Lição 4 O CRISTÃO DIANTE DA POBREZA E DA DESIGUALDADE
SOCIAL
22/10/2017
Texto do
dia
(Pv
14.31)
"O
que oprime ao pobre insulta àquele que o criou, mas o que se compadece do
necessitado honra-o."
Síntese
Diante
da desigualdade e da marginalização social, a ação solidária da Igreja
testifica a relevância da fé cristã diante dos homens e dá credibilidade à
pregação do evangelho.
Agenda de leitura
Segunda
- 1 Jo 3.7
O
justo pratica a justiça
Terça
- Pv 31.20
Abre
a mão ao pobre
Quarta
- Pv 22.22
Não
roube ao pobre
Quinta
- 2 Co 8.9
Cristo
se fez pobre por amor de nós
Sexta
- Sl 128.2
Comerás
do teu trabalho
Sábado
- Am 5.11
Denúncia
profética
Objetivos
Conscientizar da
importância de cuidar do pobre;
Entender a relação
entre justiça social e profetismo bíblico;
Conhecer os princípios
bíblicos sobre economia e desigualdade social.
Interação
A
ação solidária e caridosa é uma das maneiras mais eficazes de demonstração da
autenticidade e relevância da fé cristã. Apesar disso, há quem entenda que não
é papel dos discípulos de Jesus combater a pobreza e as desigualdades sociais,
por acreditar que somos salvos pela graça. Realmente, as obras não servem para
a salvação (pois pela graça somos salvos), porém elas testificam a nova vida em
Cristo. As obras de justiça e misericórdia exteriorizam a graça divina e
revelam o amor depositado em nossos corações. Afinal, quem foi agraciado com as
Boas-Novas, passa a ser um agente de boas obras. Por esse motivo, Tiago
escreveu que a fé, sem as obras, é morta em si mesma (Tg 2.17).
Orientação Pedagógica
Prezado(a)
professor(a), esperamos que você esteja motivado(a) para ensinar aos jovens
alunos a respeito da pobreza e desigualdade social. Não deixe que o desânimo
prejudique o ministério do ensino que Deus lhe confiou! Tenha em mente a
advertência do apóstolo Paulo para a dedicação ao ensino (Rm 12.7).
Nesta
aula, utilize o método do debate para proporcionar uma reflexão sadia entre os
seus educandos. Divida a turma em grupos. Em seguida, peça para discutirem,
dentro dos respectivos grupos, sobre os pontos a seguir. Abra, na sequência, o
debate geral, com os demais grupos. Ouça as respostas e veja se os demais
grupos concordam com as opiniões emitidas.
Há
desigualdade social no Brasil?
Como
a desigualdade social se expressa?
Você
percebe alguma desigualdade na igreja local?
O
que a Igreja deveria fazer diante da pobreza?
Em
sua opinião, o que significa ajudar o necessitado?
Texto bíblico
Tiago
5.1-6
1
Eia, pois, agora vós, ricos, chorai e pranteai por vossas misérias, que sobre
vós hão de vir.
2
As vossas riquezas estão apodrecidas, e as vossas vestes estão comidas da
traça.
3
O vosso ouro e a vossa prata se enferrujaram; e a sua ferrugem dará testemunho
contra vós e comerá como fogo a vossa carne. Entesourastes para os últimos
dias.
4
Eis que o salário dos trabalhadores que ceifaram as vossas terras e que por vós
foi diminuído clama; e os clamores dos que ceifaram entraram nos ouvidos do
Senhor dos Exércitos.
5
Deliciosamente, vivestes sobre a terra, e vos deleitastes, e cevastes o vosso
coração, como num dia de matança.
6
Condenastes e matastes o justo; ele não vos resistiu
COMENTÁRIO
INTRODUÇÃO
A
desigualdade social e a pobreza são problemas sociais presentes em praticamente
todos os países do mundo, mas principalmente nas nações em desenvolvimento do
Sul Global, incluindo o Brasil. Aqui, milhares de famílias vivem em condição de
miséria, cuja renda é insuficiente para suprir as necessidades básicas. Não há
como viver indiferente a esta realidade calamitosa!
Diante
disso, a presente lição demonstrará a importância da participação cristã nas
obras sociais, como expressão de amor e misericórdia, e como os princípios
bíblicos podem contribuir para a formação de uma sociedade livre, justa e
produtiva.
I - A ASCENÇÃO ECONÔMICA E O CUIDADO COM O POBRE
1. A pobreza nas Escrituras. Nas Escrituras,
o pobre é retratado como a pessoa necessitada, desamparada ou que se encontra
em situação de miséria (Sl 37.25; 72.13; Lc 16.20; 1 Tm 5.5). A pobreza é um
fenômeno complexo e vários fatores econômicos e sociais podem contribuir para
que alguém chegue a esta condição, tais como: desastres naturais, dívidas,
falta de emprego, política econômica inadequada e até mesmo a preguiça (Pv
19.15). Em todos os casos não é suficiente olhar para o pobre simplesmente a
partir da situação social ou econômica imediata. Biblicamente, devemos
compreender que vivemos em um mundo caído, e a pobreza, assim como a doença e a
morte, resulta da rebelião do homem contra o Criador.
2. O pobre e o amor ao próximo. Enfaticamente,
a Palavra destaca a importância do cuidado ao pobre, assim como denuncia a
discriminação e a desonra contra as pessoas carentes (Tg 2.1-6). Tal se deve ao
mandamento de amar o próximo como a nós mesmos (Mt 22.39) e do imperativo de
demonstrarmos o resplendor das virtudes cristãs para a glória de Deus (Mt
5.16). Contudo, não encontramos nas Escrituras respaldo para a Teologia da
Libertação, que centraliza na pobreza a ênfase do evangelho, e interpreta as
Escrituras com base no sofrimento do oprimido. A teologia bíblica irradia graça
para todos, sem distinção de classe social (Tt 2.11).
Igualmente,
ainda que sejamos advertidos para não ajuntarmos tesouros na terra (Mt 6.19), e
acerca dos perigos do amor ao dinheiro (1 Tm 6.7-10), não se pressupõe que os
ricos tenham conquistado sua riqueza por meio desonesto. Tanto o rico quanto o
pobre carecem da graça de Deus, e devem igualmente ser tratados com equidade
(Êx 23.3,6).
3. Ascensão econômica e desigualdade social. Mesmo
quando há ascensão econômica e melhores condições de vida, a desigualdade
social e os grupos em situação abaixo da linha da pobreza persistem em existir.
Isso porque, em razão dos efeitos do pecado, a Bíblia declara que "sempre
haverá pobres na terra" (Mc 14.7). Todavia, longe de indicar uma postura
de conformismo e indiferença, e servir como desculpa contra a ação social, tal
afirmação deveria nos conduzir ao cuidado permanente dos necessitados, enquanto
eles existirem (Rm 15.25, 26; Gl 2.10; 1 Jo 3.17). Somos apenas mordomos de
Deus nesta terra; aquilo que possuímos, na verdade, pertence a Ele!
Pense
"A
evidência da graça divina é vista na pregação e no alívio das necessidades
materiais dos pobres"
(Comentário
Bíblico Pentecostal).
Ponto Importante
Biblicamente,
devemos compreender que vivemos em um mundo caído, e a pobreza, assim como a
doença e a morte, resulta da rebelião do homem contra o Criador.
II - JUSTIÇA SOCIAL E PROFETISMO
1. Justiça social e igualdade. Fazer
justiça é um aspecto vital do nosso viver diário. Justiça, no sentido ora
empregado, não tem qualquer acepção ideológica ou político-partidária. Em
termos bíblicos, a justiça social parte do pressuposto de que todas as pessoas
devem ser tratadas com igual respeito e dignidade, possuindo os mesmos direitos
e deveres na sociedade. Considerando que o homem foi criado à imagem de Deus
(Gn 1.26), a injustiça (Sl 92.15) e a acepção de pessoas (Rm 2.11) são
rejeitadas por Ele. Desde o Antigo Testamento, aliás, vemos o Senhor instruindo
a nação de Israel para cuidar dos pobres e vulneráveis (Mq 6.8; Zc 7.9); por
isso a Lei estabelecia uma série de disposições contra a opressão aos menos
favorecidos (Êx 22.25; 23.6; 30.15; Lv 19.10).
A
prática da justiça na sociedade é uma prova da justificação que recebemos em
Cristo. É certo que as obras são incapazes de salvar o homem caído e que as obras de misericórdia e justiça
testificam a salvação alcançada pela graça. Tiago retratou fielmente essa
verdade ao dizer que a fé, sem as obras, é morta em si mesma (Tg 2.17). Do
crente, portanto, se espera a prática da justiça!
O
espírito cristão de amor mútuo e caridade comum é uma marca do cristianismo ao
longo da história.
2. Profetizando contra as injustiças. A
função profética sobrepuja a tarefa de
transmitir mensagens de bênçãos da parte de Deus. Ela envolve também a
denúncia do erro e a exortação contra as injustiças. Em outras palavras, o
profetismo bíblico é abrangente, pois compreende, além do aspecto eminentemente
religioso, as esferas econômicas e políticas. Profetas como Isaías, Jeremias,
Miqueias e Zacarias falaram ousadamente contra a corrupção, exploração e as
injustiças do seu tempo. Em um contexto difícil, Amós condenou o desprezo e a
opressão dos poderosos em relação aos pobres, que eram pisados (Am 5.11) e
vendidos ao preço de sandálias. Contra essa situação desumana e degradante, o
profeta alçou a sua voz em defesa das pessoas carentes (Am 4.1,2).
3. Voz profética da Igreja. A dimensão política do ministério profético permanece válida ainda
hoje. Os cristãos são chamados a testemunhar publicamente acerca da justiça
divina, ao tempo em que denunciam todo tipo de injustiça. A voz profética dos
cristãos deve consolar e edificar, mas também precisa exortar (1 Co 14.3),
apontando tanto os desvios morais quanto sociais, a partir das verdades
bíblicas.
Pense
A
Palavra de Deus condena aqueles que manipulam a economia para satisfazer os
próprios interesses egoístas.
Ela
também condena qualquer forma de maldade, como a cobiça, a indolência e o
engano.
Ponto Importante
Profetas
como Miqueias, Isaías e Jeremias falaram ousadamente contra a corrupção,
exploração e as injustiças do seu tempo.
III - A POLÍTICA ECONÔMICA E A DESIGUALDADE SOCIAL NO
BRASIL
1. Desigualdade social no Brasil. O
país em que vivemos é marcado pela desigualdade social. Enquanto existe enorme
concentração de renda entre as pessoas mais ricas, milhões de pessoas vivem
abaixo da linha da pobreza, em condições de miséria. É papel da política
econômica de uma nação avaliar os fatores que provocam as distorções sociais, e
criar leis e mecanismos que possibilitem uma sociedade mais produtiva e justa.
A economia, portanto, é um elemento importante para a vida das pessoas e das
instituições públicas. Por essa razão, considerando que os princípios que
norteiam a economia são vitais para o desenvolvimento sustentável da
comunidade, adotar uma visão econômica coerente e que considere adequadamente a
natureza humana (especialmente o seu estado decaído) é essencial para a redução
da pobreza.
2. Economia na perspectiva cristã. Embora
a Bíblia não seja um livro de economia, ela contém relatos e princípios que nos
fazem compreender a relação entre pobreza, riqueza, trabalho, desigualdade
social e muitos outros temas da área econômica. Enquanto visão de mundo, o
cristianismo considera todos os aspectos da vida humana, inclusive a dimensão
econômica. Nesse sentido, encontramos nas Escrituras e na história da tradição
cristã orientações suficientes para que a sociedade possa ser livre, próspera e
justa.
Vejamos
algumas dessas diretrizes: incentivo ao trabalho e repreensão à preguiça (Pv.
6.6-11), limitação da função do governo (1 Pe 2.13,14); condenação àqueles que
manipulam a economia (Tg 5.1-6); proteção da propriedade privada (Êx 20.15);
ênfase na liberdade responsável (1 Co 6.12; 8.9) e valorização do espírito
comunitário de ajuda ao próximo, dentre outros.
3. Assistência e desenvolvimento. Mesmo
no ambiente coletivo, a assistência às pessoas carentes é uma atitude vital de
solidariedade. Embora o governo civil deva promover o bem, o que inclui
programas de assistência social para atender às necessidades básicas dos
cidadãos, não é recomendável criar uma cultura de assistencialismo que perpetue
a condição da pobreza. É necessário focar no desenvolvimento, para que pessoas
e famílias adquiram independência econômica e ganhem o pão do suor do próprio
rosto (Gn 3.19).
Pense
"A
fé deve nos mover em prol de boas ações, não para sermos salvos, mas para
demonstrarmos que somos salvos, que nossa fé não é estática, e que Deus pode
usar nossas ações para apresentar a fé pura e imaculada" (Silas Daniel).
Ponto Importante
Embora
a Bíblia não seja um livro de economia, ela contém relatos e princípios que nos
fazem compreender a relação entre pobreza, riqueza, trabalho, desigualdade
social.
SUBSÍDIO
"As
Escrituras condenam aqueles que manipulam a economia para satisfazer os
próprios propósitos pecaminosos, tanto acumulando somente para si, como por
outras formas de maldade, como cobiça, indolência e engano (Pv 3.27-28; 11.26;
Tg 5.1-6). A justiça econômica condena aqueles que aumentam seus créditos,
tirando vantagem dos que lhes devem; por outro lado, os que contraem dívida
devem reembolsá-la (Êx 22.14; 2 Rs 4,1-7; Sl 37.21; Pv 22.7). O princípio
subjacente é que a propriedade privada é um dom de Deus para ser usado com o
propósito de estabelecer a justiça social e cuidar do pobre e do necessitado. O
ladrão arrependido é orientado a não mais roubar, mas sim trabalhar com as mãos
e assim ganhar o sustento e 'para que tenha o que repartir com o que tiver
necessidade' (Ef 4.28, ênfase acrescentada). Poucos temas nas Escrituras se
evidenciam de forma tão direta e clara do que as ordens de Deus para que nos
preocupemos com os menos afortunados.
'Aprendei a fazer o bem', Deus brada, 'praticai o que é reto; ajudai o
oprimido; fazei justiça ao órfão; tratai da causa das viúvas' (Is 1.17).
Através do mesmo profeta, Deus anuncia que o verdadeiro jejum não é um ritual
religioso vazio (Is 58.7). Jesus
aprofunda nosso sentimento de responsabilidade, falando que ao ajudarmos o
faminto, o desnudo, o doente e o encarcerado, estamos, na verdade, servindo-o
(Mt 25.31-46)"(COLSON, C.; PEARCEY. E Agora, Como Viveremos? 2.ed., Rio de
Janeiro: CPAD, 2000, pp. 454,455).
ESTANTE DO PROFESSOR
COELHO,
Alexandre; DANIEL, Silas. Fé e Obras: Ensinos de Tiago para uma vida cristã
autêntica. 1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2014.
CONCLUSÃO
Como
percebemos nesta lição, o trabalho solidário da Igreja testifica a relevância
da fé cristã diante dos homens, ao mesmo tempo em que dá credibilidade à
pregação do Evangelho. Não podemos nos esquecer, porém de que Igreja, no
sentido aqui empregado, não se resume à congregação local. Individual ou coletivamente, cristãos
regenerados são capazes de desenvolver obras sociais que expressem o amor e a
misericórdia divina, a partir da igreja local.
Hora da
revisão
Cite
alguns fatores e sociais que podem levar alguém a essa condição:
Desastres naturais, dívidas, falta de emprego,
política econômica inadequada e até mesmo preguiça.
Por
que a Teologia da Libertação é equivocada?
Porque centraliza na pobreza a ênfase do evangelho, e
interpreta as Escrituras com base no sofrimento do oprimido.
Quais
profetas falaram ousadamente contra corrupção, exploração e injustiças?
Isaías, Jeremias, Miqueias e Zacarias.
Qual
o papel da política econômica de uma nação?
Avaliar os fatores que provocam as distorções sociais,
e criar leis e mecanismos que possibilitem uma sociedade mais produtiva e
justa.
Quais
orientações econômicas a Bíblia oferece?
Incentivo ao trabalho e repreensão à preguiça,
limitação da função do governo; condenação àqueles que manipulam a economia; proteção
da propriedade privada; ênfase na liberdade responsável e valorização do
espírito comunitário de ajuda ao próximo, dentre outros.
Fonte: CPAD, Revista, Lições
Bíblicas Jovens, professor, Seguidores de Cristo – Testemunhando numa Sociedade
em Ruinas, Comentarista Valmir Nascimento,
4º trimestre 2017.
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