

Qual a importância de termos um consolo interior nos dias atuais?
Em dias agitados e confusos como os atuais, a serenidade interior - oriunda de uma comunhão genuína com o Pai - nos trará paz e segurança nas promessas do Senhor.

Fonte: CPAD, Revista, Lições Bíblicas Jovens, professor, A Igreja do Arrebatamento – O Padrão dos Tessalonicenses para Estes Últimos Dias, Comentarista Thiago Brazil, 2º trimestre 2018.

Lição 11 O discípulo de Jesus e o serviço cristão.


Lição 11 O discípulo de Jesus e o serviço cristão.
10 de Junho de 2018

Texto Áureo
1Ts 1.9
“Porque eles mesmos anunciam de nós qual a entrada que tivermos para convosco, e como dos ídolos vos convertestes a Deus, para servir ao Deus vivo e verdadeiro.”

Verdade Aplicada
Todo membro do Corpo de Cristo é responsável pelo desenvolvimento das diversas atividades da igreja local, visando edificação e a glória de Deus.

Objetivos da Lição
Ressaltar que devemos honrar a Deus por meio do trabalho;
Refletir sobre a importância de cada membro do Corpo de Cristo na edificação da Igreja;
Mostrar os princípios bíblicos do serviço cristão.

Glossário
Erudito: Que tem instrução vasta e variada, que revela muito saber;
Secular: Próprio do século ou do mundo profano;
Senso: Rumo, sentido; cautela.

Leituras complementares
Segunda Lc 1.74-75
Terça Lc 12.35-38
Quarta At 6.1-4
Quinta Rm 12.11
Sexta 1Co 13.1-3
Sábado Hb 6.10-11

Textos de Referência.
Neemias 2.18; 4.6; 6.3
2.18 Então lhes declarei como a mão do meu Deus me fora favorável, como também as palavras do rei, que ele tinha dito. Então disseram: Levantemo-nos e edifiquemos. E esforçaram as suas mãos para o bem.

4.6 Assim, edificamos o muro, e todo o muro se cerrou até a sua metade; porque o coração do povo se inclinava a trabalhar.

6.3 E enviei-lhes mensageiros a dizer: Estou fazendo uma grande obra, de modo que não poderei descer. Por que cessaria esta obra, enquanto eu a deixasse e fosse ter convosco?

Hinos sugeridos.
63, 93, 115

Motivo de Oração
Ore pelos irmãos e irmãs que trabalham e ensinam na Escola Dominical.

Esboço da Lição
Introdução
1. Honrar a Deus por meio do trabalho.
2. Serviço visando a edificação da Igreja.
3. Princípios bíblicos do serviço cristão.
Conclusão

Introdução
Nesta lição, refletiremos sobre um dos aspectos da vida do discípulo de Cristo que tem sido bastante afetado pela geração “sem tempo”: o comprometimento no serviço cristão, inclusive na igreja local.

1. Honrar a Deus por meio do trabalho.
O trabalho está presente na realidade humana antes mesmo do pecado. Quando Deus formou o homem, o abençoou com a capacidade de se relacionar com Ele e o nomeou como mordomo e gerente de toda a criação (Gn 1.28; Sl 8.5-8).

1.1. A importância do trabalho.
Ao colocar o homem no jardim do Éden, o Criador lhe designou um trabalho próprio, para o corpo e a mente, isto é, lavrar e guardar o jardim que Deus havia preparado (Gn 2.15). Portanto, o trabalho desenvolvido pelo ser humano era feito para Deus. Era um serviço divino. Assim, já em Gênesis, o livro dos princípios, encontramos a semente do ensino de Paulo em suas epístolas acerca de como o discípulo de Cristo deveria encarar a atividade profissional e a relação entre patrão e empregado.

Estejamos cientes de que a vida do discípulo de cristo deve ser de adoração a Deus em todo o tempo e aspecto (1Co 10.31). Também é bíblico que o serviço cristão não se restringe ao que é feito no contexto de uma igreja local, mas alcança aquele que é desenvolvido por um servo de Deus seja numa oficina mecânica, no ambiente industrial, no comércio, no escritório, enfim em todos os ramos profissionais.

1.2. Trabalhar com excelência.
Encontramos na Bíblia que, enquanto estivermos trabalhando, devemos obedecer ao chefe ou supervisor como a Cristo, trabalhar como servos de Cristo, prestando serviço como ao Senhor e sabendo que seremos recompensados pelo Senhor (Ef 6.5-8). Note que nos quatro versículos há menção a Cristo ou Senhor. Isso nos lembra que o trabalho feito sob a orientação ou supervisão de alguém em posição hierárquica acima da nossa (num contexto terreno) deve ser feito como sendo oferecido ao Senhor. O que quer que o discípulo de Jesus faça, deve ser feito como ao Senhor (Rm 14.7-9).

William Barclay escreveu em seu comentário bíblico: “a convicção do trabalhador cristão é de que cada uma das peças de trabalho que produz deve ser bem executada, como para mostrar a Deus”.

1.3. Servindo a Deus.
No período da Reforma Protestante (século XVI), tanto Lutero como Calvino sustentaram que o ser humano também cumpria sua vocação e chamado de Deus sendo útil à sociedade por meio de seu trabalho, desfazendo, assim, a ideia em distinguir entre o sagrado e o secular. Em seu comentário sobre a epístola de Efésios, John Stott escreveu: “É possível uma dona de casa cozinhar uma refeição como se Jesus Cristo fosse comê-la, ou fazer a limpeza geral da casa como se Jesus Cristo viesse a ser hospede de honra. É possível para professores educar crianças, para médicos tratar pacientes, e para enfermeiras cuidar deles, para advogados ajudar clientes, para balconistas atender fregueses... como se em cada caso servissem a Jesus Cristo”.

A Bíblia menciona serviço feito pelo homem antes do pecado e, também, na nova Jerusalém, sem maldição, diante do trono de Deus e do Cordeiro (Ap 22.3). Segundo Russel Shedd, este versículo traduzido literalmente é: “escravos prestarão culto a Ele”. Portanto, é importante não limitar o culto apenas ao momento de louvor ou oração quando estamos num templo ou participando de uma reunião, mas todo o nosso ser deve cultuar ao Senhor em todo o tempo.

2. Serviço visando a edificação da Igreja.
Neste tópico refletiremos sobre a importância da participação de cada membro do Corpo de Cristo na edificação da Igreja. Como no tópico anterior, também encontramos fundamentação bíblica no Antigo testamento para nos guiar neste estudo.

2.1. Ainda há serviço a ser feito.
No tempo da reconstrução dos muros de Jerusalém, após o retorno dos judeus do cativeiro, a partir do reinado de Ciro, rei da Pérsia (Ed 1.1), foi fundamental a participação de todos os que estavam em Jerusalém, na época de Neemias (Ne 2.11). O templo já havia sido reedificado (Ed 6.14-16), porém os muros da cidade estavam derrubados e os portões destruídos pelo fogo (Ne 2.13). Enquanto estivermos debaixo do sol sempre haverá trabalho a ser feito. Os capítulos 3 a 6 de Neemias detalham a reconstrução dos muros e das portas num contexto de: dedicação, participação, oração, vigilância, palavras de encorajamento, união, ameaças, empenho, liderança, entre outros aspectos.

Quando completaram a reconstrução, o texto bíblico registra que os opositores reconheceram que o Deus de Israel fizera aquela obra (Ne 6.15-16). Hoje, os membros de uma igreja local também têm uma grande obra: “edificação do corpo de Cristo” (Ef 4.12); “aumento do corpo para sua edificação em amor” (Ef 4.16).

2.2. Aperfeiçoamento para serviço.
Interessante relacionar o texto de Neemias (citado anteriormente), que junta o trabalho dos homens com a constatação de que Deus fez a obra e a edificação da Igreja, com o trabalho dos discípulos de Cristo. Assim, vemos que há uma ação divina e humana. Jesus Cristo dá dons à Igreja visando o aperfeiçoamento dos santos (Ef 4.11-12). J. Armitage Roinson, reitor de Westminster e erudito, escreveu que este texto dá a ideia de “levar os santos a tornarem-se aptos para o desempenho de suas funções no Corpo”. Desse modo, se verifica que o aperfeiçoamento não é um fim, mas tem o propósito de habilitar cada um para o desempenho do seu serviço.

O que é feito para cada membro do Corpo de Cristo e por cada membro visa a edificação da Igreja. No final do sermão profético de Jesus Cristo, o evangelista Mateus registrou a parábola dos talentos, contada pelo Senhor (Mt 25.14-30). Inicia dizendo que um homem chamou os seus servos e entregou-lhes os seus bens. Não entregou a estranhos, mas aos seus. Não concentrou todos os bens em alguns, mas “a cada um”. E depois voltou “e fez contas com eles”. Nenhum discípulo de Cristo é desprovido de algum talento. Somos servos? Jesus Cristo é o nosso Senhor? Então temos responsabilidades na edificação do Seu Corpo. Como tem sido a minha participação? Como estou usando os talentos, os dons, as aptidões e as habilidades que o Senhor me entregou?

2.3. Todos devem participar.
Cada um de nós pode participar, pois a nossa capacidade vem de Deus (2Co 3.5). Deus opera (como constatado em Neemias 6.16), mas nós somos cooperadores de Deus (1Co 3.9). Interessante a postura exemplar dos membros das igrejas da Macedônia, pois, primeiro, se colocaram à disposição do Senhor e depois à disposição da liderança da igreja local (2Co 8.5). Na parábola dos talentos, assim que o Senhor partiu, logo alguns servos já começaram a agir. Indica prontidão e senso de urgência.

Há os que ficam esperando que lhe chamem pelo nome, quando, na verdade, já temos conhecimento de muitas atividades que são ou podem ser desenvolvidas na igreja local. Façamos como os discípulos da Macedônia: apresentemo-nos para o trabalho! Não sabemos quando virá o Senhor ou quando encerraremos nossa carreira na terra: “Não sejais vagarosos...” (Rm 12.11). Outra versão (NTLH) enfatiza que o trabalho deve ser feito sem preguiça e com entusiasmo. Assim, devemos fazer o que podemos ou devemos, sem esperar que todos tenham a mesma atitude. Façamos o que está ao nosso alcance. Nossa participação no serviço do Senhor não fica desapercebida, por mais que achemos insignificante (Ec 9.10; Mt 10.42).

3. Princípios bíblicos do serviço cristão.
Como em todo os aspectos da vida do discípulo de Cristo, também no serviço cristão precisamos agir de acordo com os princípios bíblicos. Não basta boa vontade ou recursos materiais e financeiros. São importantes, porém não subsistem os princípios da Palavra de Deus. Afinal, é necessário que seja feito com ordem e decência (1Co 14.40), com reverência e piedade (Hb 12.28).

3.1. Servir de acordo com a Palavra.
Neste tópico, destacaremos alguns princípios bíblicos: 1) Nossa atuação não deve ser um esforço para salvação (Ef 2.8-9); 2) O serviço cristão não deve ser isolado, independente ou incoerente com o meu relacionamento com Deus (Ap 3.1-2); 3) Não deve me impedir de desfrutar a melhor parte (Lc 10.41-42); 4) Deve ser um serviço como consequência de pertencer ao Senhor (At 27.23 – Não sirvo para pertencer. Sirvo porque pertenço – 1Co 6.19-20) e de seguir ao Senhor (Lc 8.1-3); 5) Precisa ser conforme a Palavra de Deus (1Cr 15.13-15). Nada substitui as orientações bíblicas, mesmo que se tenha em vista um fim proveitoso.

O serviço cristão não produz salvação, porém é um dos efeitos da obra regeneradora de Cristo na vida de uma pessoa. O salvo em Cristo deseja ver o crescimento da igreja e outros sendo alcançados pela mensagem da salvação.

3.2. Exemplo dos tessalonicenses.
O texto bíblico de 1 Tessalonicenses 1.9 diz que os discípulos da cidade de Tessalônica se converteram a Deus para servir a Deus. Eles serviram a Deus, mesmo num contexto de “muita tribulação” (1Ts 1.6). As circunstâncias ao nosso redor não nos impedem de realizar o serviço cristão. Atos 8.4 nos mostra a conduta dos que andavam dispersos por causa da perseguição: eles não deixavam de anunciar a Palavra. Assim, enquanto aguardo a segunda vinda de Jesus, devo servi-Lo (1Ts 1.10). A esperança do salvo na realidade da ressurreição e do arrebatamento deve motivá-lo a se dedicar ao serviço cristão. Estamos na expectativa da volta de Jesus? Então devemos aproveitar e nos envolvermos na obra do Senhor (1Co 15.58).

Não devemos ser negligentes ou indiferentes, mas firmes, constantes e abundantes (estabilidade, continuidade e produtividade). Muitos são os que iniciam cheios de entusiasmo e fazendo inúmeras promessas, porém não são estáveis. Lembremo-nos de que não é na nossa força, mas na força do Espírito Santo (Zc 4.6) e da ação da graça do Senhor necessita de discípulos de Cristo que atuem como Arão e Hur, sustentando as mãos de Moisés (Êx 17.11-13); Jônatas e seu pajem, que foram homens de iniciativa (1Sm 14.6-7); que animem com palavras de ânimo e se coloquem ao lado de seus líderes (Ed 10.4); como Priscila e Áquila, cooperadores de Paulo (Rm 16.3-4); como Barnabé, que esteve atento tanto a Paulo como a Marcos (At 9.26-27; 13.39). De acordo com a parábola dos talentos (Mt 25.14-30), o que determina a aprovação do servo não é o volume ou a quantidade do trabalho, mas a fidelidade ao Senhor, estando Ele ausente (Mt 25.21, 23). Notemos que o servo mau não foi desonesto e nem gastou mais do que devia, porem foi omisso (Mt 25.24-27).

3.3. Aproveitando as oportunidades.
Encontramos na Palavra de Deus exortações para não desprezarmos o dom e para despertarmos o dom de Deus em nós (1Tm 4.14; 2Tm 1.6). É como se Paulo estivesse dizendo para Timóteo manter viva a chama do dom de Deus. O Senhor concede o dom, porém nós precisamos usá-lo e desenvolvê-lo. Aproveitemos as oportunidades que Deus tem nos proporcionado enquanto há tempo (Ef 5.15-16). Quando a noite chegar, não será mais possível trabalhar (Jo 9.4). Há tantas atividades numa igreja local a serem executadas. Onde estão os trabalhadores?

Algumas tarefas a serem realizadas: comissão de visitas; cultos ao ar-livre; portaria; recepção; distribuição de folhetos; setor administrativo; limpeza; abrir e fechar o templo; entre outras. Procure o seu pastor local e coloque –se à disposição. Esteja atento e seja proativo (Hb 6.10-11). Não seja apenas um assistente, mas um ativo participante. Lembre-se que a oração intercessora é muito importante. Interceda diariamente, também, pela igreja local. Reavalie constantemente sua rotina e procure incluir dias e horários para se dedicar: também, à igreja local. Colocar os serviços profissionais à disposição da obra do Senhor é uma atitude abençoadora para o bom desenvolvimento das atividades da igreja local. Além de ser uma excelente oportunidade de aprendizado, desenvolvimento de habilidades pessoais, relacionamentos interpessoais, melhora da autoestima, entre outros benefícios.

Conclusão.
O serviço cristão é oportunidade para o discípulo de Cristo expressar gratidão a Deus por ter sido alcançado pela obra divina da redenção (Sl 116.12). Não é pagamento ou compensação, mas atitude de amor, reconhecimento, consagração e gratidão por tudo que Deus tem feito e concedido aos Seus.

Questionário.
1. O que Jesus Cristo visa ao dar dons à Igreja?
R: O aperfeiçoamento dos santos (Ef 4.11-12).

2. O que os recursos materiais e financeiros não substituem?
R: Os princípios da Palavra de Deus (1Co 14.40; Hb 12.28).

3. O que 1 Tessalonicenses 1.9 diz?
R: Que os tessalonicenses se converteram a Deus para servir a Deus (1Ts 1.9).

4. O que as circunstâncias ao nosso redor não nos impedem?
R: De realizar o serviço cristão (1Ts 1.6).

5. O que devemos fazer enquanto há tempo?
R: Aproveitar as oportunidades que Deus tem nos proporcionado (Ef 5.15-16).

Fonte: Revista de Escola Bíblica Dominical, Betel, Aperfeiçoamento Cristão – Propósito de Deus para o discípulo de Cristo. Adultos, edição do professor, Comentarista Pastor Marcos Sant’Anna da Silva 2º trimestre de 2018, ano 28, Nº 107, publicação trimestral, ISSN 2448-184X.