segunda-feira, 23 de março de 2015

Lição 13 - A Igreja e a Lei de Deus.



Lição 13 - A Igreja e a Lei de Deus.
29 de Março  de 2015.

Texto Áureo
"Anulamos, pois, a lei pela fé?  De maneira nenhuma! Antes, estabelecemos a lei." (Rm 3.31)

Verdade Prática
O Senhor Jesus definiu de maneira clara a relação entre o Antigo e o Novo Testamento, entre a Lei e o Evangelho.

Leitura Diária

Segunda – Ne 10.28,29
A lei de Deus é a mesma lei de Moisés, o servo do Senhor
Terça – Mc 7.9-13
O Senhor Jesus reconhecia a lei como a Palavra de Deus
Quarta – Lc 24.44
O Senhor Jesus é o centro e o cumprimento da lei e dos profetas
Quinta – Mt 23.23
Nem todos os mandamentos têm o mesmo peso para o nosso Deus
Sexta –  Rm 10.4
A lei testemunhava de antemão a salvação em Cristo
Sábado – Jr 31.33
Cristo imprimiu a lei no mais profundo do coração humano

Leitura Bíblica em Classe
Mateus 5.17-20; Romanos 7.7-12

Mt 5.17-20
17 Não cuideis que vim destruir a lei ou os profetas; não vim ab-rogar, mas cumprir.
18  Porque em verdade vos digo que, até que o céu e a terra passem, nem um jota ou um til se omitirá da lei sem que tudo seja cumprido.
19  Qualquer, pois, que violar um destes menores mandamentos e assim ensinar aos homens será chamado o menor no Reino dos céus; aquele, porém, que os cumprir e ensinar será chamado grande no Reino dos céus.
20  Porque vos digo que, se a vossa justiça não exceder a dos escribas e fariseus, de modo nenhum entrareis no Reino dos céus.

Rm 7.7-12
7 Que diremos, pois? É a lei pecado? De modo nenhum! Mas eu não conheci o pecado senão pela lei; porque eu não conheceria a concupiscência, se a lei não dissesse: Não cobiçarás.
8  Mas o pecado, tomando ocasião pelo mandamento, despertou em mim toda a concupiscência: porquanto, sem a lei, estava morto o pecado.
9  E eu, nalgum tempo, vivia sem lei, mas, vindo o mandamento, reviveu o pecado, e eu morri;
10  e o mandamento que era para vida, achei eu que me era para morte.
11  Porque o pecado, tomando ocasião pelo mandamento, me enganou e, por ele, me matou.
12  Assim, a lei é santa; e o mandamento, santo, justo e bom.


Objetivo Geral
Ressaltar o fato de que Jesus definiu, de maneira clara, a relação entre o Antigo e o Novo Testamento, entre a Lei e o Evangelho.

Objetivos Específicos
Abaixo, os objetivos específicos referem-se aos que o professor deve atingir em cada tópico.
Por exemplo, o objetivo I refere-se ao tópico I com os seus respectivos subtópicos.

I.              Mostrar o que significa "cumprir a lei".
II.            Explicar que Jesus viveu a lei.
III.           Ressaltar que a lei não pode ser revogada.
IV.          Enfatizar que a lei e o evangelho se completam.

Interagindo com o Professor
Professor, com a graça de Deus, chegamos ao final do trimestre. Esperamos que cada lição tenha contribuído para o seu crescimento espiritual e de seus alunos.
É importante que nesta última lição você enfatize que ninguém pode ser justificado pelas obras da lei (Gl 2.16). O Decálogo nunca teve a função de salvar, mas de conduzir as pessoas a Cristo, o único que cumpriu toda a lei (Gl 3.11, 24). A lei veio para apontar e condenar o pecado do homem (Rm 3.20; 7.7). A única maneira pela qual a humanidade pode ser redimida é pela fé em Jesus Cristo. Contudo, não podemos nos esquecer de que a fé em Jesus é a chave para o cumprimento da lei.

Comentário

Introdução
A "lei de Deus" no presente estudo diz respeito a todo o Pentateuco e não apenas aos Dez Mandamentos, pois o Decálogo é parte da lei. A lei de Moisés não consiste apenas num compêndio religioso, pois trata de profecias, histórias, registros genealógicos e cronológicos, regulamentos, ritos, cerimônias, exortações morais, civis e cerimoniais, sacerdotes, sacrifícios, ofertas, festas e o tabernáculo. Há nela a base e a estrutura social e política do Estado. É inegável a sua contribuição na legislação de todos os povos da terra, daí a sua influência no Estado e na Igreja.

I. O que significa "Cumprir a Lei"?

1. Completar a revelação. Jesus disse que veio cumprir a lei e os profetas (5.17). O que significa isso? O verbo grego para "cumprir" é pleroo e significa "cumprir, completar, encher". Devemos recordar o sentido de torah, estudado na lição 1, como instrução revelada no Sinai. Ao longo do trimestre, vimos os aspectos teológico e ético do Decálogo. O Antigo Testamento contém instrução e doutrina sobre Deus, o mundo e a salvação, mas sua revelação é parcial. A manifestação do Filho de Deus tornou explícito o que antes estava implícito, e assim o Senhor completou a revelação (Hb 1.1,2).

2. Cumprimento das profecias. Jesus iniciou o seu ministério terreno dizendo: "o tempo está cumprido" (Mc 1.14,15). Diversas vezes encontramos no Novo Testamento, a declaração como: "Isso aconteceu para que se cumprisse a Escritura" (Jo 19.36), ou fraseologia similar, principalmente no Evangelho de Mateus (Mt 1.22; 2.17,19; 4.14) dentre outras citações. As profecias se cumpriram em Cristo.

3. O centro das Escrituras. A provisão do Antigo Testamento sobre a obra redentora de Deus em Cristo é rica em detalhes. Os escritores do Novo Testamento reconhecem a presença de Cristo na história da redenção. O Espírito Santo conduziu a Revelação na vida do povo israelita de tal maneira que os apóstolos puderam observar cada pormenor na vida e no ministério terreno do Senhor Jesus Cristo. A ideia cristológica está completamente embutida na lei e nos profetas. Todo o pensamento bíblico gira em torno de Jesus (Rm 1.2; 10.4). Todo o Antigo Testamento converge para o Senhor Jesus; Ele mesmo reconhecia isso (Lc 24.44).

Ponto Central
Ninguém pode ser salvo pelas obras da lei, porém ela é para os crentes em Jesus Cristo.

Síntese do Tópico I
As profecias se cumpriram em Cristo e, por isso, as Escrituras expôem que toda Lei foi cumprida em Jesus.

II. O Senhor Jesus Viveu a Lei

1. Preceitos cerimoniais. Veja a explicação dos preceitos cerimoniais, civis e morais na lição 2 e seu cumprimento na vida e na obra de Cristo. O Senhor Jesus cumpriu o sistema cerimonial da lei na sua morte (Mt 27.50,51; Lc 24.46). As instituições de Israel com suas festas, os holocaustos e os diversos tipos de sacrifícios da lei de Moisés eram tipos e figuras que se cumpriram em Cristo (Hb 5.4,5; 1 Co 5.7). Assim, as cerimônias cessaram, mas o significado foi confirmado (Cl 2.17).

2. Preceitos civis. Lutero dizia que a função civil da lei ainda continua para manter a ordem e o bem-estar da sociedade. Segundo Martyn Lloyd-Jones, Jesus cumpriu também o sistema jurídico da lei. Com sua morte, Ele transferiu os privilégios de Israel para a Igreja (Êx 10.6,7; 1 Pe 2.9,10). Jesus disse às autoridades judaicas que "o Reino de Deus vos será tirado e será dado a uma nação que dê os seus frutos" (Mt 21.43). Com isso, Israel deixou de ser um Estado Teocrático. A Igreja é a plataforma de Deus na Terra para anunciar a verdade (1 Tm 3.15).

3. Preceitos morais. Os Dez Mandamentos são representados pelos dois grandes mandamentos: amar a Deus acima de todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos (Mc 12.28-33). Na verdade, toda a lei e os profetas nisso se resumem (Mt 22.40). Trata-se de uma combinação de duas passagens da lei (Dt 6.4,5; Lv 19.18). São preceitos que foram resgatados na Nova Aliança e adaptados à graça, de modo que a Igreja segue a lei de Cristo, a lei do amor, e não o sistema mosaico (Rm 6.14; 13.9,10; Gl 5.18). O Senhor Jesus cumpriu todos esses mandamentos durante a sua vida terrena.

Síntese do Tópico II
Jesus Cristo viveu toda a Lei.

Subsídio Didático
Para iniciar o tópico faça a seguinte pergunta: "Jesus aboliu a lei?" Ouça os alunos e em seguida peça que leiam Mateus 5.17,18. Em seguida, explique que esse texto mostra a expressa e total obediência de Jesus à lei do Antigo Testamento, pois a lei não pode ser anulada.
Mostre que a "lei que o crente é obrigado a cumprir consiste nos princípios éticos e morais do Antigo Testamento (Rm 3.31; Gl 5.14); bem como nos ensinamentos de Cristo e dos apóstolos (1 Co 7.19; Gl 6.2). Essas leis revelam a natureza e a vontade de Deus para todos e continuam em vigor. As leis do Antigo Testamento destinadas à nação de Israel, tais como as leis sacrificais, cerimoniais, sociais ou cívicas, já não são obrigatórias (Hb 10.1-4)" (Bíblia de Estudo Pentecostal. Rio de Janeiro, CPAD, p. 1393).

Nenhuma parte da lei passará, nenhuma letra ou parte dela ficará em desuso até que tudo se cumpra.

III. A Lei não pode ser revogada

1. Jesus revela seu pensamento sobre a lei. Talvez o discurso de Jesus sobre as bem-aventuranças tivesse deixado dúvida sobre a posição de Cristo a respeito da lei e dos profetas. Ele não era um reacionário; nasceu conforme a lei e viveu de acordo com ela (Lc 2.21-24; 4.15,16; Gl 4.4). Jesus falou de maneira direta que não veio revogar a lei e nem os profetas, mas veio para os cumprir (Mt 5.17). Havia chegado o momento de esclarecer seu pensamento sobre a lei.

2. "Até que o céu e a terra passem". Jesus disse que "até que o céu e a terra passem, nem um jota ou um til se omitirá da lei sem que tudo seja cumprido" (Mt 5.18). O jota é a menor letra do alfabeto hebraico; ocupa a metade da linha na escrita, é a décima letra e se chama iode. O til é um sinal diacrítico para distinguir uma letra da outra. Nenhuma parte da lei passará, nenhuma letra ou parte dela ficará em desuso até que tudo se cumpra. Como disse o pastor John Stott, "a lei tem a duração do universo".
3. O menor mandamento (Mt 5.19). Há muita discussão sobre esta questão. Uns acham que Jesus se referia ao jota e ao til; outros, aos preceitos cerimoniais. Havia longos debates entre os rabinos da época sobre os mandamentos mais leves e mais pesados. Eles consideravam mandamento leve não tomar a mãe com os filhotes num ninho (Dt 22.6). Parece existir, sim, na lei, mandamento de maior ou de menor significância (Mt 23.23). Porém, não é disso que Jesus está falando aqui, pois o enfoque é sobre o anular a autoridade da lei e ensinar que ela pode ser ignorada. O verbo grego é lyo, cuja ideia básica é "desatar, desamarrar, soltar", empregado mais adiante para "anular" (Jo 10.35).

Síntese do Tópico III
Jesus Cristo não veio revogar a lei, pois ela não pode ser anulada.


IV. A Lei e o Evangelho

1. O papel da lei. Ninguém é justificado pelas obras da lei (Gl 2.16). A função dela não é salvar, mas nos conduzir a Cristo (Gl 3.11,24). Ela veio para revelar e condenar o pecado (Rm 3.20; 7.7). Deve o cristão anular a lei? A resposta paulina é: "De maneira nenhuma! Antes, estabelecemos a lei" (Rm 3.31). O que isso significa? Que a fé cristã não é antinomianista, do grego anti "contra"; nomos, "lei". Isso diz respeito aos que erroneamente pregavam que a graça dispensa a obediência. O apóstolo refutou tal ideia a vida inteira (Gl 5.13).

2. Jesus e Moisés estão do mesmo lado. O termo "lei" na língua hebraica é torá, e isso já foi estudado na lição 1. Ali aprendemos também que esta palavra vem de um verbo que significa "instruir, ensinar". Por essa razão, a palavra "lei", às vezes, refere-se às Escrituras Sagradas (1 Co 14.21). Esse parece ser o sentido aqui, pois o apóstolo Paulo estava falando do Antigo Testamento (Rm 3.19). Porém, a possibilidade de uma aplicação ao Pentateuco não é descartada, nesse caso, pois a frase "antes, estabelecemos a lei" (Rm 3.31b) não significa servidão ao sistema mosaico, mas que a fé confirma a lei, visto que o Evangelho justifica aqueles a quem a lei condena (Rm 8.4; 13.10).

3. A justiça dos fariseus. Jesus não está desafiando os seus discípulos a seguirem os escrúpulos legalistas dos escribas e fariseus quando afirma: "se a vossa justiça não exceder a dos escribas e fariseus, de modo nenhum entrareis no Reino dos céus" (Mt 5.20). Antes, ensina que a vida no Espírito requer comunhão com Deus de maneira abundante e profunda, e assim sendo, nenhum dos rabis a experimentou (Rm 8.8-11).

Subsídio Didático
Professor, explique aos alunos que "Deus proíbe a cobiça de todo tipo quando fala da casa do vizinho, de sua esposa, servo, boi, jumento ou de qualquer coisa que lhe pertença (Êx 20.17). O Novo Testamento declara que a cobiça é uma forma de idolatria (Cl 3.5) ou adoração a deuses e posses, e a condena junto com outros pecados. O Senhor Jesus viu cobiça no jovem rico quando lhe citou os seis mandamentos da segunda tábua da lei, e então o desafio ao décimo mandamento ao ordenar que ele vendesse tudo que tinha e desse o dinheiro aos pobres" (Dicionário Wycliffe, CPAD, p. 428).


Conclusão
Encerramos o trimestre conscientes de que Jesus não revogou a lei, mas a cumpriu. Aprendemos também que não há discrepância entre Jesus e Moisés e que a lei permanece até a consumação dos séculos, pois a fé cristã não é antinomianista e muitos preceitos do sistema mosaico reaparecem no Novo Testamento, mas adaptados à graça, pois fomos libertos da lei (Rm 3.28; Gl 5.1).

Para Refletir: Sobre o décimo mandamento:

O que significa cumprir a Lei?
Significa que a manifestação do Filho de Deus tornou explícito o que antes estava implícito, e assim o Senhor completou a revelação.

Devemos seguir a lei de Cristo, a do amor, ou o sistema mosaico?
A lei mosaica se completa na lei de Cristo e do amor.

Jesus não revogou a lei. Mas o que Ele fez?
Ele viveu no seu dia a dia toda a lei.

O que é vida no Espírito?
A vida no Espírito é ter comunhão com Deus de maneira abundante e profunda.

Fale um pouco sobre a relação da lei com a graça.
A lei serviu para apontar o pecado e mostrar que homem algum poderia se tornar justo diante de Deus. A graça é favor imerecido. Éramos pecadores e não merecíamos o amor de Deus, mas Ele nos amou e nos livrou do pecado e do jugo da condenação que estava sobre nós.

CONSULTE: Revista Ensinador Cristão - CPAD, nº 61, p.42.
Você encontrará mais subsídios para enriquecer a lição. São artigos que buscam expandir certos assuntos.

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Lição 13 Recompensas da fidelidade.



Lição 13 Recompensas da fidelidade.
29 de março de 2015

Texto Áureo
“Disse-lhe o Senhor, muito bem, servo bom e fiel, foste fiel no pouco sobre o muito te colocarei, entra no gozo do teu Senhor.” Mt 25.21.

Verdade Aplicada
Conscientizar que o homem fiel será abençoado nesta vida e, por fim, alcançará vida eterna.

Objetivos da Lição
Reconhecer que a recompensa de Deus ocorre nas esferas espirituais, materiais e futuras;
Conscientizar que precisamos ser fiéis a Deus no pouco;
Entender que a maior recompensa de Deus para os fiéis é a vida eterna.

Glossário
Esfera: Área de atividade;
Prece: Oração;
Porfia: Contenda, discussão.

Textos de referência.
Mt 25.19-22
19  Depois de muito tempo, voltou o senhor daqueles servos e ajustou contas com eles.
20  Então, aproximando-se o que recebera cinco talentos, entregou outros cinco, dizendo: Senhor, me confiou-me cinco talentos; eis aqui outros cinco talentos que ganhei.
21  Disse-lhe o senhor: Muito bem, servo bom e fiel; foste fiel no pouco, sobre o muito te colocarei; entra no gozo do teu senhor.
22  E, aproximando-se também o que recebera dois talentos, disse: Senhor, dois talentos me confiaste; aqui tens outros dois que ganhei.

Leituras complementares.
Segunda       Pv 28.20
Terça              Mt 25.23
Quarta           Sl 101.5
Quinta           2Rs 20.1-6
Sexta             1Tm 1.12
Sábado          Ap 22.12

Esboço da Lição
Introdução
1. Recompensas temporais
2. Recompensas espirituais
3. Recompensas futuras
Conclusão.

Introdução
Ao longo de toda a Bíblia, a fidelidade de Deus, uma parte essencial do Seu caráter, é celebrada e exaltada pelos Seus servos (Sl 36.5). Mas, assim Seus servos, Ele espera que estes também sejam fiéis a Ele (1Tm 1.12). A fidelidade honra a Deus e Deus honra a fidelidade (Jó 42.10-12). Vejamos a seguir alguns aspectos dessas recompensas:

1. Recompensas temporais.
O homem que é fiel ao Senhor é revestido de bênçãos (Pv28.20). Conheçamos, portanto, as graças recebidas concernentes ao tempo, ou seja, as recompensas temporais advindas da fidelidade.

1.1. Prosperidade que vem do Senhor.
Existe uma prosperidade que não vem do Senhor (Mt 16.26): a prosperidade que visa somente as conquistas materiais e os prazeres deste mundo. Em 3 João 2, temos o relato do que é ser próspero no Senhor. A verdadeira prosperidade envolve todos os aspectos da vida: família, finanças, relações sociais e profissionais, saúde e, principalmente, a vida espiritual, que é o aspecto mais importante da existência humana. José era próspero em tudo quanto fazia, mais jamais se esqueceu do seu Deus (Gn 39.2, 3).

1.2. Confiança nas relações sociais.
Uma pessoa fiel a Deus certamente também será fiel em suas relações sociais; isso fará com que alcance junto à sociedade, em cujo contexto se encontra inserido, um bom nome, ou seja, respeito, consideração e confiança (Pv 22.1). A fidelidade era a qualidade que Paulo mais exaltava nos seus companheiros de ministérios (1Co 4.17; Ef 6.21; Cl 1.7; 4.9). Por isso confiava tanto neles e os apresentava às igrejas como homens fiéis. O maior patrimônio que um líder pode ter é cercar-se de companheiros fiéis.

1.3. Poderá ter sua esfera de ação ampliada.
Embora o texto de Mateus 25.21 tenha um cunho escatológico, ou seja, refere-se a recompensas futuras, ele pode ser aplicado à vida cristã no momento presente, pois uma vida de fidelidade a Deus pode nos conduzir a novas conquistas. Mateus fala de ser fiel no pouco, ou seja, quando valorizamos as pequenas coisas que Deus nos dá, Ele, aos poucos, amplia essas esferas de ações, seja no campo profissional, social, financeiro ou ministerial. Dentre os muitos exemplos Bíblicos, podemos escolher Davi. Ele cuidava tão fielmente de umas poucas ovelhas de seu pai, a ponto de defende-las de ursos e leões (1Sm 17.34-36). Mesmo que ninguém o estivesse vendo, ele agia com fidelidade. Todavia, o olhar de Deus o acompanhava sua fidelidade e o escolheu para ser o maior rei de Israel de todos os tempos. Ele saiu detrás das ovelhas para ser o rei de Israel (2Sm 7.8).

Recompensas temporais são recompensas relacionadas a esta vida, ou seja, ao momento presente. A fidelidade a Deus resulta em bênçãos já nesta vida e, embora essas bênçãos ou recompensas possam variar de uma pessoa para outra, todos os fiéis são alvos das bênçãos de Deus. Isso está de acordo com a resposta de Jesus a Pedro, quando ele quis saber o futuro daqueles que tinham deixado tudo para seguir o Mestre. Cristo respondeu que receberam o cêntuplo já no presente, por fim, a vitória eterna (Mc 10.28.30).

2. Recompensas espirituais.
O nosso Senhor Jesus Cristo nos abençoou com toda a sorte de bênçãos espirituais (Ef 1.3). Bênçãos que não são passageiras, nem perecíveis. Aprendamos um pouco mais sobre esse favor divino a nosso respeito.

2.1. Experimentará a constante presença do Senhor.
É grande o privilégio de ter o Senhor como companhia constante. O próprio Deus procura pessoas para estarem com Ele (Sl 101.6). Estar na presença de Deus, no sentido de comunhão e intimidade, é a bênção suprema da vida cristã. Deus não retira Sua presença daquele que O serve fielmente. José estava no Egito, longe de sua terra, de seus familiares e de amigos, mas permaneceu fiel. A expressão “O Senhor era com ele” se repete quatro vezes noi texto como razão do seu sucesso. Deus estava com ele na casa de Potifar (Gn 39.3), na prisão (Gn 39.21) e no trono (Gn 45.8). A fidelidade, portanto, é uma das bases de sustentação da comunhão com Deus. Se permanecermos fiéis a Ele, também desfrutaremos da Sua gloriosa presença.

2.2. Será socorrido no tempo da angústia.
A experiência do rei Ezequias foi extremamente angustiosa. Acometido por uma enfermidade mortal, Isaias, o maior profeta daqueles dias ainda lhe trouxe uma dura mensagem (2Rs 20.1). O rei, porém teve forças para recorrer a Deus em oração. É importante observar que, durante a sua prece, ele lembrou ao Senhor que O havia servido com fidelidade, sinceridade e feito o que Deus aprova. Todavia, a oração dele não é um apelo baseado em boas obras ou méritos humanos para alcançar o favor divino, mas expressa o reconhecimento de que o Senhor favorece, misericordiosamente, aqueles que O servem com fidelidade e os socorrem. Como afirmava Paulo em Filipenses 1.19, 20, mesmo em face de um julgamento arbitrário, ele tinha certeza de que em nada seria envergonhado e o Senhor lhe daria vitória. A fidelidade no servir a Deus nos dará confiança na Sua proteção, mesmo nas horas mais difíceis.

2.3. Terá a aprovação de Deus quanto ao ministério.
Não sabemos explicar todos os ministérios que envolvem a chamada de uma pessoa para o ministério. O próprio Jesus disse aos discípulos que não foram eles que escolheram Cristo, mas que o Senhor os havia escolhido (Jo 15.16). Entretanto, Paulo diz “que Deus o considerou fiel designando-o para o ministério” (1Tm 1.12). Embora o apóstolo fosse detentor de muitas qualidades admiráveis, ele afirmou que Deus o colocara no ministério porque viu nele um homem fiel. Isso, porém, não significa que todo aquele que for fiel será chamado para o ministério, pois todo servo de Deus precisa ser fiel. Entendemos que a fidelidade é uma virtude imprescindível para aquele que deseja servir ao Senhor em qualquer esfera de ação na igreja. Principalmente em cargos ministeriais (1Co 4.1). Ao dar os último0s conselhos a Timóteo (2Tm 2.2), Paulo aconselha seu filho na fé a apossar-se da revelação divina entregue e a comunicá-la a homens fiéis, que, por sua vez, passariam a outros, e assim sucessivamente até a vinda de Cristo.

O cristão não deve focar simplesmente nas bênçãos temporais ou materiais. Embora sejam importantes, mais relevantes são as bênçãos espirituais. As bênçãos materiais ficarão aqui, mas as bênçãos espirituais nos seguirão por toda a eternidade. Deus já nos abençoou com toda sorte de bênçãos espirituais. Veja que não são algumas são todas as bênçãos alcançadas por intermédio de Cristo (Ef 1.3). Essas bênçãos não são futuras, elas estão presentes na vida do cristão, podendo ser desfrutada agora.

3. Recompensas futuras.
A volta de Jesus é iminente. Ele cedo virá e abençoará a cada um conforme suas obras (Ap 22.12). Compreendamos os galardões futuros prometidos à Igreja.

3.1 Receberá a vida eterna no presente.
A expressão “vida eterna”, embora ocorra com muita frequência no Novo Testamento, não é fácil de conceituar, pois não é definida totalmente. Em João 17.3, a vida eterna é descrita no seu aspecto experiencial de conhecer a Deus e ter comunhão com Ele mediante Seu Filho Jesus Cristo. Podemos, então, observar dois aspectos da vida eterna: presente (Jo 3.36; Mt 25.21b) e futuro (Mt 25.46). No seu aspecto presente, a vida eterna é a dádiva que Deus outorga ao homem mediante a regeneração (Tt 3.5), que corresponde às expressões: nascer de novo (Jo 3.3), nascido de Deus (Jo 1.13) e a nova criatura (2Co 5.17). É a ressurreição espiritual (Cl 3.1), que nos permite estar assentados com Cristo nas regiões celestiais (Ef 2.6). Dessa forma, os cristãos já desfrutam, no presente, daquela comunhão que caracterizará a eternidade.

3.2 Receberá a vida eterna no futuro.
Com relação ao futuro, embora haja muitos mistérios como afirma 1 João 3.2 “e não se manifestou ainda o que haveremos de ser”, nem todas as maravilhas da eternidade estão plenamente reveladas. Podemos afirmar que não é simplesmente uma existência sem fim, mas a qualidade de vida mais elevada que existe, porque desfrutaremos da presença de Cristo por toda a eternidade (1Ts 4.17; Mt 25.46).

A Bíblia afirma que se esperarmos em Cristo somente nesta vida somos os mais infelizes de todos os homens (1Co 15.19). Por isso os servos de Deus, conforme ensina a Bíblia, viveram na expectativa da vida futura. Abraão viveu de forma peregrina na terra de Canaã porque buscava a cidade que tem fundamentos, da qual Deus é o arquiteto e edificador (Hb 10.8-10). De igual modo, Moisés recusou os tesouros do Egito, preferiu sofrer com o povo de Deus porque contemplava o galardão (Hb 10.24-26). O apóstolo Paulo afirmou de forma categórica sua confiança em um futuro abençoado por Deus, não só para ele, mas para todos quantos amam a vinda do Senhor (2Tm 4.8).

3.3 Receberá galardões.
A doutrina a respeito dos galardões é para aqueles que perseverarem em servir ao Senhor fielmente (Hb 10.35). O próprio Cristo disse que os distribuiria (Ap 22.12); quão grande privilégio será recebe-los das mãos do Senhor. Dois fatos, porém, de extrema importância precisam ser observados quando falamos de galardões. Primeiro: termos o cuidado para não desenvolvermos uma visão materialista dos galardões, como se fossem “bens” materiais nos lugares celestiais, como mansões, coroas literais, etc. Os galardões referem-se a valores espirituais. Segundo: observar o critério para ser galardoado (2Co 5.10). Será um galardão com base na qualidade do trabalho prestado ao Reino de Deus (1Co 3.13, 14) e não simplesmente na quantidade. A oferta da viúva pobre teve mais valor que as enormes quantias dos ricos. Também será galardoado de acordo com a motivação interna (1Co 4.5). Existem, infelizmente, muitas pessoas fazendo a obra de Deus com motivações impuras; buscam glória para si mesmo, competem umas com as outras, pregam por porfia e inveja (Fp 1.15), outras estão simplesmente interessadas no lucro financeiro (2Co 2.17).

Conclusão.
A fidelidade é uma das virtudes cardeais do cristianismo e precisa acompanhar o cristão em sua jornada neste mundo, pois ela resultará tanto numa vida cristã vitoriosa, bem como na aprovação de Deus no futuro (Mt 25.21).

Questionário.
1. Qual a importância de manter-se fiel a Deus?
R: Essa atitude honra a Deus e resulta em grandes bênçãos (Jó 42.10-12).

2. Qual é a importância da prosperidade que vem do Senhor?
R: Ela envolve todos os aspectos da vida, principalmente a vida espiritual.

3. Cite duas recompensas espirituais advindas da fidelidade a Deus?
R: O prazer de experimentar a constante presença do Senhor (Sl 101.6); ter a aprovação de Deus quanto ao ministério (1Tm 1.12).

4. Dê o exemplo de um homem fiel.
R: Davi. Ele cuidava com fidelidade das ovelhas de seu pai e Deus lhe confiou o povo de Israel (1Sm 17.34-36).

5. Quais são os dois critérios observados no recebimento dos galardões?
R: A qualidade do trabalho prestado (1Co 3.13, 14) e a motivação interna (1Co 4.5).